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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Omayra, a estória mais triste e bela da Humanidade...





Omayra, a estória mais triste e bela da Humanidade...

Omayra, uma criança única, questiona deus: 

"No es justo"...

Claro que no querida, no es justo...

Assistam estas imagens!!! Não existem imagens como esta, nem mais fortes, nem mais importantes, nem mais dolorosas, nem mais belas... 

Faz 27 anos que Omayra Sánchez perdeu prematuramente a vida, e despediu-se com lições inesquecíveis... Esta mensagem não pode ser esquecida... Jamais...

Omayra Sánchez Garzón nasceu em 28 de agosto, e apenas um dia separaria os nossos aniversários, se ela estivesse viva... Omayra foi afogada, 'homeopaticamente', terrivelmente, enquanto mantinha uma calma e resignação sem igual, enquanto sem desesperar, ainda era capaz de pensar nos demais... Que vida, que legado de humanidade poderíamos haver experimentado com esta fortaleza pequenina, que só viveu 13 aninhos???

"Dios, no es justo, solo tengo 13 años, no puedo morrir"...

Mas ela implorava a deus, porque morria lentamente - e de forma torturante - aos 13 anos, porque morria de forma terrível, afogada em suas palavras, presa nos escombros de sua casa, enquanto com os pezinhos tocava a cabeça de sua tia... Omayra agonizou por três dias:

"Toco con los pies en el fondo la cabeza de mi tía"...


Mas Omayra pedia que sua mãe rezasse por ela, para que deus a livrasse daquele calvário sem igual:



"Mami, sé que puede escucharme, reze para que estos hombres puedan sacarme de aqui, y que yo pueda caminar"...



Mais adiante, sem esperanças, esta menina preciosa e generosa, enfrentou a morte e pensando nos demais:



"Yo quiero que ayuden a mi mamá, porque ella se va a quedar solita"...



Sentia medo, fome, sede, frio, terror:



"Tengo miedo de que el agua suba y me ahogue, porque yo no sé nadar, aunque soy de aquí, de tierra caliente"...

"Tengo frío"... "Tengo sed"... "No quiero morrir"...




E pensou na escolinha daquele lugarejo, que contava 25.000 mortos na tragédia...



"Estoy preocupada, hoy era el examen de matemática"...

"Mi papá trabaja cogiendo arroz y sorgo en una combinada, mi mamá está en Bogotá, donde mi tío, que es celador de Expreso Bolivariano"...

Qual o pecado de Omayra??? Porque tanto sofrimento? Algum pecado justifica tanto sofrimento? Deus??? Que deus??? Se deus existisse seria um ordinário, covarde, assassino, porco, indecente, como descrito pela bíblia...

Omayra sumiu debaixo da água, atrapada em sua pobre casinha destruída, em 16 de Novembro de 1985... A estória desta menina colombiana de 13 anos, foi um marco indelével, da tragédia do vulcão Nevado del Ruiz, durante a erupção que sepultou o povoado de Armero... 


A impotência de não poder salvá-la quando qualquer ser humano fixa os olhos em tais imagem, me impõe: 'definitivamente deus não é humano'...  Sinto vergonha de estar vivo, e assistir esta bebê afundar aos pouquinhos, perdendo sua vidinha, sem que pudéssemos fazer nada... E trata-se uma ofensa à decência humana, que a fantasia de 'deus' seja invocada... Que deus? Que merda de deus é esse?

As equipes de socorro tentaram de tudo, mas não foi possível salvá-la... Seria necessário amputar as perninhas de Omayra, mas não havia equipamentos, nem condições, e poderíamos antecipar sua morte e com mais sofrimento... Outra opção seria utilizar uma bomba de sucção, mas a única bomba disponível não chegou a tempo, e os presentes só puderam deixá-la morrer... 

Em 13 de Novembro de 1985, a devota e humilde cidadezinha de Armero dormia tranquila, mas a erupção do Nevado selou para sempre  seu destino... Mais de 25.000 pessoas perderão a vida sepultadas pelo lodo... Foi uma das maiores catástrofes naturais da Colômbia, e da humanidade...

Deus também faltou neste dia...

A pequenina, em meio ao sofrimento disse:

"Váyanse a descansar un rato y después vengan y me sacan de aquí"...

Forte, valente, terna e generosa... Omayra balbuciou até o fim, enquanto fechava os seus olhinhos cansados:

"No es justo, Dios, no es justo"...

Não querida, deus apenas não existe... Nunca esquecerei o seu rosto e as suas lições sobre a dignidade humana... Mas na verdade, e por mais que me empenhe, jamais serei capaz de acalçar a  perfeição de sua conduta; nem que este descrente viva por mais 50 anos... 

Querida, um pouco de mim afundou com você... Agora, com o  nosso encontro, acho que aprendi um pouco mais sobre o que realmente importa... Pelo tempo que me resta, prometo, em sua memória, cuidar com resignação e coragem, ternura e generosidade, daquilo que realmente importa... 

Obrigado bebê... Descanse em paz...


Carlos Sherman

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