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domingo, 1 de abril de 2012

A velha inversão do ônus da prova...




Discutir divindades ou qualquer outra proposição sem absolutamente nenhuma evidência em mãos é a pura inversão do ônus da prova, e perda de tempo... Não se pode provar a inexistência do que não existe... Trata-se de falácia retórica e lógica... Devemos investigar o que possa ser investigado... Não podemos negar a existência o grande Jujú da Montanha, senhor dos mundos... Não podemos negar a existência do unicórnio cor de rosa... E por que não? Por que não podemos provar a sua 'inexistência'... Mas isso subverte o ônus da prova... Falácia retórica e lógica..

Quem diz que deuses existem ou gnomos existem, deve trazer evidências e provas, caso contrário será pura verbosidade vazia... Bem diferente de um calhamaço irremediável de provas acachapantes, incríveis, com precisão, repetibilidade, entendimento detalhado... Todos os dias, milhões de cientistas desenvolvem a ciência que salva vidas, põe satélites em órbita, e desengana os planos apocalípticos de deus e seus seguidores... Não existe absolutamente nada que una estas duas ATITUDES diante da vida... NADA... 

E por diversos comentários publicados previamente, percebo que lhes falta pleno entendimento do que seja ciência, pois confundem extra-terrestres, incas, aztecas, com ciência... Isso é crença, como o deus de Abraão... Tudo isso decorre de uma linhagem de asneiras incomparáveis... De Platão a Tomás de Aquino, passando por Aristóteles, Descartes e Santo Agostinho... E ainda relacionam o crente Descartes, com ciência e materialismo, sendo que ele 'pregava' - nomoteticamente - o conceito vazio de alma... 


Aristóteles pensava que o cérebro estava no lugar do coração, e que onde está o cérebro funcionava uma espécia de 'radiador' para esfriar o sangue, sendo um lado do corpo mais frio que o outro, rsrsrs... Platão considerava a mulher resultado do declínio da criação perfeita, o homem... A escravatura era justificável na visão de ambos... Agostinho inventou e cunhou o conceito de pecado original, sexualizando um ato claro de desafio e desacato da autoridade divina, mas apenas em relação ao conhecimento - ou discernimento - entre o que é 'bom e mal'... Só isso... 

Todo este mal entendido sobrevive, porque esta história da ignorância humana foi contata pelos vitoriosos... Pelos cristãos... E o verdadeiro salvador do cristianismo foi Costantino... Bastaria ter escutado a Aristarco, que posicionava a Terra em seu lugar, em órbita do Sol, tendo calculado com significativa precisão as distâncias relativas entre a Terra e o Sol, entre a Terra e a Lua... Bastaria ter escutado a Hipócrates, pai da medicina, que confrontava a tentativa de desprezar o corpo valioso, em prol de uma alma inexistente... Epicuro, Demócrito, Leucipo... Temos fragmentos de Leucipo, cuja obra foi perdida na sandice cristã de destruir bibliotecas, queimar e proibir livros... Mas temos 2.000 páginas de asneiras platônicas, e muito mais ainda de Aristóteles, que se meteu a divagar em todas as áreas... Tudo este acervo, seria suficiente para muitos volumes de uma enciclopédia de besteiras e equívocos... 25 séculos de ignorância em uma discussão que adentra 2012... 

Mas a tendência a permanecer no bando, reconfirmando tradições, ou mesmo aferrado a meras explicações simplistas é genética... Não se trata de determinação, mas de forte impulsão... O psicólogo Thomas Bouchard estudou o fundamentalismo religioso, analisando um extenso e representativo grupo de gêmeos idênticos (monozigóticos ou univitelinos) e fraternos (dizigóticos, bivitelinos ou multivitelinos), em ambos os casos criados separadamente... Bouchard encontrou a incrível correlação de 62% de afinidade religiosa para os gêmeos idênticos, e apenas 2% para gêmeos fraternos... 

Em seguida Bouchard encontrou resultados similares entre gêmeos idênticos e fraternos, só que desta vez criados juntos, mostrando que a propensão de crer tem forte impulsão genética... O estudo persistiu analisando a conduta política, encontrando 69% de correlação para gêmeos idênticos criados separadamente, e quase nenhuma correlação para gêmeos fraternos também criados separadamente. Foi então elaborado um questionário abordando questões relacionadas com o moralismo, imigrantes, pena de morte, pornografia, aborto, união homoafetiva; obtendo mais uma vez uma correlação espantosa de 62% para os gêmeos idênticos, contra apenas 21% para gêmeos fraternos, em ambos os casos criados separadamente... Os mesmos resultados foram encontrados em um estudo semelhante na Austrália...

