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terça-feira, 13 de março de 2012

Amor? Amar? A Minha Resposta...


Interessante, mas...

Uma contradição em si...

Havia uma intensa discussão sobre um post enaltecendo "O 'Amor' de Madre Teresa de Calcutá", enquanto em outro post a mesma 'Madre Teresa condenava os pecadores ao justo castigo e sofrimento pela AIDS'... 

Então fui questionado:

O que seria o amor Carlos Leger? ou melhor existe o amor?

Primeiramente pontuei:

Fábio, publiquei o segundo post, em resposta a uma participante de nosso grupo, a Jú, que enaltecia o amor de Madre Teresa de Calcutá (doravante apenas MTC), no primeiro post... Onde está o "amor" - entre aspas - de MTC, quando ela condena quem tem AIDS à morte pelo seu pecado? Ou seja, estou criticando a pertinência deste amor...

Fábio, sobre as duas indagações, tentarei apenas elucidar minha posição, e longe de pretender uma conclusão sobre um tema que considero 'semântico', 'referencial' e subjetivo... Explico... Sobre 'o que seria o amor', e na minha concepção, o 'amor' é primeiramente uma 'palavra' inventada - como outras - e um recurso linguístico, que pretende definir 'referencialmente' um complexo de estados emocionais e de conduta... Trata-se de uma referência semântica ou linguística... Ou seja, a tentativa de comunicação entre duas pessoas, comprando suas experiências... De forma que e per si, o conceito linguístico de amor poderá ser bem diferente para você, para mim, e para os demais... 

Supondo que, esta palavra, carregada de significado dramático - e variável ao longo do tempo, das diferentes culturas e da história da civilização - pudesse significar a mesma coisa para um grupo de pessoas; o grupo ao qual eu pertenceria, seria aquele que define amor ou AMAR, como sendo um impulso para DAR, um ato de DAR, um verbo uma ação, e sem requerer um 'payback' direto... Ainda respondendo a primeira importante indagação, amor pra mim é o ato de dar, ou seja, empenhar a sua energia, reservas alimentares, recursos, atenção, tempo, em melhorar as condições de outra pessoa, e não a sua... É isso... É assim que entendo, é assim que digo, e é assim que vivo o amor... Por exemplo, daria a vida por um número reduzido de pessoas, minhas filhas e minha esposa... Talvez meus sobrinhos... Este para mim seria o maior ato possível de amor, e por quê? Porque não permite nenhum tipo de relativização da condição pura do amor, posto que, como cético e descrente em deuses e em super-poderes da imortalidade, não receberei absolutamente nada pelo gesto... Ou seja, estarei realmente dando o que tenho de mais precioso e derradeiro: a minha própria vida... E não hesitaria em dar a vida pela minha família... 

Outros gestos menos extremos são igualmente e genuinamente 'amorosos', como alimentar primeiro a minha família, pensar primeiramente nas necessidades deles... Mas estes gestos poderiam ser relativizados, na alegação de que: 'se eles estiverem bem terei menos problemas a posteriori, e poderão cuidar de mim na velhice, ou estarei propagando os meus genes - biologicamente falando... Mas minha mulher não propaga os meus genes, e nem a minha filha adotiva... De forma que somente a minha filha natural propagaria os meus genes, e digo isso para o caso de que questionem a minha fundamentação sobre DAR... Sim, estou empregando recursos da minha sobrevivência para assegurar primeiro a sobrevivência delas....

Acho que podemos então, em uma escala que vai do extremo egoísmo ao extremo altruísmo, posicionar as diferentes atitudes de amor, ou de AMAR... Dentro deste critério quase objetivo de 'AMAR', poderemos nos atrever a refletir sobre a pertinência de minhas 'proposições', e finalmente respondo que sim Fábio, 'este amor existe'... Dar... Prefiro, parafraseando Drummond - que por sua vez parafraseou Mário de Andrade - falar em AMAR: VERBO INTRANSITIVO... Lembrando que 'os verbos intransitivos resumem um sentido dispensando complementos... E vou além, para dizer que o meu AMAR, semântico e referencial, é uma CAPACIDADE e não um sentimento... E adentro um pouco mais a questão dizendo que esta capacidade tem forte impulsão genética, estimulada ou não pelo aprendizado, e tal fenômeno comportamental, AMAR, é regulado por hormônios - cadeias proteicas... 

E insisto que 'sim', existe uma boa distribuição de tal capacidade e tendência altruísta, genuína, em maior ou menor intensidade na humanidade... Muito mais precisaria ser dito, por exemplo que altruísmo - na minha compreensão semântica - é a tendencia extrema de pensar no grupo, enquanto egoísmo é a tendência extrema de cuidar de si.... Dois extremos raramento atingidos, e que apenas pontuam uma escala imaginária... Lembro ainda que o grupo, o bando, é capaz de alterar, abafar ou sobrepujar - de sobremaneira - a impulsão e atitude individual, e por vezes entramos em estado de catarse coletiva - como no caso do nazismo -, sendo capazes de atrocidades e atentados contra a vida, que não teríamos deflagrado em instâncias individuais ou menos coletivas... 

