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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Qual a diferença entre método Dedutivo e Indutivo?



E no meio da tarde Karol, uma de minhas filhas, perguntou:

"Qual a diferença entre método Dedutivo e Indutivo???"

Sempre disponível para a minha família e amigos:

O Método Dedutivo:

O 'Método Dedutivo' está atado à Lógica Tautológica, e não subsiste fora deste estático círculo... E quando escorrega para fora deste domínio estará a mercê da necessidade de prova 'empírica' e experimental; i.e., quando deixamos o domínio da tautologia e adentramos a REALIDADE sensível, será necessário verificar a validez de suas premissas... Por exemplo, no exemplo Dedutivo a seguir, se declaramos como premissas de que: 

Se A>B,
E Se B>C,
Logo A>C...

Poderemos concluir dedutivamente que sempre, e inequivocamente a sentença tautológica acima será verdadeira... A Filosofia se vangloria do Método Dedutivo como sendo a única fonte possível de 'verdades'... Mas basta que abandonemos a forma Lógica, para que o Método Dedutivo passe a requerer 'provas'.. Exemplo: O carro A é maior que o carro B, e o carro B é maior que o carro C, logo o carro A será sempre maior do que o carro C... Mas no mundo dos sentidos, o que significa que um carro seja 'maior' do que outro? Estaríamos falando em comprimento, largura, ou volume???

O Método Indutivo:

Segundo a concepção amplamente aceita, o 'Método Indutivo' está preso ao 'Empirismo' [Houaiss: doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo ger. descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismocomo unha e carne... Popper pensava diferente, assim como eu, e veremos isso mais adiante... 

Mas entende-se por Método Indutivo, ou Lógica Indutiva, a metodologia empregada na descrição de resultados decorrentes de observações e experimentos, para 'enunciados singulares' ou particulares, que induzirão ou permitirão a inferência de 'enunciados universais'...

A crítica comum ao Método Indutivo, conhecido como 'Problema da Indução', questiona este passo, de enunciado particular para universal, e apenas por meio da 'experiência'... "(...) independentemente de quantos casos de cisnes brancos possamos observar, isso não justifica a conclusão de que todos os cisnes são brancos." (Popper, 2007)... O Problema da indução trata exatamente dos limites e condições para a validez das inferências indutivas... Assim sendo, indagar se as inferências indutivas se justificam equivaleria a indagar se existem 'Leis Naturais Universais'...

Legitimar o Método Indutivo, ou estabelecer um Princípio de Indução, passou a representar - erroneamente - o mesmo que legitimar o valor e a validez da 'CIÊNCIA' no estabelecimento de Leis Universais... Nas palavras de Reichenbach: "(...) este princípio determina a verdade das teorias científicas. Eliminá-lo da Ciência significaria nada menos que privá-la do poder de decidir quanto à verdade ou falsidade de suas teorias. Sem 'ele', a Ciência perderia indiscutivelmente o direito de separar suas teorias das criações fantasiosas e arbitrárias do espírito do poeta"...

Vou antecipar apenas, porque a resposta a este e outros dilemas virá ao final, que os "poetas" de Reichenbach, seriam os ditos 'filósofos pela autoridade' e os dogmáticos, crentes, supersticiosos, etc... Não poderia ter sido mais injusta a metáfora, afinal grandes poetas foram 'grandes cientistas', no sentido de 'tomar ciência' da natureza humana pela observação e pela experiência... Ressalto ainda, que 'verdades universais' são essenciais aos círculos metafísicos e religiosos, mas não são essenciais em se tratando da atitude científica, e isso porque estamos preocupados em 'endereçar a verdade' - uma expressão cunhada por mim - e não em 'verdades indefectíveis'... E isso porque a busca da verdade é um processo dinâmico, e depende de enunciados e proposições, mas também ferramentas que nos tragam dados, provas, e para que possamos concluir por fatos... 

