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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Q.E.D.




Q.E.D.

Filhota querida – sei que você não vai curtir este tratamento fofinho, mas é assim que vejo você, rsrsrs - adoramos receber os seus amigos, eles são demais... Secaram as minhas garrafas de Whisky, Tequila, e vomitaram na casa - mas pelo menos não vomitaram no Bono -, rsrsrs, mas são demais... Todos são 'super-mega-blaster-master-ultra-nec-plus', mas me lembro apenas do nome de alguns (Wada, Thiago, Heliane 'com H', Yasmin 'do Aladin', Jafér 'que gosta de moicano mas faz arquitetura e respeita o pai dele', e o Leo que na verdade é Kaleo), afinal eu também manguacei geral, rsrsrsrsrs... Mas mesmo tendo bebido, não foi o bastante para perder o rumo celestial... Explico, fui informado por um colega de vocês que o 'Geocentrismo', ou seja, a ideia estapafúrdia de que "a Terra está fixa no centro da Estrutura do Universo”, ainda está de moda, mesmo entre estudantes pré-vestibulandos em pleno século XXI... Aliás, a batalha do ‘vestiba’ já começou, então boa sorte moçada...

Tal tolice – o Geocentrismo - esteve em moda na Antiguidade Clássica, e decorre dos autoritários postulados aristotélicos, que redundaram na 'cambiarra clássica' do modelo ptolomaico, e a posteriori foram regatados pelo 'Santo Ofício' - que de santo não tinha nada -, através das manobras sofismáticas de Santo Agostinho, e depois pelas hábeis manobras do Doutor Angélicus - São Tomás de Aquino, mais conhecido pelos seus pares secundaristas pela alcunha de ‘o boi mudo’ -; para justificar as ideias igualmente estapafúrdias sobre a 'criação bíblica'... Vide Gênesis 1, em particular, leia sobre a 'criação' da Terra, do planeta Terra, no primeiro dia da ‘Criação’ [No princípio criou Deus os céus e a terra. - Gênesis 1:1], para a posterior 'criação dos dois lumiares', Sol e Lua, e somente no quarto dia [E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. - Gênesis 1:14-16]...

Bom, teremos alguns problemas para criar o Sol depois da Terra, causando inúmeros transtornos, e isso assassina de um só golpe a Física, a Química e a Astronomia - e ciências correlatas... Afinal, somente para elucidar um aspecto desta besteira episcopal, todos os elementos químicos constituintes do seu corpo, do seu cérebro, e de tudo o que te cerca, provém de estrelas - em particular desta estrela chamada Sol -, a partir da fusão do Hidrogênio em elementos mais pesados, e originando todos os elementos da Tabela Periódica... Mas pior do que isso é chamar o pálido reflexo da Lua de 'lumiar'... E ainda dizer que a Lua ‘governa a noite’, em flagrante desconhecimento do movimento de rotação da Terra... Aliás a Terra gira em torno de seu próprio eixo imaginário, a cerca de 1.600 km/h... Isso sem contar que Sol e Lua recebem basicamente o mesmo status, sendo o Sol um milhão de vezes maior que a Terra, e sendo a Lua um mero satélite da Terra... Ainda temos o 'Universo', todas as 10^23 estrelas que compõe o Universo, e que foram criadas somente no happy hour do quarto dia... Dose para elefante... Aliás galera, põe aí uma dose dupla... Dupla não, tripla...

