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domingo, 13 de maio de 2012

Vitam et mortem






O Perce Polegatto publicou esta reflexão do biólogo Cleber Polegatto:

A morte, sob o ponto de vista científico, biológico, celular, molecular, é aceita como natural, é o final da programação celular e embrionária que resultou em desenvolvimento-reprodução, correspondendo ao final das necessidades do indivíduo que são apenas estas. Leis naturais pré-existentes numa não-vida possibilitaram a vida, com outras propriedades, sendo um acaso na história das moléculas, especialmente as moléculas chamadas orgânicas (basicamente tudo é inorgânico). A morte é parte do todo, do ciclo, mas não um conceito concreto e palpável, já que ela não difere do que havia antes e haverá depois, sob o nível das mesmas condições naturais. Queremos apenas dar forma e nome a algo que não tem forma e às coisas que advêm disso, dar forma a nossa criação de um conceito. O próprio confronto com o temor da morte e a espera do que vem com ela seriam bastante diferentes para lidarmos, se nos lembrássemos disso.

Comentei:


Interessante reflexão sobre a vida e a morte, reduzidas à escala molecular - atômica... O problema da morte está relacionado com a morte da consciência do individuo, que por suas vez está formado por um complexo aglomerado molecular... A consciência, que decorre da biologia celular, está conformada pelos passos genéticos, neurofisiológicos, pelas experiências, memórias et cetera, e cria esta sensação rara de abstrair a existência... E cá entre nós, é uma deliciosa sensação, rsrsrsrs... A morte desagrega esta consciência, e ponto final... Nossas moléculas e átomos, vieram da não consciência, e seguirão algum curso... 


Dizer que somos - em última análise - inorgânicos, mesmo que de forma desnecessariamente reducionista - apenas neste caso, rsrsrs -, não deixa de ser verdade... Mas existem os domínios 'virtuais' ou taxonômicos da química orgânica, e sobretudo os domínios da vida... O domínio da vida pode ser atrelado aos domínios da Citologia... E daí evoluímos para vidas com sistemas neurais, e aí chegamos em nós... Nós, que encaramos a possibilidade de perder tal consciência neural, e podemos conjecturar tudo isso sobre a vida... Linda saga, a saga humana!!! Sem direito a subterfúgios sobre a vida eterna, alma e outras baboseiras... Mortais, no sentido da morte neural, depois citológica... Mortais e cientes... 


Prefiro então, já que aceito a finitude de minha consciência, e sem escapatória, celebrar o hiato de minha inexistência, nos termos aqui propostos... E considerando maravilhosa e rara, assim como única, a possibilidade de vivenciar semelhante debate de ideias em tão elevado nível com vocês... Obrigado Perce Polegatto, obrigado Cleber Polegatto...



Carlos Sherman

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