Em se tratando de 'ferramentas', e por exemplo, tanto nas fronteiras do 'maior' quanto do 'menor', respectivamente nas áreas da Astrofísica e da Mecânica Quântica, QUANTO MAIOR MELHOR... Quanto maior for o telescópio e quanto maiores forem os aceleradores de partículas, mais dados, e mais refinamento da VERDADE, mais sofisticação para os enunciados, e é assim que 'endereçaremos' dinamicamente as leis da natureza - e a VERDADE...

Método Dedutivo Baseado em Prova

Segundo Popper, o 'Método Dedutivo Baseado em Prova' é a "(...) concepção segundo a qual uma hipótese só admite prova empírica - e tão somente - após haver sido formulada"... Dito de outra forma, o valor da PROVA está salvaguardado, mas a prova ou o empirismo isolado, sem uma hipótese, acaba por figurar no vazio... Não basta apenas 'saber que' - pela experiência -, é preciso 'saber como' - baseado em uma teoria ou hipótese... 

Popper segue esclarecedor, "(...) pode um enunciado ser justificado? Em saco afirmativo, como? É suscetível de prova? Depende logicamente de outros enunciados? Ou talvez os contradiga?"... Considerando que o processo criativo ou investigativo nasce com algum tipo de evidência cognitiva e percepção da realidade, um sistema Dedutivo Baseado em Prova deve respeitar aos seguintes critérios:

1. A partir de uma nova ideia, segue-se a formulação prévia de hipóteses e um sistema teórico, que permitam o uso da dedução lógica para chegar à conclusões... Uma hipótese 'logicamente possível' será encenada e enunciada;

2. A comparação com outros enunciados pertinentes, para avaliar as relações lógicas entre o novo enunciado e enunciados já pré-existentes, convertidos em leis ou comprovados pela experimentação; para a verificação dos princípios da equivalência, compatibilidade ou incompatibilidade... O enunciado será então confrontado com um 'mundo logicamente possível';

3. Devemos proceder a síntese do enunciado, o que contribui em eliminar a excessiva abrangência, e trabalhando no sentido de tornar o enunciado 'não-contraditório', acomodando-o mais uma vez em 'um mundo possível'... Neste passo, estaremos ajustando a alça de mira, e focando sobre nosso problema;

4. Só então enfrentamos o problema da demarcação, erigindo uma muralha entre sistemas científicos e metafísicos - sobrenaturais -, ou seja, o nosso enunciado 'científico' deve ser encenado em um mundo de 'experiência possível', o que 'não é possível' em um cenário metafísico;

5. Finalmente procederemos a confirmação empírica guiada por nosso enunciado, passando do crivo dedutivo, que acomoda o enunciado em um 'mundo possível', para o crivo empírico, que confirma o enunciado como parte do 'mundo real', ou o 'mundo de nossa experiência'; e por 'nossa' entendo um conjunto de laboratórios e especialistas, corroborando de forma independente as mesmas experiências, guiadas pelo mesmo enunciado, corroborando a mesma conclusão ao mesmo tempo dedutiva e empírica, lógica e real;

Deixamos assim que a 'Dedução Pura', demarcada em suas perenes e estáticas fronteiras da Lógica, sirva ao propósito dos jogos mentais e tautológicos... Sobre o Método Indutivo acompanho Popper, para quem "Ora, a meu ver, não existe - de fato [grifo meu]a chamada indução"... Schlick nos explica o porquê: "(...) um enunciado genuíno deve ser passível de verificação conclusiva."... Waismann é ainda mais claro: "(...) Se não houver meio possível de determinar se um enunciado é verdadeiro, esse enunciado não terá significado algum, pois o significado de um enunciado confunde-se com o método de sua verificação."... 

Por exemplo 'deus existe porque a bíblia diz, e a bíblia deve ser respeitada como prova, porque deus disse que assim seria'... Temos uma absurdo lógico, um Reductio ad absurdum, e um argumento circular ou circulus in demonstrando... Não bastasse a fragilidade do enunciado, também enfrentaríamos problemas com as provas, e citando Waismann, "o significado de um enunciado confunde-se com o método de sua verificação."... Podemos concluir pela vacuidade do pleito...