Mas vale notar que enquanto Aristóteles escrevia uma enciclopédia de asneiras, em várias áreas, postulando coisas como ‘o lado direito do corpo é mais quente que o esquerdo, e isso por que o sangue é refrigerado pelo cérebro, uma espécie de radiador, ou dizia que o pensávamos com o coração – um musculo, que na verdade faz o papel de bombear o sangue; Hipócrates pensava diferente... Isso porque Hipócrates, o pai da medicina, não desejava vencer pela autoridade, nem pela eloquência... Ele estava desejo de ‘tomar ciência’ das coisas, ou ‘tornar-se ciente... Esta é a atitude científica... E ética... Por isso sempre digo, ‘Ético, logo Cético’... Mas na astronomia, par e passo com as asneiras aristotélicas, estava Aristarco, que pela observação livre, havia concluído que a Terra ‘orbitava’ o Sol, e não o contrário... Precisamos de quase 2.000 anos para que Copérnico recuperasse este estudo, considerado herético pela Igreja, e publicasse sua Magnum opus: De Revolutionibus Orbium Coelestium... Tal obra foi parar evidentemente, no Index Católico, um livrinho negro para obras heréticas... Rheticus, discípulo de Copérnico publica a obra em 1543, em Nuremberg... Galileu beberá desta fonte, para publicar: Sidereus Nuncius (O Mensageiro Sideral)... Tratava-se de 24 páginas escrito em latim, e publicado em Veneza em Março de 1610... Esta publicação é considerada a origem da moderna astronomia e provocou o colapso da teoria geocêntrica... Isso no início do século XVII, e os caras até hoje não entenderam o recado...

Mas o pomo da discórdia aqui não é a lenda bíblica, nem a ignorância aristotélica, e sim a insistência de jovens em 2012, gozando de plena saúde e inteligência, afirmando que ‘nada podemos dizer sobre as posições relativas entre o Sol e a Terra’... Hum... Tal atitude está em ‘perfeita sintonia’ com movimentos cristãos, normalmente ligados à Igreja Católica - afinal pentecostais e neo-pentecostais, nem sabem o que é movimento relativo -, dedicados a ressuscitar o Geocentrismo... Movimentos do tipo: “Galileo was wrong: the Church was right”... Sintam o drama!!! Isso é bem grave... Pode parecer piada, mas não é... Aliás, na minha visão, mais parece um filme de terror... Tal 'conferência' ocorreu em 06 de Novembro de 2010 em Notre Dame, Indiana, Estados Unidos... Em resumo, uma conferência católica para defender um princípio fundamentalista católico, com uma pomposa e arrogante chamada, mas que remete à velha e carcomida 'inerrância' do dogma escritural e da instituição católica em geral... “Autoridades” e “cientistas católicos" - uma contradição em si - foram convocados para 'palestrar' - ou pregar... Exageravam no currículo e nos “dotes” destas supostas “autoridades”, destes supostos “cientistas católicos”, alardeando uma nova revolução: o Neo-Geocentrismo... Rsrsrsrsrs, ai ai... Mas parece uma Congresso de Stand Up Comedy, rrsrsrs...

Dá para imaginar a qualidade dos critérios “científicos” e a credibilidade das ditas “evidências” alegadas para o Geocentrismo??? A começar pela “bíblia”??? Isso em 2012, às vésperas do fim do mundo, rsrsrsrs, pelo menos no preguiçoso calendário Maya; ou de acordo com a palhaçada do ‘perfeito alinhamento cósmico’... Mas notem, realmente assistiremos a um alinhamento ‘perfeito’ entre a Terra, o Sol, e o Centro da Via-Lactea... Uau!!! Sim, é verdade, consultem os mapas astronômicos... Mas os ‘conspiracionistas’ do apocalipse só omitiram um pequeno detalhe: todos os anos isso ocorre, no mesmo dia, da mesma forma... A coincidência com ‘20 do 12’ e 2012, é meramente simbólica, posto que 2012 é um marco espúrio, de um calendário espúrio, 12 meses é espúrio, 20 dias é espúrio... São meras convenções, e nada tem de ‘universal’... São terrenas, romanas, acochambradas... A menos que você tenha um amiguinho imaginário chamado Deus, cujo filho nasceu a 2012 anos, e então: Bummmmm, o mundo acabou... Mas na realidade o planeta existe a cerca 4,7 bilhões de anos, e já não se fala em AC (Antes de Cristo), DC (Depois de Cristo) - com exceção de uma tremenda banda de rock, o AC/DC... Hoje nos referimos aos tempos idos como AEC - antes da era comum... E aceitamos a referência romana, católica romana, só pra não encher o saco de mais ninguém... Aliás, eu que já estive em outros finais dos tempos – 3 ou 4 vezes -, posso dizer de cátedra: não será agora, aliás, não veremos este espetáculo, jamais...  Mas os adventistas, aqueles do ‘advento do fim do mundo’ que furou feio, podem ajudar, afinal estão falando em um novo fim do mundo, mas desta vez eles não tem a coragem – ou cara de pau – de dizer a data...

