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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Carta a Jean - Um Grande Homem




CARTA A JEAN – UM GRANDE HOMEM

Jean,

Tenho muito orgulho de ser representado por você... Particularmente - embora a vida íntima e pessoal não seja problema de ninguém -, sinto desejo sexual por mulheres, rsrsrsrs, e afeto por humanos nobres - como você... Você é um grande HOMEM, bem sucedido sim - e muitos o são -, mas a sua nobreza ecoa em outra esfera, a esfera rarefeita da ÉTICA... Por isso sempre digo:

Ético, logo cético...

Posso ser um valoroso aliado, gostaria de ser um bom amigo, e um humilde colaborador... Conte comigo, e siga em frente, a sua luta é a nossa luta... Gosto de pensar, como mero mortal, que o legado de meus atos seja maior do que a minha estória finita... Gosto de pensar que homens como nós serão paridos por outras gerações, até que estejam todos mais focados em aliviar o sofrimento humano, e viver de forma mais solidária, justa e REAL... Costumo dizer que a realidade é a droga mais poderosa - e maravilhosa - que existe, e não entendo porque as pessoas buscam drogas menores, como a cocaína, a religião, a crença no sobrenatural, o freudismo, o 'marxianismo', etc...

Buscamos testemunhas para a nossa existência, e por isso estamos cercados de amores, amigos, que vem e vão... Na realidade o que fazemos é reconhecer testemunhas, reconhecer amigos, companheiros de viagem... Pois eu testemunho a sua existência - ou como digo: o hiato de minha inexistência -, como 'humano, troppo umano'...

No debate com Malafaia – nome de vilão – lembrei-me de outra cena memorável da história, envolvendo um homem da sua estirpe, Thomas Huxley, contra o temido Bispo de Oxford Samuel Wilbeforce... Nas inigualáveis palavras de Carl Sagan:
"(...) o Bispo de Oxford, Samuel Wilbeforce, de dedos enfiados na lapela volta-se ostensivamente para Huxley e, com maliciosa cortesia, insiste em saber se 'é por parte do avô ou da avó que o senhor afirma descender de um macaco?' Ao detectar a entonação bajuladora dada à palavra 'avô', a assistência solta alguns 'oohhs' em voz baixa e concentra a atenção em Huxley. Ainda sentado, Huxley vira-se para o indivíduo que está ao lado dele e, quase sonolentamente, murmura 'o senhor entregou-o em minhas mãos.' Pondo-se de pé e fitando Wilbeforce nos olhos responde: 'Prefiro ser descendente de dois símios a ser um homem que tem medo de enfrentar a verdade.' (...)" (Sagan, 2009 - Sombras de Antepassados Esquecidos, editado apenas em Portugal)... Você está ao sentado ao lado destes homens... Homens que não temem a verdade jamais...

Ou podemos remeter ao julgamento de Galileu... E na verdade existem conhecimentos exatos, e que podem ser comprovados todos os dias, seja em Londres, em Quixeramobim, ou em Xangai, e por qualquer um... Trata-se do conhecimento científico... da atitude de ‘tomar ciência, de tornar-se ciente’, simplesmente para promover justiça... E existem 'propostas' subjetivas ou literárias... E neste espectro não se pode afirmar nada... E o que dizer da baboseira sobrenatural? Mas o problema aqui, é que a posição da Terra, como centro de um conciso sistema universal, foi tratada com a mesma liturgia que a virgindade da suposta mãe do suposto ‘salvador dos cristãos’... O Cardeal Belarmino, no julgamento de Galileu, bradou:

"Dizer que a Terra não estão no centro do universo, é o mesmo que dizer que Cristo não veio de uma virgem" - Cardeal Belarmino, Julgamento de Galileu

Um homem, a vida de um bom homem, estava na mão de tais sandices... Bom, Belarmino tinha razão, tratavam não só de uma, mais duas fábulas... E há um porém, antes que uns se aviltem em 'contextualizar' o assunto: Cerca de 2.000 anos antes deste triste capítulo a história da humanidade ter sido encenado, Aristarco de Samos havia concluído 'corretamente' que a Terra girava em torno do Sol... Tal 'conhecimento' não pôde inspirar as seguintes gerações porque os dogmas ou 'outros conhecimentos', foram mais rápidos, fortes e sorrateiros... Este é o perigo da relativização do conhecimento... Não obstante, a ciência, o ato de tomar ciência, trata o seu acervo de conhecimento com muito cuidado... Com honestidade empertigada, como a sua... Sendo você, pois, um homem de atitude científica... E esta atitude admite que suas 'verdades' estão sujeitas a um universo de aplicação, ao erro, e à revisão... E esta não uma fraqueza, e sim a sua maior fortaleza... O dogma não se renova, quebra, carcomido, débil, patético...

Perdoai-vos, Jean, eles não sabem o que dizem, estão todos 'acéfalos em cristo'... Crentes são vítimas, os estelionatários do púlpito, seus algozes... A fé nada explica, mas afasta importantes reflexões, e teima em impedir que as ilusões sejam convertidas em verdade e realidade... Fé é quando as respostas precedem as perguntas... O ato de fé é – em princípio – patológico...

Mas vamos nessa, não deixa barato, estamos todos com você...

Carlos Sherman

Um comentário:

  1. Parabéns Carlos! vc como sempre enaltecendo aqueles que lutam pela racionalidade, um defensor da razão, como o Jean que se empenha heroicamente e resiste bravamente naquele covil.

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