Hitchens dispararia à queima roupa que "aquilo que pode ser aceito sem provas pode - e deve [grifo meu] - ser descartado sem provas - e sem maiores explicações [grifo meu]...

A questão ontológica ou da existência de deus - por exemplo - também nunca será uma questão científica, já que ela trata malabarismos 'dedutivos', sem comprovação... Nas palavras de Aquino: "Deve ser dito que a existência de deus pode ser provada por cinco vias"... E inaugura: "A primeira via é mais óbvia, baseia-se na existência do movimento. É correto, e de fato evidente aos nossos sentidos, que algumas coisas no mundo são móveis. Tudo o que se move, porém, é movido por alguma outra coisa, pois algo não pode se mover a não ser que o movimento esteja potencialmente em seu interior."... Infelizmente - ou felizmente trata-se do fragoroso erro de Aristóteles que segue repetindo-se através dos séculos e milênios... "Portanto", segue o doctor angelicus, será necessário retroceder a uma "motor primeiro", e a este motor todos - invocando os argumentos falaciosos ad populum e ad baculum - chamam de "deus"... Os absurdos vão sendo somados... Mas ficamos por aqui com Aquino - o 'boi mudo', como era conhecido em sua vida escolar...

Vamos a Aristóteles, para quem uma enciclopédia de erros poderia ter sido erigida... Aristóteles, e poucos sabem, estudou a vida marinha com relativo sucesso, mas fora da água geralmente suas observações conduziam ao caminho errado, quando não conduziam a um desastre histórico, ao mesmo tempo risível e sofrível...


Segundo Aristóteles todos os corpos celestes no Universo possuíam 'almas', ou seja, intelectos divinos que os guiavam ao longo das suas viagens, sendo portanto estes responsáveis pelo movimento do mesmo... É mole ou quer mais??? Fico pensando sobre as evidências e provas que Aristóteles junto para corroborar a sua tese... E penso ainda mais sobre o que seria da Civilização se continuássemos vítimas do mero constructo filosófico - ou achologia clássica -, baseado em nada mais nada menos do que autoridade...

Segundo Aristóteles existiria, então, uma última e imutável divindade, responsável pelo movimento de todos os outros seres, uma fonte universal de movimento, que seria, no entanto, imóvel... (???) Todos os corpos deslocar-se-iam em função do 'amor', rsrsrs, o qual nas últimas palavras do Paraíso de Dante, movia o Sol e as primeiras estrelas... Aristóteles nunca relacionou o movimento dos corpos no Universo com o movimento dos corpos da Terra...

E ele foi além, dizendo ainda que:


- A terra é o centro do universo, contrariando e desmentindo o seu contemporâneo Aristarco de Samos... O que indica que, parafraseando Umberto Eco, fazer afirmações sem provas sem foi e sempre será uma tolice... À despeito da 'contextualização', Aristóteles e Aristarco estiveram em igualdade de condições para errar e acertar... A linha divisória??? O Método Científico... O Método Dedutivo - e não indutivo - Baseado em Prova...
- O universo é perfeito e nunca muda - falso... É a imperfeição e não a perfeição que move o Universo, em constante transformação...
- Os objetos caem por que eles tem “natureza dentro deles” e então eles tendem a ir para a sua natureza, o centro da terra - o filho pródigo torna à casa torna... Não, mil vezes não...
- Um objeto para continuar com a mesma velocidade necessita de força/energia, se não ele pára... E a inércia??? Bastaria produzir experimentos para corroborar ou refutar esta asneira...
- A força só pode ser aplicada em um objeto através de contato físico... Ave 'eletromagnetismo'...
- A célebre 'Teoria do Movimento Não-Natural': Quando uma pedra é jogada para cima o movimento não-natural dura pouco por que o objeto necessita de mais força para manter o movimento; e o “desejo natural” da pedra é voltar para natureza (terra)... Putz...
- O mundo não consiste de partículas pequenas e indivisíveis, por que se não elas (partículas) iriam cair que nem as pedras caem... Ai ai, e lá de foi a Teoria Atômica, e pobre Demócrito...
- Existem quatro qualidades básicas que determinam a constituição de uma substância: umidade, falta de umidade, frio e calor... Rsrsrsrs... É sério...
- Sobre a conversão da água para vapor: O calor do fogo junto com a umidade da água cria o ar e a terra... Bastariam PROVAS...
- A escala da natureza: o éter acima de tudo; logo abaixo o fogo; depois a água; e, por último, a terra...