Mas com tantos satélites em órbita da Terra, com sondas em Marte, Saturno, com a Voyager 2, o Hubble, com o CERN, etc e tal; por que tais pessoas, incluindo um 'doutor em Relatividade Geral' - o que prova que qualquer um pode ser doutor em qualquer coisa -, participam de eventos como este? Perdendo um precioso tempo de suas vidas finitas, fazendo este papel ridículo, e insistindo em uma colossal asneira - fruto da ignorância e dos miolos fritos pelo sol do deserto de uns, que se tornou uma mentira nefasta nas mãos de outros -, e que está em flagrante desacordo com nada mais nada menos do que a REALIDADE? Mas este é outro assunto, que remete à Neurofisiologia, à Genética, à Etologia, e à 'memética' - ou os genes da Cultura... Trata-se da 'crença na crença'...

Não estamos falando apenas da crença em besteiras como o Geocentrismo, mas também em crenças não tão evidentes como 'marxianismo' - assim mesmo, uma criação minha: a fusão do fanatismo 'marxista' com supostos seres fantasiosos provenientes de Marte... A perigosa crença na seita da psicanálise - marca registrada do ‘freudismo’, ou ‘fraudismo’, tanto faz, rsrsrsr... Crenças em geral como feminismo, 'paulocoelhismo', ETs, cristianismo, judaísmo, islamismo, espiritismo, florais, homeopatia, astrologia, tarô, numerologia, a crença no Grande Jujú da Montanha, Mitra, Isis, Osíris, Hórus, Thor, Krishna, em mau-olhado, macumba, enfim, em todo tipo de superstição... A 'crença na crença' acomete pessoas mais ou menos inteligentes, e mais ou menos cultas... Trata-se de um ‘bug’, ou uma característica neural evolutiva, uma tendência a cometer falsos positivos - ou seja, identificar um padrão onde não há nada, onde não existe correlação, nem de causa e efeito, nem de nada...

A inteligência, em minha opinião, pode ser simplificada como a medida de nossa capacidade em reconhecer padrões; sejam eles emocionais, lógico-matemáticos, espaciais, cinestésicos – movimento -, etc ... Mas podemos ser enganados por nossa afinidade por fenômenos causais de primeira ordem - causa e efeito simples, onde um efeito decorre direta e inequivocamente de uma causa, e pronto... Em geral, não estamos treinados para conviver com fenômenos probabilísticos, ou com sistemas multi-variáveis, complexos ou caóticos... E aí começa o problema... Sempre que pego um táxi, reparo na deixa para iniciar uma conversinha que todo taxista gosta de usar: 'pô, o clima tá louco'... E com simpatia costumo responder dizendo que 'o clima não está louco, o clima é louco'... A troposfera é um sistema caótico, e que aprendemos a modelar recentemente... Depois vem o velho esquema das religiões, a citar:

Incutir o medo para vender a salvação...

E muita gente boa sucumbe neste ponto... E finalmente existem problemas neurofisiológicos, com destaque para problemas nos lobos temporais - relacionados com a epilepsia... A epilepsia em 80% dos casos não apresenta convulsões, e acaba sendo diagnosticada quando o cidadão começa a sentir-se enviado por deus, quando começa a falar em extra-terrestres, e no sobrenatural em geral, e de forma exagerada, obcecada... Neste caso, a família acaba conduzindo o 'viajandão' para o 'Chico Louco', rsrsrsrs, e aí fodeu, rsrsrsrsrs... Brincadeira... Mas se a família é muito humilde, ou sem instrução, o cidadão pode até fazer sucesso como em uma certa família de Uberada – rsrsrs -, e tornar-se médium famoso, ressuscitando no Brasil, uma crença enterrada na Europa: o espiritismo... Chico Xavier curou o câncer, a tuberculoso, mas não foi capaz de curar a própria calvície... Ok, ele era um espírito evoluído, mas então porque tanta vaidade, porque um espírito evoluído usaria perucas... Mas o caso de Chico era uma rara mistura de problemas neurofisiológicos – ele foi diagnosticado epilético -, generosidade, e a participação em uma quadrilha... Se pudesse resumir o fenômeno em apenas uma observação, diria:

Fazer o bem sem enganar a quem...

