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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ato de Fé...




Não existe nada de nobre na fé... 
Não existe nada de nobre 
Na insistente fuga da realidade, 
Pelo insistente caminho da submissão... 
A fé é a apologia do abandono da realidade 
Em favor de que qualquer ilusão oportuna
E/ou oportunista... 
Não existe nada de ‘irracional’ na fé, 
Embora exista algo de doentio... 
A fé não é irracional e sim ‘emocional’... 
Um ato estimulado pelo medo ou desespero,
Mas que transcorre em nosso sistema neural... 
Primeiro acreditamos, 
E depois buscamos razões para crer...
Primeiro nos submetemos,
Depois juntamos as armas... 
Você não está louco apenas porque crê, com fé,
Mas certamente precisa de ajuda... 
E obviamente, em seu delírio, 
Não está em condições de guiar a ninguém,
E nem a si próprio...
A fé entorpece ainda mais o entorpecido...
A fé, apesar de embalada para presente, 
E aludindo sempre à toda sorte de verbosidades, representa, de fato,
Um ato de profunda irresponsabilidade,
E flagrante inconsequência 
Para com a realidade, 
Para com a vida,
Para com os demais...
A fé nada explica, 
Mas afasta importantes questões... 
Fé é quando as respostas – prontas –
Precedem as perguntas... 
E não podemos ajudar 
A quem crê que tudo sabe 
E em função de um único livro,
Que ele nunca leu,
Mas que nada diz além de: submeta-se ou morra...
E não podemos acordar
A quem prefere continuar dormindo
O sono analgésico da crença 
Sob o efeito do placebo da fé,
E esperando trêmulo
Pelo juízo final... 
Esperando pela desforra 
Ou pela remissão de todo o medo... 
Triste destino...
A fé é instrumento valioso,
No velho negócio de
Incutir o medo
Para vender a salvação...

A fé insiste: submetam-se... 
E respondemos pensem... 
Ou procurem um médico... 
É sério, não fui irônico...

Carlos Sherman

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