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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Carta a "Rama"...




Carta ao senhor V.S. Ramachandran

Ramachandran é autor do livro ‘Os Fantasma no Cérebro: Uma Investigação sobre os Mistérios da Mente Humana’, em co-autoria com Sandra Blakeslee... Vilayanur Subramanian "Rama" Ramachandran, nasceu em 1951, e destacou-se como neurocientista nas áreas de neurologia comportamental e psicofísica visual. “Rama” é o diretor do Centro para o Cérebro e Cognição (Center for Brain and Cognition), e professor no Departamento de Psicologia e do Programa de Pós Graduação em Neurociência da Universidade da Califórnia (University of California), San Diego...

Ramachandran é conhecido pelo uso de métodos experimentais que dispensam – em princípio - a utilização de tecnologias complexas, tais como neuroimagem, ressonância magnética, etc... De acordo com Ramachandran, "muito do sentido da aventura vitoriana [na ciência] foi perdido"... Apesar da aparente simplicidade de sua abordagem, Ramachandran tem gerado muitas idéias revolucionárias sobre o cérebro... Ele é chamado de "O Marco Polo da Neurociência" por Richard Dawkins e "O Paul Broca Moderno", por Eric Kandel... Em 1997, a renomada Newsweek nomeou “Rama” como membro da "The Century Club", uma das "cem pessoas mais proeminentes" do século XXI... Em 2011, “Rama” foi listado como uma das "pessoas mais influentes do mundo", pela "Time 100"...


The Letter:


Dear Mr. Ramachandran,

Or may I call you ‘Marco Polo’, or maybe better: ‘Mr. Sherlock Holmes’... This contact, even by e-mail, is a great honor for me... I´m trying to write my first book called 'Ethos', the same title of the unfinished book of Sagan - and by pure coincidence -, that, concisely, reflects my meeting with remarkable men like you, and very proud to have received inputs of such a noble ideas...

I write here, and humbly, because I have your book in my hands – and now, in my life -, "Phantoms in the Brain: Probing the Mysteries of the Human Mind”, coauthor Sandra Blakeslee, and I´m really very excited with a new world of ideas... Thank you...

But also I´m writing, and once again emphasize the gesture of humility in the face of your knowledge, just to try to make a small contribution to your work as 'researcher' – or investigator -; like ‘the witness’ that makes an anonymous call, providing ‘clues’ about who is the murder, or about the place where the murder weapon is hidden... Analyzing the case of Tom, and analyzing the two alternatives offered, ie: 1. A kind of a neural sprouting, remapping the stimulus – and sorry about my English; or: 2. A kind of redundancy; and occurred me another alternative or – maybe, a more plausible one - possibility...

The neural circuits, or rather, a neuron, could be compared – just to simplify – with an 'integrator', which receives various inputs, resulting in a 'higher passes' output... So we have ‘signs of blocking or stimulating’, ‘adding or subtracting inductions’, and with a – specific - intensity, resulting in an integration into the neuron, that results in a ‘biochemical’ output signal... So, with the amputation of an arm, for example, instead of sending a blocking signal, that would result on ‘inducing the correct path to the face’, helping to map the sensitivity of touch in the face with the face; a 'null' signal is there, and contributing in the ‘wrong way’ – or not contributing in the right way -; and ‘inducting confusion’ between the arm and the face sensitivity... So, I mean that, when the arm is really there, a blocking signal – for the arm sensitivity - will be sent, to ‘complete’ the correct path to the face sensitivity...

The relation between arms and face, is a matter of ‘the radiation of the confusion’, because the circuit for arms and face – as will know, by the Penfield Map -, are close, but in my speculation, they ‘could be the same’... So, there is no redundancy, but the same circuits... When we don´t have a ‘closed door’ for the leg, the pain could be sensed in both, leg and face, and depending of many details, related with the amputation, the results will be quite ‘different but similar’...

I once again ask forgiveness about my English, and for daring, and as I explained, I write about the subject and abut related themes, and your book was a window to many reflections... I am an electrical engineer, mathematician, and I have a doctorate of philosophy in progress... I use to devour all the – serious - information associated with the Neuroscience, Genetics, Biology, History, Anthropology, Mythology, Astrophysics, Philosophy, Music and Poetry, hahaha... Thank you for your attention, I hope I have somehow contributed... It would be an honor to meet you someday...

PS: I'm still in the story of Tom, and only on page 69, and it may be that the puzzle will be properly solved in the next chapters... Anyway, the reflection produced, and the single contact through this correspondence, are very mean to me... Sorry – again - for daring…

A sincere and a tender hug, and thank you for persisting.

Carlos Sherman

Tradução:

Prezado Senhor Ramachandran,

Este contato, mesmo por e-mail, é uma enorme honra para mim. Eu escrevo um livro chamado 'Ethos', o mesmo título do inacabado livro de Sagan - e por pura coincidência... Reflete de forma concisa o meu encontro com homens notáveis como o senhor, e o orgulho de ter recebido inputs de idéias tão nobres...

Escrevo aqui, e humildemente, porque tenho em mãos vosso livro, 'Phantoms in the Brain: Probing the Mysteries of the Human Mind, em co-autoria com Sandra Blakeslee', e estou muito excitado com este novo mundo de idéias. Obrigado...

Mas escrevo também, e mais uma vez ressalto a humildade do gesto, em face de vosso conhecimento, para tentar dar uma pequena contribuição ao seu trabalho como 'investigador'... Na figura de uma testemunha que faz uma ligação anônima, fornecendo pistas sobre o criminoso, ou sobre o local onde se encontra a arma do crime... Analisando o caso de Tom, e analisando as duas alternativas oferecidas, ou seja: 1. O brotamento neural, remapeando o estímulo; ou: 2. A redundância; Ocorreu-me outra alternativa, e possivelmente mais plausível...

O circuitos neurais, ou melhor dizendo, um neurônio, pode ser comparado - de forma muito simplista - a um 'integrador', que recebe diversos inputs, resultando em um sinal de 'passa maior'... Temos então sinais de bloqueio ou estímulo, e com determinada intensidade, resultando em uma integração dentro do neurônio... Desta forma, com a amputação do membro, ao invés de mandar um sinal de bloqueio, por exemplo, que resultaria em induzir o caminho correto, mapeando a sensibilidade do toque no rosto, o sinal é 'nulo' e, portanto, deixa de contribuir no caminho correto, ocorrendo então uma 'irradiação' do sinal e, portanto, da sensibilidade para o 'braço fantasma'... Sendo assim, e pelo mapa de Penfield, a circuitaria afetada pelo sinal nulo, resultaria em 'falha' na sensibilidade, por irradiação de uma resultante equivocada, nas proximidades do membro amputado...

Peço mais uma vez perdão pelo atrevimento, e como expliquei, escrevo sobre o tema, e sobre temas correlatos, e o seu livro foi uma janela para inúmeras reflexões... Sou Engenheiro Eletrônico, Matemático, e tenho um Doutorado de Filosofia em stand-by... Devoro toda a literatura associada à Neurociência, Genética, Biologia, História, Antropologia, Mitologia, Astrofísica, Música e Poesia, hahaha... Obrigado pela atenção, espero ter, de alguma forma, contribuído... Seria uma honra conhecê-lo um dia...

P.S.: Ainda estou na estória de Tom, e apenas na página 69, e pode ser que o enigma seja devidamente desvendado nos próximos capítulos... De qualquer forma, a reflexão produzida, e o contato por meio desta correspondência, muito significam para mim... Desculpe, novamente, pela ousadia...

Um sincero e forte abraço, e obrigado por persistir...

Carlos Sherman




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