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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Crer ou não crer, heis a questão...



Thales, meu grande amigo e parceiro, acho que efetivamente existem técnicas de lavagem cerebral e hipnose na doutrinação religiosa... Mas evidentemente a antiga crença de que o homem é produto do meio, ou que podemos moldar o homem, está completamente furada... Não obstante a força da genética ser crucial, a embriogênese e os imprintings - nas primeiras horas, dias, meses e anos - já denotariam uma certa interferência do meio, como marcas no cimento fresco da fisiologia... A nossa personalidade estará então à mercê da vida cultural e das religiões, mas dependendo diretamente de nossa neurofisiologia... 

Colocando a coisa em termos práticos, a tendência obsessiva vem de nossa natureza, mas se será convergida para a religião, para o jogo, ou para a música, isso dependerá do meio... O fervor é inato, a afiliação religiosa é cultural - judeu, cristão, islâmico, budista, taoista... 20% das pessoas são altamente hipnotizáveis, 20% não são de forma alguma, 60% dependem do hipnotizador e das condições para a hipnose... Ou seja, seremos mais ou menos suscetíveis à hipnose dos algozes do púlpito e a eficácia de suas técnicas, em razão direta com a nossa tendência natural a sermos hipnotizados... Isso se explica no Córtex, em nossa rotina de supervisão de 'absurdos', onde uns estarão mais ou menos dotados de rigor nesta supervisão; involuntariamente... A religião trabalha aí, assim como as superstições em geral... 

A tendência a permanecer no grupo, a seguir um líder, são volições inatas... nem todos seremos líderes, e existem moderadores evolutivos para tal... Nem todos seremos destemidos... Crentes não são conscientes disso, e mesmo que fossem ainda dependeriam de outras habilidades naturais para virar o jogo... E de muita paciência e ajuda... Sem garantia de sucesso... Temer pode estar em sua natureza... 

Os algozes do púlpito também estão atuando de acordo com a sua natureza ambiciosa e individual, inata... Valendo-se do recurso da religião ou batendo carteiras na rua, sua natureza - que pode até apresentar contornos de psicopatologia, ou a simples disfunção na produção de oxitocina e vasopressina - o conduz a atropelar seus semelhantes sem remorso... 

Todos vítimas de uma única verdade, 'somos quem somos sem intencionar sê-lo'... 

Muitos ditos ateus, valem-se inconscientemente, e por falta de estudo específico, a utilizar a própria falácia religiosa do 'livre arbítrio', para atacar crentes e algozes... Não é o caso de nenhum de nós neste debate, mas é bem comum... 

Evidentemente, o ceticismo conduzirá a mais acertos... Mas crença ou descrença não define caráter... Mas pode contribuir, e muito... Mas a personalidade subsistirá, crendo ou não... A personalidade contribuirá em buscar a proteção do grupo, e sucumbir ao medo, ou em aventurar-se por mares nunca antes navegados, e sem medo da verdade...

Ético, logo cético...


Carlos Sherman

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