Quando a epilepsia provoca convulsões, quase sempre é seguida por relatos de experiências místicas... Neurocientistas podem provocar as mesmas ‘experiências’ com um capacete magnético, e excitando o ponto correto no cérebro... O córtex cingulado e a parte anterior dos lobos frontais – responsável pelo filtro entre fantasia e realidade – também podem contribuir para transformar ilusões em uma aparente leitura da ‘realidade’... Em casos mais complexos, como na Esquizofrenia, tais ilusões podem chegar às raias da loucura, onde fantasia e realidade se confundem sem prévio aviso e sem hora para acabar...

Mas voltando à ‘conferência científica católica’, à festa, e ao Geocentrismo, o que a ‘Ciência’ de verdade pode dizer nos dizer sobre isso? Costumo notar em meus debates, que uma ideia imbecil defendida com aparente racionalidade, não deixa de ser imbecil... E este parece ser o caso... Argumentos aparentemente racionais são utilizados para tentar provar teses absolutamente irracionais... Evidentemente para provar que ‘1+1’ é igual a ‘17’, precisaremos de mais do que bons argumentos, precisamos de um TRUQUE... Um tremendo truque... O mesmo truque utilizado pelos 'conferencistas geocêntricos'... Gostaria de lembrar aqui, da célebre frase do Cardeal Belarmino, o acusador de Galileu, uma espécie de promotor da Santa Sé do julgamento de Galileu:

"Negar que a Terra está no centro do Universo é o mesmo que negar que Cristo tenha vindo de uma virgem"...

Imagino que quem defenda o Geocentrismo também aposte na ‘virgindade’ de Maria, possuída pelo ‘espírito santo’, rsrsrsrs... Posso assegurar que o Universo não se importa com a Terra, e não gira em torno dela... E finalmente, sobre Maria, detesto este tipo de fuxico... Mas ela deve ter tido suas razões para inventar esta estorinha... Vocês sabem, uma cultura caretíssima, casada com um coroa, pintou um garotão e - rsrsrsrs - rolou... Não tinha camisinha, nem pílula, e nasceu o tal Jesus Cristo; que depois saiu por aí viajando geral na maionese, e somente depois de morto foi ‘ressuscitado’ por um tal de Paulo, cobrador de impostos, e a posteriori quando tal crendice se tornou hegemônica no império romano, pela astúcia do imperador Constantino, passou a ser seguido por muitos, que além de não terem lido o que ‘dizem que ele disse’, nem sequer estão interessados em saber ‘se ele disse mesmo’... E mais, não se importam com contradições do tipo ‘se agredidos deem a outra face’, mas ‘no final eu vejo para matar a todos os descrentes’... Na verdade então, Jesus virá no Apocalipse como o senhor da guerra, para passar geral, e finalmente mostrar ‘a verdadeira face’... Pensem nisso, ou somente pensem... E leiam a bíblia, rsrsrsrs...

Mas deixando a sandice do personagem cristão e virgindade de sua mãe pra lá, o que importa é que a Terra, segundo o  modelo aristotélico, e as 'Sagradas Escrituras', está fixa, e bem no meio de TUDO... Bem no meio do Universo... Na verdade eles não entendiam bem o conceito de Universo, e tanto é que queimaram Giordano Bruno, por vislumbrar esta realidade, mas este á outra estória dentro da História... O argumento aparentemente racional, utilizado pela tal conferência católica, e também apresentado por um dentre vossos devotos colegas - bem no meio da manguaça -, remete sorrateira e ardilosamente à Relatividade Especial, afinal:

‘Todo movimento uniforme é relativo’

