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sábado, 28 de janeiro de 2012

Ateu sim, ateísta não...


Ateu sim, ateísta não... Ser ateu não é um fim... Tornar-se - naturalmente - ateu, é consequência da busca pela verdade... É consequência da ética e do ceticismo apurado...

Entender que deuses não existem é um importante passo para estarmos alinhados com a experiência mais poderosa que existe: A REALIDADE... Mas isso é só o começo, ou seja, significa que temos clareza, mas precisaremos de muito mais do que isso para melhorar o nosso mundo... Se entendemos - de fato - que o livre arbítrio é uma falácia, devemos entender também que os crentes não escolheram este destino... Vários processos contribuem para esta convergência involuntária... De forma que eles precisam de ajuda... 


Eu fui um crente fervoro, e nasci em uma família religiosa, pessoas de bem, com boas intensões como você e eu; e simplesmente foi necessário me desintoxicar de toda a doutrinação recebida, e superar o medo... Mas nem todos conseguem fazer isso sozinhos, e precisam então de toda a nossa ajuda... E alguns nunca conseguirão... Mas, o processo pelo qual passei, nunca envolveu revolta... Deixei de acreditar em coisas, quando entendi como realmente funcionavam...


Não conjugo o verbo crer na primeira pessoa do singular... Porque não é necessário... Não mais...

Por outro lado, no púlpito, a estória é bem diferente, rsrsrsrs... Trata-se de um caso de polícia, e da aplicação - pura e simples - do Código Penal, pelo crime de ESTELIONATO... Trata-se do negócio falacioso e sem-vergonha, de INCUTIR O MEDO PARA VENDER A SALVAÇÃO... Explorando a ingenuidade, o despreparo e o desespero das pessoas... Temos que aplicar a lei, implacavelmente... E continuo, um livro que estimula o incesto, pedofilia, genocídio, guerra santa, morte aos infiéis, escravidão, homofobia, entre outros tantos crimes, está em flagrante delito com as boas práticas e com a constituição de nosso país laico, e precisa ser questionado pelo Poder Público e Judiciário... 

De forma que não se trata de tolerância de parte a parte, entre religiosos e ateus... Trata-se de clareza, ignorância e estelionato... Quem se livrou das crenças possui clareza, mas será necessário fazer bom uso dela... Precisaremos ajudar, dentro do possível, a quem sofre por ignorância... Mas não podemos acordar a quem prefere continuar dormindo e esperando pelo juízo final... E devemos denunciar os crimes contra a esperança de quem nada tem... 


Mas, em suma, acho o cartaz ateísta que provocou o debate, e as provocações incessantes, são de péssimo tom... Como sempre digo, negar a existências de deuses e do sobrenatural - com conhecimento e  argumentos - é necessário e imperioso... Ok... Mas um caminho não se constrói de negações e sim de proposições positivas... Quais serão então as nossas propostas? O que queremos para o mundo? O que faremos com a nossa clareza? O que faremos para a ajudar a quem nada sabe? O que faremos com os estelionatários da fé?

Ficar repetindo a 'ladainha atéia' também não conduz a nada... Temos que explicar como o Universo e a Vida realmente funcionam, a quem nada sabe... Muitos não conseguem conviver com sistemas caóticos e estatísticos... Pensam de forma simplista e temerária, porque foram doutrinados a isso... E por isso pagam o dízimo e abaixam a cabeça... Mas estas são as vítimas deste processo... E se realmente dispomos de clareza, devemos chamar a responsabilidade e lutar - pacifica e respeitosamente -, ajudando a construir um acervo de novos valores... 


Aos bandidos? Cadeia... Aos fiéis seguidores? Desintoxicação, educação e apoio... Ajudemos aos 'cegos', denunciemos aos que exploram sua cegueira... Sejamos mais do que críticos... Ajudemos a quem precisa... 

Carlos Sherman

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