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sábado, 23 de março de 2013

Sofisticando o Medo...




Edemilson Lima, bom exercício, mas probabilidades e funções de onda são bem diferentes de 'histórias' descritivas sobre vidas, assim como o seu contorno moral... Variações nas probabilidades implicariam em completa dissociação da cena moral, do quadro social e humana, e da história descritiva... De forma que muito me preocupa exercícios como este, utilizando a ciência, e argumentos 'aparentemente' plausíveis, para suportar crenças implausíveis... Trata-se de mera crença cultural, que vem caindo em desuso, conforme melhor nos instruímos... E que você mesmo descreve, e bem descreve como: "Todas as formas de vida após a morte fazem sentido para quem deseja continuar vivendo para sempre de alguma forma."...


Mas mesmo com todo o exercício intelectual que vem a seguir, em seu comentário, esta realidade, vida após a morte, continua sendo uma mera crença... E você termina dizendo que "Só acreditarei mesmo o dia que a ciência der um veredicto final.", e isso me leva a questionar 'se pode saber, por que acreditar?'... A expressão "acreditar" me parece mal aplicada, assim como "veredicto final", o que também não é científico... Mas apesar do exercício, devo refutar o passo: "Ela contém todas as histórias e também a nós, pois existimos nestas histórias."... Não, 'ela' não contém... Você se refere à 'ela' como sendo o tempo (ele), e o tempo não contém ou armazena 'histórias', e insisto que não, e não existe tal 'mecanismo'... Afinal, o que realmente existe, é uma confusão estapafúrdia entre considerar probabilidades, em termos de partículas, e considerar "histórias"; e considero totalmente implausível e desnecessário, tal exercício... Na verdade vejo como desserviço...



E entendo que você conclui, apesar do sofisticado exercício, pela descrença... Mas é estranho notar o empenho nos argumentos em favor de uma 'possibilidade' que na verdade é 'impossível'; e tal empenho 'força' demais a barra, em termos científicos, sendo um argumento típico do jargão 'pseudo-científico'... Explico: podemos considerar possibilidades, claro, desde que existam ao menos 'evidências', por mera questão de não dispor de tempo a perder com besteiras... Este assunto 'é' uma tremenda besteira, por qualquer ângulo que escolhamos para olhar... De forma que refuto a possibilidade por falta de evidências que me conduzam a explorar o tema, e acatar ''sequer' como um enunciado sério... Sendo assim, deveríamos refutar o empenho em tratar cientificamente de vida após a morte... Mas veja o que é tentado? Teorias científicas de ponta, e que estão sendo refinadas, e cujo impacto sobre a realidade está sendo entendido, são utilizadas em favor de 'criar a possibilidade de', em relação à um enunciado que continua sem merecer a devida acolhida, em termos de racionalidade...



Parafraseando Feynman, quando invocamos a Física Quântica, estamos em uma posição diferente na História da Ciência, e que poucos entendem, afinal uma teoria científica sempre conduziu à 'preditibilidade' dos respectivos resultados - com um certo erro incorporado -, ou uma teoria está compatibilizada com o resultado experimental; o que ainda não ocorre na Física Quântica, de forma que, se é extremamente complexo apenas entender a teoria, precisamos estar 'cientes' de que ainda não há compatibilização com o mundo observável, e aqui me refiro à 'mundo observável' como sendo um laboratório de alta tecnologia com elevado status de controle 'da situação'... Feynman não considerava plausível tais considerações... Então porque aqueles que estudam a Física Quântica pelo Wikipédia devem fazê-lo... Krauss refuta o mesmo truque... Assim como Sagan, Shermer, Dawkins, etc....  