Será? Sim, é verdade... O primeiro postulado da Relatividade Especial – de Einstein - nos diz que ‘não há experimento algum que possa assegurar se estamos de fato parados ou em movimento uniforme’ - e é por isso que não sentimos a Terra girar... Ou seja, o máximo que nos é permitido afirmar, é que os corpos possuem movimentos relativos; melhor dizendo, estão se movendo em velocidades constantes, uns em relação aos outros... Estamos falando em Relatividade Especial, e não na Relatividade Geral... Beleza até aqui? Portanto, os conferencistas começaram bem, assim como o colega... “Todo movimento uniforme é relativo”, disse ele... E acrescento que o máximo que poderíamos detectar seria a aceleração, ou seja, a mudança de velocidade, e não sendo este o caso, como poderemos afirmar se a Terra orbita o Sol, ou o Sol orbita a Terra??? A-haaaaaaaaa, ponto para os neo-geocentristas... Clap, clap, clap, ponto para a bíblia... O Gênesis afinal será uma Lei da Física, e poderemos até recomeçar o estudo da Biologia, baseado na vida estática, ou na geração espontânea, ou da Química baseada em milagres... Além da transformação da água em vinho poderemos extrapolar o conceito, transformando em cerveja – a de vocês estava batizada, ou emaconhada -, Tequila, Whisky... Afinal não dá pra saber se realmente é a Terra em torno do Sol ou vice-versa, certo?

Errado!!! E em função de ‘pelo menos’ duas boas objeções...

Primeiramente porque ainda cabe o ‘ônus da prova’; seja em favor do Geocentrismo, seja em favor da REALIDADE... Mas temos uma carta na manga... Na realidade temos o ZAP... Aliás, quem tem cartas escondidas na manga são os neo-geocentristas, e nós estamos aqui para delatar o truque... Então trucamos os caras... Trucoooooooooooo!!! E eles não tem nada... Estavam blefando, perdendo tempo... Por quê?

O truque está em relativizar o movimento, evitando enfrentar o conceito de ORBITA... Ou seja, ‘quem orbita quem?’...

Explico... Sucede que, queridos amigos, o modelo científico vigente, possui evidências acachapantes - e com requintes de detalhes – sobre a existência de ‘órbitas fechadas’ em torno do Sol para alguns corpos celestes – incluindo evidentemente a Terra... Isso para citar apenas o nosso Sistema Planetário SOLAR... Ou seja, trata-se de um sistema, onde 08 Planetas, devidamente documentados, com farto acervo de evidências, provas e fatos, estão ‘presos’ e capturados em torno do Sol, descrevendo ‘órbitas fechadas’... Sendo assim, temos provas de que a Terra não é um referencial inercial privilegiado... Não mesmo... A Terra está fadada a circular em torno do Sol, em uma órbita Elíptica – graças a Kepler - mais precisamente a cerca de 108.000 km/h, e segui-lo onde quer que ele vá, a mais a quase 1.000.000 Km/h...


Apenas uma palavrinha sobre Kepler, já que foi mencionado... Kepler formulou em suas obras Astronomia Nova e Harmonices Mundi, as três leis fundamentais da mecânica celeste, conhecidas como Leis de Kepler, e organizadas por astrônomos posteriores... Tais obras também forneceram uma das bases sólida para a Teoria da Gravitação Universal de Isaac Newton... Temos então a ‘santíssima trindade’ da Astronomia – nem tão - Moderna, constituída por Copérnico, Kepler e Galileu... Mas o que dizer de Aristarco??? Aristarco foi o cara!!! Um brinde a ele!!!

Voltando à nossa contenda: para que a Terra estivesse centrada em relação ao movimento de todos os corpos celestes, e para não irmos tão longe neste devaneio, para que a Terra estivesse no centro do Sistema ‘S-O-L-A-R’, precisaríamos analisar as órbitas destes corpos, dos planetas constituintes de tal sistema, e do SOL... Mas o que é exatamente uma órbita planetária? O que define este conceito? Órbitas são ‘caminhos fechados de corpos em movimento uniforme’, eventualmente em torno de outro corpo... Simples... Em outras palavras, as órbitas ‘captivas’ (planetárias) são linhas fechadas, com o início coincidindo com o final - elípticas ou circunvalares... Qualquer outro trajeto, hiperbólico, parabólico, serão caracterizados como órbitas de escape, e nunca como órbitas planetárias – captivas...

