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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sobre a Morte... Sobre a Vida...




Um homem deve ser lembrado pela vida que viveu, e não ser transformado em objeto de comiseração e sofrimento em função de sua morte... Devo considerar aqui, que no final deste filme da vida, nós morremos... Todos nós... Sem direito a sursis... Todas as vidas chegam ao fim, e mesmo aqueles que repetem ser esta 'a nossa única certeza', na verdade também não estão conformes com este fato, ou esta fatalidade - absolutamente necessária... Sempre será cedo para morrer, e não importa se viveremos 5, 15, 25, 55, 75, 105 anos... Sempre será cedo... Mas existe um declínio natural, e nos sentimos mais conformes quando a nossa saúde fraqueja, e a nossa vida vai abandonando a sensação de plenitude, pouco a pouco, para finalmente vacilar... E mesmo assim dizer o derradeiro adeus será quase impossível... 

Tudo acabará em breve, porque sempre será breve... Mas a morte é o pano de fundo necessário para que reconheçamos as cores da vida... Entenda a morte e entenderá a vida... 

Parafraseando a questão colocada por Hans Ruesch (‘No País das Sombras  Longas’, p. 130), será que morrer é um destino ruim? Considero - como Hans - que 'não'... Morrer não só é inevitável, mas essencial... A vida, tal e qual conhecemos, e com a qual nos apegamos só é percebida desta forma em função de nossa consciência de sua finitude... Sem o desfecho da morte a vida seria 'infinitamente efêmera'... Porque é a consciência da brevidade da vida, e de seus delicados e 'finitos' momentos, que tornam 'viver' tão valioso...  

Se um homem viveu plenamente sua vida, então celebremos sua trajetória a sua memória... E reflitamos sobre a nossa vida - finita... A saudade pode doer muito, mas pode suscitar belos e inigualáveis sorrisos, mesmo banhados em lágrimas... Deixemos pois motivos para que chorem de alegria em nossa sobre nossa memória, sobre o exemplo deixado por nossas vidas... Humanos, troppo umanos até o fim...

Celebre a vida... Respeite a morte, serena e dignamente... 

Carlos Sherman

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