Poderíamos e deveríamos passear sobre as constatações de John Nash, e a descoberta das vantagens econômicas e sociais do altruísmo: O equilíbrio Nash... Adam Smith preconiza que em um meio competitivo - de recursos finitos - atingiremos o nosso apogeu somo sociedade, sempre e quando cada um cuide do melhor para si e empenhe-se nesta tarefa... Como resultado de um somatório simples - e simplista demais - os esforços serão amontoados e redundando no esforço do coletivo... Nash modelou tal conduta, nos extremos e confins da teoria capitalista, mostrando que 'sim', tal grupo evolui rapidamente para depois estabilizar, quando os recursos começam a escassear, mas finalmente descambam para o colapso quando uns passam a atacar os outros... O marxismo pecou pelo motivo inverso, diagnosticou bem o problema capitalista, mas prognosticou pessimamente o que fazer... Modelado matematicamente e na prática, tetando suprimir a liberdade individual, o marxismo foi nefasto... Nem o controle do homem, nem o egoísmo desenfreado... A resposta - por hora - pode estar no equilíbrio Nash... Simth diz 'faça o melhor para si', Nash corrige 'para si e para o grupo'... E isso faz toda a diferença... Nash chegou a teorizar sobre a parcela de dedicação à sobrevivência individual, e a parcela dedicada ao grupo, mas tudo está inter relacionado...

Imagine hipoteticamente que você acaba de tomar o conteúdo líquido de uma garrafa plástica enquanto caminha, e quer desfazer-se do seu lixo... Existe então a possibilidade de atirar a garrafa no chão, criando problemas aos demais... Prejudicando o grupo... Existe mais na frente, uma gaiola para atirar o lixo, e você pode desfazer-se de seu incômodo, mas sabe, que embora este seja um lugar correto para despejar o lixo, está apropriado para sacos plásticos, e de maior volume... Então poderia livra-se do problema, teoricamente, sabendo que existiria grande chance da garrafa voar no chão, ou cair quando o caminhão de lixo passasse... Afinal, uma garrafa isolada seguramente terminará no chão... Mas você se livra do problema e engana a sua consciência... Mas se esperar um pouco, e mais à frente, terminará por encontrar o local adequado para atirar seu lixo... Este tipo de postura, apresenta uma forte componente altruísta, ou simbiótica... 

Outros aspectos da personalidade, posto que defini amor como uma capacidade, deveriam ser considerados para que este debate fosse ainda mais produtivo... E aqui, tenho que me desculpar sobre a quantidade de linhas, mesmo considerando que poucas indagações são tão complexas quanto essa, e neste sentido acho que até fui econômico, embora não seja esta a minha maior virtude, rsrsrsrsrsrs... 

Podemos investigar outras relações da simbiose social, por exemplo no modelo chinês, onde os pais focam os seus esforços no primogênito - do sexo masculino -, que receberá a maior porção de alimento, maior apoio financeiro e educação, e herdará o patrimônio familiar... Mas existe um 'payback', pois o primogênito deverá cuidar dos pais na velhice... Trata-se de uma motivação genética e simbiótica, mas não de caráter puramente altruísta... 

A natureza nos cobra 'cui bono?', qual o benefício? E costuma ser implacável com o desperdício de recursos e energia... Então qual seria o benefício prático de dar a vida por outra pessoa que não carregará os seus genes? Algumas pessoas não conseguiriam viver se não o fizessem... Eu não poderia viver após a morte de uma de minhas filhas, sabendo que poderia ter trocado o sofrimento e o desespero dela pelo meu... De forma que, sabendo que a minha vida é irremediavelmente finita, e que não vamos mesmos a lugar algum, eu escolheria este momento para uma despedida em grande estilo, e por uma causa que seja maior do que a minha própria vida... Deixaria um exemplo, um legado, mas do qual eu não poderia me beneficiar... Mas talvez, vivenciasse no olhar das pessoas que se despedem de mim, um brilho que poucos testemunharam... E talvez, está fosse a melhor forma de morrer... Amado... Muito amado...

Caro Fábio, para encerrar devo dizer que AMAR é DAR, e o benefício de amar fica 'RETIDO NA FONTE', por quem deu... É pessoal e intransferível... Trata-se de feedback, e não de payback... Tenho confiança nesta abordagem... Caminhando dentro de nossa imaginária 'escala do amor', rsrsrs, podemos considerar que o payback começa a aparecer quando adentramos precisamente a faixa do justo comportamento ou das relações simbióticas... E tudo bem... Mas amar, em sua manifestação extrema, em pleno estado de desapego e genuíno sentido de dar, tem o seu benefício retido na fonte, por quem dá... 

Trata-se de uma capacidade genética, que pode ser modificada pelo aprendizado, mas dificilmente inventada a partir do nada - ou sem trocas e objetivos concretos, como por exemplo negociar a salvação religiosa... Ou seja, a genética que dá, nutre-se da bioquímica e da sensação de dar... Este é o feedback - diferentemente de payback... Fazer o bem pelo bem de fazer... Isso é para poucos... Mas podemos fazer o bem para receber o bem... Essa é uma excelente relação simbiótica... Para fugir às tentações relativizadoras, estou considerado aqui e nesta análise, que 'o bem' significa prover abrigo, alimento, proteção, etc... Parâmetros vitais, e logo universais - presumo... 