Demonstrando o raciocínio: se tomarmos o Sol como nosso referencial inercial - i.e., como o ‘parado’, ou no centro, em relação aos ‘orbitantes’, os planetas - do nosso sistema solar, teremos os planetas - Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno - relativos à nossa estrela, traçando elipses ou quase circunferências, portanto orbitas fechadas em torno do SOL... No entanto, se traçarmos a trajetória destes planetas, porém tomando a Terra como centro, i.e., ou referência inercial, obteremos traçados tão confusos quanto a cabeça dos defensores dogmáticos do Geocentrismo, e que não constituirão – JAMAIS - ‘órbitas captivas’... Sabemos claramente, quem orbita quem...

Quod erat demonstrandum


‘Como queríamos demonstrar’... Triste destino dogmático... No final, o desfecho sempre será esse... O vigoroso e genial físico Richard Feynman - ganhador do Nobel - explica:

Um princípio de pensamento científico corresponde a uma espécie de honestidade incondicional...

É esta honestidade incondicional ou ética, que reside no ceticismo científico, que confronta a vacuidade de crer... Isso porque as crenças se baseiam apenas na caprichosa, débil ou vã vontade de acreditar... Não se pode de forma alguma comparar as atitudes de 'tomar ciência ou tornar-se ciente' - da verdade -, com reconfirmar velhas ou novas convicções... Não se pode usar como desculpa a falibilidade assumida da ciência...

Uma verdade científica tem um prazo de validade e um universo de aplicação demarcado, assumidamente, e será sempre revisada, sendo esta a sua maior fortaleza - e não o contrário...

Uma afirmação feita sem provas pode - e deve - ser descartada sem provas...  E se alguém afirmar que tem razões para não usar a razão, então seguramente esta posição será indefensável, e uma tremenda perda de tempo... Espinoza diria que sugerir que abandonemos o racionalismo é o mesmo que sugerir a obediência, mas concluo pela orientação à SUBMISSÃO... Submeta-se, esta é a ordem... Sendo o procedimento padrão, sugerir ainda que nos tornemos ‘acéfalos em cristo’... O pior é quando o não uso da razão – ou do cérebro - vem travestido de argumento racional... E neste caso precisamos estar treinados para reconhecer falácias retóricas, e truques... Pensem bem, em um debate honesto, perder é ganhar... Ganhar em conhecimento, certo? Mas em uma disputa dogmática perder é perder, e vale tudo para ganhar até PERDER-SE...

Não se deixem levar pela eloquência dos que preferem ‘crer’ do que ‘saber’...

É só um truque... E como Introdução às Falácias Retóricas, gostaria de citar ao final, como adendo, algumas falácias particularmente utilizadas nos embutes teológicos... Confiram...


Finalmente, e se leu até aqui, está convidado para a próxima festa, aqui em casa, e estamos localizados no planeta Terra, o REAL, aquele que orbita o Sol, rsrsrsr... Gostaria de citar, para fechar com chave de ouro, um episódio envolvendo o brilhante cientista Laplace e o temido Napoleão Bonaparte... Pierre Simon Laplace havia publicado a sua Magnum opus: 'Mecânica Celestial'... Napoleão, que era fã de propor perguntas desconcertantes, recebeu Laplace com o comentário:

"- M. Laplace, me disseram que você escreveu este grande livro sobre o sistema do universo e jamais sequer mencionou seu Criador?"

Laplace, que, embora o mais obsequioso dos políticos, era inflexível como um mártir sobre cada aspecto de sua Integridade Intelectual, assim como de sua atitude científica – a honestidade incondicional à qual Feynman se referia -, levantou-se e respondeu rispidamente:

"- Je n'avais pas besoin de cette hypothèse-là - Eu não precisei desta hipótese..."

