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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Alguma coisa cheira mal na família Fox




"O espiritismo é fraude do princípio ao fim. É a maior impostura do século." (Katy Fox, uma das fundadoras do Espiritismo, in "The New York Herald", 10/10/1888).

As Irmãs Fox foram três mulheres que, nos Estados Unidos da América tiveram um importante papel na gênese do Moderno Espiritualismo Ocidental. As irmãs eram Katherine "Kate" Fox (1837–1892), Leah Fox (1814–1890) e Margaret "Maggie" Fox (1833–1893).

Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox, de origem canadense, instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, distante cerca de trinta quilômetros da cidade de Rochester. O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa Sra. Margareth Fox e de mais duas filhas: Kate, com 11 e Margareth, com 14 anos de idade. O casal possuía mais filhos e filhas. Entre estas, Leah, mais velha, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Sra. Fish, Sra. Brown e Sra. Underhill. Leah escreveria um livro, "The Missing Link" (New York, 1885), no qual faz referência às supostas faculdades paranormais de seus ancestrais.


Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville.



A fonte mais conhecida e divulgada sobre o ocorrido em Hydesville é o depoimento da Sra. Margareth Fox que consta no livro História do Espiritismo de Arthur Conan Doyle:


"Na noite da primeira perturbação, todos nos levantamos, acendemos uma vela e procuramos pela casa inteira, enquanto o barulho continuava e era ouvido quase que no mesmo lugar. Conquanto não muito alto, produzia um certo movimento nas camas e cadeiras a ponto de notarmos quando deitadas. Era um movimento em trêmulo, mais que um abalo súbito. Podíamos perceber o abalo quando de pé no solo. Nessa noite continuou até que dormimos. Eu não dormi até quase meia-noite. Os rumores eram ouvidos por quase toda a casa. Meu marido ficou à espera, fora da porta, enquanto eu me achava do lado de dentro, e as batidas vieram da porta que estava entre nós. Ouvimos passos na copa, e descendo a escada; não podíamos repousar, então conclui que a casa deveria estar assombrada por um Espírito infeliz e sem repouso. Muitas vezes tinha ouvido falar desses casos, mas nunca tinha testemunhado qualquer coisa no gênero, que não levasse para o mesmo terreno."



Agora se observava mesmo uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também fenômenos mediúnicos. Em pouco tempo, começaram a ser observados no seio de outras famílias. Como consta no livro História do Espiritismo:


"Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Reverendo A. H. Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois a Sra. Sarah A. Tamlin e a Sra. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (...)."




Ao fim da década de 1880, Kate e Maggie haviam se desentendido com Leah que, denunciando o alcoolismo das primeiras, conseguiu retirar a guarda dos filhos de Kate. As irmãs mais novas então, decididas a macular a imagem da mais velha, optaram por contar toda a verdade, salientando a manipulação que sofreram quando crianças promovida por Leah.


Inicialmente no The New York Herald de 24 de setembro de 1888, Margaret publicou longa crítica ao Espiritualismo e culpou Leah pela manipulação de tudo o que se passava.


No mês seguinte, diante de uma platéia da Academia de Música de Nova Iorque, e com a sua irmã Kate dando-lhe apoio, Maggie confessou que fraudava os fenômenos de alegadas comunicações com os espíritos:


"Eu estou aqui hoje como uma das fundadoras do Espiritualismo, para denunciá-lo como uma falsidade absoluta do começo ao fim, como a mais frívola das superstições, a blasfêmia mais perversa conhecida no mundo."


A seguir a essa declaração, tirou o seu sapato direito e demonstrou a sua técnica de bater com o dedo maior do pé, reproduzindo o som que era observado em suas apresentações.


No mesmo periódico, em 10 de outubro de 1888, foi a vez de Kate confessar:


"O espiritualismo é fraude do princípio ao fim. É a major impostura do século. Não sei se ela já lhe disse isso, mas Maggie e eu começamos quando éramos crianças muito pequeninas, pequenas e inocentes demais para compreendermos o que fazíamos. Nossa irmã Leah contava vinte e três anos mais que nós, Iniciadas no caminho do engano e encorajadas a isso, continuamos, é claro. Outros, com bastante idade para se envergonharem de tal infâmia, apresentaram-nos ao mundo. Minha irmã Leah publicou um livro intitulado O Elo que faltava ao Espiritualismo. Pretende contar a verdadeira história do movimento, tanto quanto se originou conosco. Ora, só há no livro falsidade do início ao fim. Salvo o fato de que foi Horace Greeley que me educou. O restante é uma cadeia de mentiras."


Quando perguntada sobre às manifestações de Hydesville em 1848 e aos ossos encontrados na adega, respondeu: 


"Tudo fraude, sem exceção, contudo, Maggíe e eu somos as fundadoras do espiritualismo!"


E continuou:


"Debaixo do nome dessa terrível, horrorosa hipocrisia — o espiritualismo — tudo que há de impróprio, mau e imoral é praticado. Vão tão longes a ponto de terem o que chamam 'filhos espirituais'! Pretendem algo como a Imaculada Conceição! Coisa alguma poderia ser mais blasfematória, mais nojenta, mais altamente fraudulenta! Em Londres, fui disfarçada, a uma sessão privada em casa de um homem rico. Vi uma chamada 'materialização'. O efeito foi obtido por meio de papel luminoso cujo brilho se refletia sobre o refletor. A figura assim exibida era a de uma mulher – virtualmente um nu; envolvia-a uma gaze transparente. O rosto apenas se achava oculto. Era essa uma das sessões a que são admitidos alguns amigos privilegiados, não 'crentes', de espíritas 'crentes há, porém, outras sessões a que só são admitidos os mais provados e fiéis; aí ocorrem as coisas mais vergonhosas, que rivalizam com as saturnálias secretas dos antigos romanos. Não posso descrever-lhe essas coisas, porque não ousaria."


Maggie confirmou no New York World de 21 de outubro de 1888:


"Minha irmã Katie foi a primeira a descobrir que por esfregar os dedos podia produzir certo ruído com as juntas e que o mesmo efeito podia ser produzido com os artelhos. Descobrindo que podíamos criar ruídos com nossos pés - primeiro com um pé, depois com ambos - praticamos até poder fazer isso com facilidade quando a sala estava às escuras. Ninguém suspeitava de que fosse um truque nosso pois éramos crianças ainda tão novas... todos os vizinhos julgavam que havia algo, e desejaram descobrir do que se tratava. Estavam convencidos de que alguém havia sido assassinado na casa. Perguntaram-nos a respeito, e praticávamos as pancadas, sendo uma para "sim", três para "não", como passamos fazer daí por diante. Nada sabíamos sobre espiritualismo então. O assassinato, concluíram, devia ter sido cometido na casa. Finalmente, encontraram um homem chamado Bell e disseram que o pobre inocente havia cometido um assassinato na casa, e que aqueles sons procediam dos espíritos das pessoas assassinadas. O pobre Bell passou a ser evitado e visto como assassino por toda a comunidade. No que tange a espíritos, nem eu nem minha irmã pensávamos a respeito disso... Tenho visto tanto engano danoso que estou disposta a prestar assistência o quanto puder e positivamente declarar que o espiritualismo é uma fraude da pior descrição. Faço isso perante Deus, e minha idéia é denunciá-lo... Estou convicta de que esta declaração, partindo solenemente de mim, a primeira e mais bem sucedida nesse engano, romperá a força do rápido crescimento do espiritialismo e comprovará ser tudo uma fraude, hipocrisia e engano."



Fontes variadas: Wikipedia






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