Assim sendo, devo refutar toda referência à Física Quântica no sentido de prever consequências sobre o universo... Andas estamos em busca de uma 'Teoria de Partículas' consistente, e mais uma vez invoco Feynman para dizer que o conhecimento ainda é muito superficial, temos uma boa teoria a ser refinada matematicamente, mas não podemos dizer nada sobre 'o que será ou como será o mundo após este acontecimento próximo'... Exercitar a sobrevida de "histórias" humanas, valendo-se da Relatividade e da Física Quântica é sempre um TRUQUE, e não nos leva à nada, e ao contrário, nos afasta do ponto... E você disse tudo no início, afinal as pessoas se agarrarão ao seu credo na vida eterna, com unhas e dentes... Mas devo dizer que elas apenas modificam o apelo e sofisticação de sua ilusão... Deuses, vida após a morte, moralismo universal, vão assumindo contornos mas sofisticados... 



De forma que tentar compatibilizar questões meramente relacionadas com os nossos medos biológicos e endossados pela cultura, com um desenvolvimento científico de ponta, 'e que não aponta nesta direção', e na verdade - hoje - não aponta em nenhuma direção relativa ao comportamento do universo, é extremamente vazio... E considerando o status atual de tal compreensão - uma teoria definitiva para as partículas -, e que pode levar à 'qualquer coisa', a qualquer conjunto de consequências, relacionar tais corolários às crenças em vida após a morte é - para dizer o mínimo - 'desnecessário', e para dizer a verdade 'errôneo', perigoso, e desesperado... A Física Quântica pode chegar à uma Teoria de Partícula que explique o funcionamento de tudo, dito de forma reducionista, e estamos perto disso... Mas poderemos proceder tal passo sem que isso fato afete o mundo sensível, a vida, e sobretudo a noção de 'vida após a morte'... 



Física Quântica envolve tempo, equações matemáticas, e uma Teoria de Partícula... Valer-se da indefinição corrente, para especular sobre uma 'espetacular' transformação do mundo, é um absurdo que precisa ser confrontado... E finalmente insisto, muito do que foi dito poderia ser resumido em 'o ônus da prova recai sobre quem faz a proposição'... Morremos todos os dias, então provemos que existem uma continuidade, mas não metamos a Física Quântica e muito menos a Relatividade nisso; afinal ambas não se prestam ao propósito em questão... Tudo isso é mero truque retórico, vazio, inócuo, doentio... Afinal, seguimos no mesmo ponto, a crença pelo medo, como traço biológico e ritualizado na cultura... 



A Física Quântica não modificará nada neste status... E a Relatividade não pode, impunemente, ser utilizada como premissa para o 'truque do copo' - muito praticado na Sé, onde ambulantes jogam sobre um tabuleiro, escondendo uma pequena bola debaixo de um pequeno copo, tratando de 'manipular' o conjunto com de três copos, e ao final perguntando: 'onde está a bolinha?'; então você aponta e, invariavelmente, ERRA...



Não provamos a 'inexistência da vida após a morte', afinal seria um Reductio ad absurdum, e insisto que não se pode provar a 'inexistência', não se pode afirmar contra a negação... Mas podemos provar, pela Arqueologia, Mitologia, Antropologia, que este tema nasce com os rudimentos ou maus entendidos relativos às culturas, e recebem o impulso humano, adquirindo a tonalidade cultural... E podemos notar, inescapavelmente, que o fenômeno varia com o tempo, com a História, decaindo de forma inversamente proporcional com o incremente do conhecimento... Podemos provar pela Genética e pela Neurociência, que partes do cérebro regulam o maior ou menor interesse na tese da vida após a morte... Podemos provar então que tal tema floresce onde reina a ignorância, e podemos provar também, que existe uma biologia por trás do fenômeno...



Podemos excitar regiões do cérebro em provocar experiências ditas de 'quase morte' - EQM, ou NDE -, assim como podemos brincar de  flutuar sobre nossos corpos, ver luzes no túnel, encontrar parentes mortos, etc... Podemos provar, e de fato já provamos, que a relação com o sobrenatural é biológica, e reproduzível em laboratório.... Podemos então provar que aqueles que trazem tais proposições, como a continuidade da vida, e não interessa a sofisticação dos argumentos, o faz em função de interações entre sua cultura e biologia... 