Napoleão se calou e apreciou a resposta... Eu também... Nutro-me dos mesmos valores... Como promover a Justiça empunhando bandeiras e atuando de forma covarde e oportunista? Atuando de forma incoerente, hipócrita e cínica?

Ético, logo Cético...


Pensem sobre isso...

DEUS??? NÃO PRECISAMOS DESTA HIPÓTESE...

Não mais, porque as luzes já foram acesas...

FIAT LUX...

Quod erat demonstrandum


Carlos Sherman


P.S. 1:
O que é 'i.e.':


'i.e.' é uma abreviação para 'id est', i.e., uma expressão latina que significa ‘isto é’ ou 'ou seja'... É muito comum na língua inglesa e em textos acadêmicos... Existem algumas outras abreviações importante como 'e.g.',  'exempli gratia', que significa 'por exemplo'... 'etc', ou 'et cetera', significa 'além de outros', ou 'e outros', sendo bem mais popular e coloquial...


P.S.2:
Algumas Falácias Retóricas

1.       Inversão do ônus da prova: Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento... Lembrando que o ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva... Exemplo: “Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem”... No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem... Exemplo: “Dragões não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem”... Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto o ônus da prova permanece subentendido para quem afirma que dragões existem, enquanto não houver a defesa da tese primária positiva, pois não é necessário nem possível provar que algo não existe se não há demonstração positiva de que exista...
2.       Falsum dilemma (Falsa Dicotomia ou Falso Dilema): Trata-se de um truque, uma impostura, uma fraude... Consiste de enganar pessoas despreparadas, valendo-se de uma conhecida falácia lógica, reduzindo a realidade a um maniqueísmo imposto pela força do Princípio do Terceiro Excluído... Exemplo: “Só há uma alternativa para uma vida digna, acreditar no sobrenatural... Logo, se você não acredita no sobrenatural - seja lá o que for - você certamente não terá uma vida digna, você será um canalha, frio, calculista, malvadão, etc..."... Ou seja, só existem duas alternativas - e não existe uma terceira, quarta , ou outras vias... Ou você é um benfeitor crente, um malfeitor galáctico... Existe outra falácia incorporada aqui, a Falsa Generalização, ou Generalização Apressada, pois não foi provado ainda que ser crente no sobrenatural implica em ser benfeitor... Assim como não foi provado - e nem argumentado - que não crer no sobrenatural faz torna uma pessoa - necessariamente - má...
3.       Generalização apressada (falsa indução): É o oposto do Dicto simpliciter, e normalmente também invoca as falácias do Argumentum ad antiquitatem (ou Apelo à Antiguidade ou Tradição), e Argumentum ad baculum (ou Apelo à Força)... Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico... Exemplo: “Minha namorada me traiu... Logo, as mulheres tendem à traição...”... “Hitler era cristão, logo todos os cristãos são assassinos genocidas...”...
4.        Deus das lacunas: Responder a questões sem solução com explicações sobrenaturais e/ou que não podem ser comprovadas... Exemplo: “Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio no acidente...”... Morreram 300, salvaram-se 20, “graças a deus”... Mas, quem derrubou o avião? Aí foi falha mecânica... Se deu certo ‘foi deus’, se deu errado ‘fodeu-se’...
5.        Argumentum ad antiquitatem (ou Apelo à Antiguidade ou Tradição): Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou "sempre foi assim"... Exemplo: A Bíblia é um livro milenar, logo ela está certa...”...
6.       Argumentum ad baculum (ou Apelo à Força): Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão. Exemplo: “Acredite no que eu digo, não se esqueça de quem é que paga o seu salário”... “Deus disse na bíblia que assim seria, e assim será”...
7.       Argumentum ad ignorantiam (ou Apelo à ignorância): Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade. Exemplo: “Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe”... Incorre em outra falácia retórica, a Inversão do Ônus da Prova... Sem contar que, pelo mesmo princípio, não se pode provar a inexistência – principalmente daquilo que não existe...
8.       Argumentum ad Lazarum (ou Apelo à Pobreza): Oposto ao ad Crumenam... Essa é a falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro... Exemplo: “Jesus deve ter sofrido muito, e era pobre, e se ele diz assim, assim devo acreditar”...