Somente na 'Filosofia', tais "leis do pensamento" e tais obviedades poderiam ter suscitado alguma admiração e respeito:

- A "Lei da Identidade: aquilo que é é"...
- A "Lei da Não-Contradição: nada pode ao mesmo tempo ser e não ser"...
- A "Lei do Terceiro Excluído: tudo deve ser ou não ser"...

Bom, ok, mas no mundo REAL as coisas funcionam de outra forma... Duvida??? Uma pedra pode ser ao mesmo tempo 'grande' e 'pequena'... Depende do referencial... Para Aristóteles o que contava era a forma e não a constituição das "coisas"... Sendo assim a Lua poderia parecer uma "estrela", um "lumiar", uma "esfera de cristal" brilhando no céu, e na realidade "ser" um rocha opaca que apenas reflete a luz do Sol... Portanto 'parece brilhar' mas na verdade ela não brilha...

Mas Aristóteles não disse asneiras apenas em relação ao Universo e à Natureza... Aristóteles postulou a existência da ALMA, e depois alegou que a "mulher" não dispunha de "alma", assim como "escravos, bárbaros e estrangeiros"... E justificou a escravidão... Alegou ainda que a mulher, os escravos e os animais não possuíam "almas", mas pelo menos os escravos e o animais possuíam a força motriz... Não é por acaso que a sociedade em seu tempo fosse mais do que machista, fosse 'misógina'...

O impacto da 'achologia' vai muito além das Ciências Naturais... Toda a Sociologia está montada sobre falácias que poderiam ser esclarecidas - e foram - cientificamente... Para citar: 'o homem é produto inequívoco do meio' - a tábula rasa -, 'a existência da alma' - o fantasma da máquina, e a falaciosa dualidade corpo e alma, ou corpo e mente -, 'o bom selvagem rousseauliano' - antes era melhor, mais puro, menos violento, etc... Falácias, nada mais do que falácias, desbancadas pela Antropologia, Genética, Etologia e sobretudo pela Neurociência...



Insisto ainda que existe a questão do tempo a perder em uma vida finita... Devemos acolher apenas enunciados lógicos, que possam ser comprovados pela experiência, seja através de telescópios especial e espaciais sensíveis à frequências que não detectamos cognitivamente, como o telescópio espacial Spitzer - sensível à radiação infra-vermelha -, ou o observatório Chandra - que pode observar o céu em raios-X com uma resolução angular de 0,5 segundos de arco, mil vezes mais acurado do que o primeiro telescópio orbital de raios-X lançado -, o observatório de raios Gama Compton, e o célebre telescópio espacial Hubble, responsável por analisar o espectro da luz visível, mas levando os nossos 'olhos' aonde não podemos efetivamente 'ir'... Ou enunciados que possam ser corroborados pela experiência, e por 'nossos' sentidos, mesmo quando ajustamos 'olhos especiais', que capturam o mundo subatômico em um acelerador e colisor de partículas como o LRC (CERN)...

Refuto aqui a ideia de que exista efetivamente um Método Indutivo, ou melhor dizendo, refuto a utilidade de 'induzir' ou 'inferir' enunciados e proposições apenas por meio do empirismo... De forma que, e para os fins de tornar-me ciente, pela prova, conjuro o Método 'popperiano' de Dedução Baseada em Prova... 

Essa não é somente a forma mais segura de testar a nossa LUCIDEZ e confrontar a REALIDADE... Esta é também a forma mais 'moral' de viver, e de fustigar a verdade pela prova, a caminho da Justiça...


Carlos Sherman


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