Então Fábio, Madre Teresa condiciona o seu 'amor' àqueles que seguem seu credo... Acho que neste sentido a conduta é mais simbiótica do que altruísta... Quem tem AIDS portanto, não merece o "amor" de MTC, e ainda recebe a sua condenação e desejo de morte e sofrimento... Isso é terrível, como toda a conceituação do 'amor bíblico'... Um dos gestos mais relevantes de altruísmo bíblico - já que gestos positivos são raríssimo neste manual da morte - é a atitude de Jesus Cristo quando sugere que: 'ao ser esbofetado, ofereça a outra face'... 'Pero', de que vale tal atitude se no desfecho da narrativa anedótica bíblica este mesmo camarada virá como "senhor da guerra", "montado em uma cavalo branco", "vestido com uma armadura reluzente", "cuspindo lanças pela boca", para matar com indizível sofrimento toda a humanidade? O que aprendemos aqui? Que o gesto do suposto Cristo, não passou de DISSIMULAÇÃO... Ele deu a outra face, mas virá para mostrar a sua verdadeira face no juízo final protagonizando o maior crime já perpetrado: o HUMANICÍDIO... Isso pela segunda vez, porque a estorinha infantil da Arca de Noé foi o primeiro - morte à humanidade e a todo o reino animal, por afogamento... É sobre isso que versava o meu post, e é assim que penso... 

Dizer que que "A AIDS é o justo castigo por um comportamento sexual inadequado"  é mais do que um simples equívoco... É uma forma de pensamento... É criminoso desejar a morte de pessoas inocentes, amargando sofrimento e dor, 'por um comportamento sexual inadequado'... Primeiramente, qual é o comportamento 'adequado'?... O comportamento de MTC? O seu celibato, ou melhor seria dizer o seu 'matrimônio' com Deus? Um ser imaginário... MTC usa uma 'aliança' para o seu compromisso matrimonial com deus... Isso é normal, adequado? Cobre sua nudez com vergonha doentia, e jamais sentiu o inigualável prazer de um orgasmo - para o qual os nossos corpos estão natural e plenamente preparados... MTC sim contrariou os desígnios humanos e a natureza da procriação - sem considerar o 'crescei e multiplicai' -, de forma terrível escura e doentia, apesar do hábito branco... E onde está o "amor" - entre muitas aspas - de MTC? 




Sei que o primeiro link foi publicado com a melhor das intenções, mas diante do segundo link, fica explícito que o primeiro link não procede... Sugere não julgar, para amar, mas julga e condena... Então não existe amar, e sim o posto, em face da condenação... O  comentário de Teresa de Calcutá sobre a AIDS é mais do que um simples erro, e insisto... Esta grave celebração da condenação humana ao sofrimento revela a 'complexidade' e a contradição do dito amor cristão... Evidentemente ela teve uma vida dedicada à causas assistências e humanitárias, mas somente quando não contrariava o seu severo e confuso moralismo... MTC também negava o uso de anestésicos em suas clínicas por acreditar no benefício da "dor e da expiação"... Assista "A Outra Face de Madre Teresa"... Acho o vídeo duro demais, rsrsrsrs, e acho que carrega na tinta, mas não deixa de ser documental... 


Acho que a verdadeira MTC foi uma pessoa que dedicou sua vida a ajudar 'sim' mas o fez por razões religiosas... Desta forma, e no final das contas, ela fez um trabalho assistencial pelo mega-prêmio da salvação eterna... O valor deste gesto é bem discutível, mas o valor de suas boas ações pode ter sido real e tangível... Se tratou das feridas de quem sofria, se alcançou um copo de água para quem tinha sede, se levou alimento para quem sentia fome, não podemos sob nenhum pretexto desprezar tais ações... Mas a motivação é discutível, o propósito falho... Mas viver é atuar... Falar também é ação, e quando fala sobre a AIDS, MTC definitivamente comete um crime, desejando a morte de inocentes... Inafiançável... 


MTC, assim como no caso de Ghandi - que por sua vez defendeu o Apartheid -, destaparam a grave e complexa questão que decorre da impossível convivência entre o sentido pleno de humanidade e a adesão a dogmas...


Mais uma vez perdão pela demora, mas gostei realmente de compartilhar meu tempo, parte do 'hiato da minha inexistência', com você... Acho que, em alguma medida, estou fadado ao 'amor', nos termos aqui propostos... E não consigo amar menos... Quero dividir o que aprendi, quero dar, e tenho dedicado meu tempo e atenção incondicional a essa inglória tarefa... Se for possível ajudar um pouquinho mais será uma grande vitória para mim... Só isso... Tenho evidentemente muito para aprender, e sigo aprendendo, e suas indagações não poderiam ser mais estimulantes... Um forte abraço...

Carlos Sherman

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