9.       Apelo ao medo: Apelar ao medo para validar o argumento... Exemplo: “Creia em Deus ou arderá no inferno”...
10.   Argumentum ad nauseam (ou Repetição nauseante): É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se repete algo, mais correto estará... Muito comum em cultos, e em discussões dogmáticas... Exemplo: Se a bíblia repete tanto que os descrentes serão castigados, então certamente serão”...
11.   Argumentum ad populum (ou Apelo ao povo ou à maioria): É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas... Exemplo: “Inúmeras pessoas acreditam em Deus, portanto Deus existe”... “Todos escutam sertanejo, deve ser bom”...
12.   Argumentum ad verecundiam ou Magister dixit (ou Apelo à autoridade, ou O Meu Mestre Disse): Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa... Exemplo: “Se Aristóteles ou São Tomás de Aquino disseram isso, então é verdade”...
13.   Argumentum verbosium (prova por verbosidade): Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode acabar por ser aceite sem ser contestado...
14.   Definição circular: Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido... Exemplo: Deus existe... A Bíblia disse... E a Bíblia é válida porque Deus disse...
15.   Definição contraditória: Definir algo com termos que se contradizem. Exemplo: “Para serem livres, submetam-se a mim” - máxima ‘marxianista’... “Se não fizerem o que eu digo arderão no inferno, mas eu amo vocês”... “Para um relógio existe um relojoeiro, para uma cadeira existe um marceneiro, e para o homem tem que haver um criador... Mas para este criador não é necessário mais nada, ele basta a si mesmo...” – argumento Ontológico...
16.   Egocentrismo ideológico: Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa... Exemplo: “O comunismo é o ideal, pois Leni disse que”...
17.   Falácia Nomotética: Consiste na crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo nome, quando na realidade, a questão permanece sem solução... Exemplo: “Não acredito em Deus, acredito em uma energia que controla tudo”...
18.   Falácias tipo "A" baseado em "B" (outro tipo de conclusão sofismática): Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato. Exemplo: “O islamismo é baseado na fé... O cristianismo é baseado na fé... Logo, o islamismo é similar ao cristianismo”... É uma falsa aplicação do princípio do silogismo, muito embora, rsrsrs, semelhança e diferenças são conceitos complexos e relativos...
19.   Cum hoc ergo propter hoc (ou Falsa causa): Afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados... Exemplo: “Nota-se uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das redes sociais e o uso do ‘internetês’... O advento das redes sociais vem degenerando o uso do português”... Faltam provas...
20.   Petitio principii: Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida... Exemplo: “É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade”... A premissa foi tomada como verdadeira sem prova...
21.   Post hoc ergo propter hoc (ou Depois disso, por causa disso): Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade... Exemplo: O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos EUA... Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares...”...
22.   Reductio ad absurdum: Consiste em averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar invalidar essa hipótese... É um jogo de raciocínios para tentar fazer o primeiro contraditório... Exemplo: “”- Você deveria respeitar a crença de C porque todas as crenças são de igual validade e não podem ser negadas... - Eu recuso que todas as crenças sejam de igual validade... De acordo com sua declaração, essa minha crença é válida, como todas as outras crenças... Contudo, sua afirmação também contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela... O outro caiu em contradição...”... Entendeu??? Rsrsrsrs... O argumento Ontológico é também um Reductio ad absurdum...
23.   Teoria irrefutável: Informar um argumento com uma hipótese que não pode ser testada... Exemplo: “Ganhei na loteria porque estava escrito no livro do destino...”... “Passei no concurso certamente porque deus me ajudou”...
24.   Tu quoque (ou Você Também): Falácia do “mas você também”... Ocorre quando uma ação se torna aceitável pois outra pessoa também a cometeu.... Exemplo: “- O PT roubou vergonhosamente, não acha? – Eu acho que o PSDB também roubou em outras gestões...”... Pode ser chamado de Falácia Petista...

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