Feynman morreu íntegro, sem tentar um truque no leito de morte, e ninguém como ele poderia haver 'jogado' com a Física Quântica, que ajudou a construir e estruturar, sabedor e conhecedor de toda a sua complexa conceituação, detalhes, desígnios... Ele não o fez... Por que faremos nós??? Não significa que não podemos pensar por nós mesmos e sobre o corpus do conhecimento humano, e seus corolários, mas no caso específico da Física Quântica, devemos admitir a mera posição de espectadores... Eu admito a minha condição, apesar de ser um espectador dedicado e bem preparado... De forma que se alguns pretendem desperdiçar o tempo e a VIDA, polindo o seu medo, não metam a Relatividade e a Física Quântica nisso... Vida após a morte é assunto exclusivo de templos, e não subsiste à um pouco de efetiva Ciência, de forma que sempre será pulverizado quando ouse ingressar em ambientes que prezem pela prática da saudável e lúcida da 'pensabilidade'... 

Concluo lamentando e dizendo que: 

Entendam a morte, e entenderão a vida... Recusem a morte, e estarão recusando a vida...


Bom fim de semana... Chuvinha gostosa, frio, perfeito para ler, estudar, escrever, namorar, escutar um som...O golf dançou de vez, rsrsrsrs... 


E tenho dito... 



Carlos Sherman


 O seu esclarecimento é fantástico, mas esta tem sido a base da pesudo-ciência da vida após a vida, rsrsrsrsrs....
há 15 minutos · Curtir

Carlos Leger Sherman Palmer E bem sei que não endossa preceitos sobrenaturais... Só quis acentuar certas questões, que estão claras para você e pra mim, mas não estão claras para a massa vulnerável e altamente sugestionável....
há 14 minutos · Curtir

Carlos Leger Sherman Palmer Sim amigo, refutei sim: "bom exercício, mas probabilidades e funções de onda são bem diferentes de 'histórias' descritivas sobre vidas, assim como o seu contorno moral... Variações nas probabilidades implicariam em completa dissociação da cena moral, do quadro social e humana, e da história descritiva..."... Ou seja, modificar probabilidades atômicas, e se toas elas existem, em termos de probabilidade, uma mínima variante dissocia em cadeia, toda a realidade... Probabilidades atômicas não correspondem à 'histórias humanas', e insisto, 'não, as histórias humanas não estão preservadas o continum'... E mais adiante explico que, as implicações sobre 'como funciona' o universo, sobre o prisma da Física Quântica, não afetará a forma como as coisas são, e de fato... Explico, o entendimento teórico está em curso, e como não havia ocorrido antes, na história da ciência, temos uma boa teoria, e estamos tratando de entender que implicações em termos de consequência poderemos observar... Teorizamos sobre a gravidade com base nas evidências, tendo ajustado o modelo, podemos reconfirmar sua validez... No caso da Física Quântica, decidimos aprofundar o conhecimento atômico, e encontrar uma Teoria de Partícula, mas temos uma teoria, sem as devidas evidências, em função das dificuldades inerente... A teoria está sendo então refinada matematicamente, para que finalmente possa ser comprovada no futuro, empiricamente... De forma que a Física Quântica não é em absoluto, uma fronteira que possa colaborar com divagações sobre 'almas' e vidas depois da morte...
há 5 minutos · Curtir

Carlos Leger Sherman Palmer Edemilson Lima, dizer que "no universo tudo é possível" é tão vago quanto dizer que nada é possível... Pura divagação... Explico, não é possível retroceder um fenômeno de combustão, retroagidno do fogo aos componetes originais, combustível e comburente, pela Termodinâmica... Esta possibilidade está fechada, e já caminhamos suficientemente para SABER que tal divagação não procede... Tal possibilidade está fechada... O que não implica em cercear novas teorias, mas em constatar o que já foi refutado... Se não podemos retroagir uma fenômeno de combustão, não podemos com maior razão voltar no tempo... Podemos manipular matematicamente o feito, que ainda assim persistirá como obra de ficção científica....

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