Bouchard não está buscando notoriedade fácil provando que existe um gene para deus, ou um gene para a religião... Nem está eliminando a importância do ambiente e o aprendizado sobre o comportamento humano... Estamos entendendo aqui, que o caráter obsessivo ou o fervor tem forte impulsão genética, enquanto a a agremiação religiosa ou crença em particular, será decorrente da cultura... Uma forte tendência à crença pode ter predominância genética, enquanto o objeto da devoção será influenciado pela cultura...

Seria absurdo dizer que os italianos são majoritariamente católicos, os iranianos são majoritariamente muçulmanos, os mexicanos são devotos da virgem de Guadalupe, os brasileiros são cristãos, e os indianos seguem a Krishna por desígnio genético... Mas mesmo uma atividade tão prototipicamente ‘cultural’ como a religião tem um relevante impacto genético que não pode ser ignorado...

Isso não nos remete somente às crenças, mas à proteção do grupo, de forma mais ampla, prevenindo-nos do medo da mudança, do medo de deixar nossa zona de conforto, o conforto dos fenômenos causais, simples ou simplistas... A força da tradição, escondendo a nossa insegurança, ou a incapacidade de lidar com o risco, aventurando-se em investigações científicas, ou mesmo perambulando pela vanguarda do pensamento... Podemos estar entendo aqui, e em muitos estudos similares, que estamos mais ou menos suscetíveis à superstição pela genética... Isso não denota determinação e sim propensão...

Podemos estar encontrando as raízes de nossa propensão à segurança, permanecendo no rebanho, minimizando o risco do novo, cedendo ao apelo fácil da tradição, acolhendo de forma irracional as mensagens da bonança fácil – no porvir - e da vida eterna... Gradativamente as culturas mais desenvolvidas, em termos de solidariedade e instrução científica, estão encontrando abrigo para os mesmos velhos temores em novas respostas... A nossa genética não foi modificada, e continuamos suscetíveis ao medo, e programados para sobreviver, mas estamos adotando novas estratégias... Os nossos antepassados sacrificaram pessoas e animais, e hoje glorificamos aos deuses de forma menos violenta e portanto mais civilizada... Amanhã, poderemos prescindir de deuses e da ‘crença na crença’, lutando de forma ativa e organizada pela vida humana, e sendo mais efetivos em coibir a mortalidade infantil, ampliando o tempo e a qualidade de nossa vida, e diminuindo o sofrimento de quem encontra a morte... 


Aprenderemos a encarar a inevitável chegada da morte com dignidade, humana, demasiado humana...

Carlos Sherman


P.S.: 

Rsrsrs, Fábio, isso é básico... Não se pode provar a inexistência do que não existe... O que não existe cria a possibilidade infinita de subterfúgios... Você quer discutir questões complexas, mas desconhece questões lógicas de base... Repito, o ônus da prova é de quem faz a proposição... E se não tem evidências e provas, não existe porque acolher tal proposição... É uma questão prática, simples... 

Numa boa, digo a você, sem arrogância, mas com muita sinceridade, e sendo direto, que você não percebe o quanto precisa aprender para empreender este tipo de discussão... Não percebe... Fábio, tudo isso é patético... Você não tem condições de escrever sobre este tema, por carecer das bases e premissas necessárias... Entenda isso... Aprenda primeiro antes de ocupar o palanque... Não me refiro e aprender comigo... Aprenda com todos, e fora deste modesto grupo... Está confundindo tudo, em um papel que só você não enxerga, em sua tentativa de tornar uma discussão sobre conhecimento em uma batalha entre crentes e ateus... Você é a pessoa mais despreparada que pude assistir tentando empreender discussões nesse nível... Parafraseando Sagan você pode rezar pela cura da cólera ou ministrar 500 miligramas de tetraciclina a cada 12 horas... A microbiologia 'evolucionista', elevou o a nossa expectativa de vida de 30 para 70, 80 anos... O que quer discutir mais? A taxa de mortalidade despencou mais de 10 vezes... 

O oba-oba das crendices é bem mais acessível... O ceticismo e o conhecimento complexo são bem mais difíceis de assimilar... Mas certas questões não são objeto da 'achologia' ou de análises simplistas... São objeto da ciência, dos detalhes, da profundidade da análise microscópica ou astronômica... É muito mais fácil sair por aí pulando de galho em galho, em crendices, do que performar uma avaliação sóbria e equilibrada; e ainda assim, alimentada com profundo conhecimento e EVIDÊNCIAS...

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