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quinta-feira, 26 de abril de 2012

História e Preconceito




Sempre que ouço um suposto ativista do movimento de emancipação negra alegando que a sociedade teria uma dívida secular para com eles por conta do tráfico de escravos africanos, a impressão que me dá é a de que o sujeito está cuspindo nos negros, insinuando que todos os problemas deles ficaram lá atrás nos livros de História. Ora a plena cidadania a que os negros têm direito não decorre de uma suposta "dívida histórica" da sociedade para com eles, mas do simples fato de serem GENTE! Decorre do simples fato de que todos nós somos cidadãos plenos, independentemente de cor da pele. Desviar o foco de discussão do racismo PRESENTE para uma leitura maniqueísta e ideológica da História é inútil e covarde. É muita prepotência querer corrigir injustiças históricas; se conseguirmos consertar as do presente já estará de muito bom tamanho. Paremos com essa masturbação mental babaca, irrelevante e cruel sobre nosso passado colonial violento - que aliás era violento para todo mundo. 

Sustentar a defesa da igualdade em "reparação histórica" é temerário, pois trata-se de uma base frágil que pode ser facilmente detonada por releituras e dados estatísticos contraditórios. Só para citar um exemplo, Minas Gerais tinha no século 18 uma população de 60 mil brancos (incluindo homens, mulheres e crianças) e tinha também uma população recenseada de 95 mil proprietários de escravos, donde se deduz que nem todos os donos de escravos eram brancos. De fato 50% deles eram negros e pardos: neste mesmo século 45% das residências de famílias negras em Sabará-MG eram atendidas por escravos. O mito do "anjo negro contra o demônio branco" não passa de um mito. Tão falacioso quanto o de que os europeus teriam migrado para as Américas saltitando serelepes: boa parte dos brasileiros são descendentes de árabes e judeus expulsos da Península Ibérica por intolerantes fanáticos cristãos. Chegaram aqui degradados, perseguidos, sem um único vintém. Vamos exigir agora reparação dos descendentes dos portugueses que supostamente fizeram isso com nossos supostos antepassados? De reparação em reparação secular isso não vai parar nunca! Concentremo-nos no combate ao preconceito do PRESENTE e deixemos os livros de História descansar em paz.


O que mais me choca é a incapacidade das pessoas em interpretar até mesmo textos oficiais simples. Eu me lembro do meu tempo de escola, quando li no texto-base de História que, após um longo movimento abolicionista, finalmente a 12/05/1888 a Câmara de Deputados (com apenas 9 votos contrários) aprovou a Lei Áurea, que revogava definitivamente a escravidão no Brasil, libertando os 600 mil escravos que ainda restavam no país (6% da população brasileira, sendo que um século antes os cativos eram 50%). No dia seguinte a lei foi sancionada também pelo Senado e pela Princesa Isabel (que assinava pelo Executivo enquanto seu pai viajava pela Europa). Conclusão do texto: foi a Princesa Isabel que libertou os escravos! Putz, eu lia e relia o texto e não conseguia chegar a essa conclusão “brilhante”. Percebi então que se não conseguimos compreender sequer um texto didático curto, jamais poderemos acomodar contraditórios no currículo escolar.

Alan Ferreira

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