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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ilusão do livre-arbítrio



NIETZSCHE:

À BEIRA DA CASCATA — Contemplando uma queda-d'água, acreditamos ver nas inúmeras ondulações, serpenteares, quebras de ondas, liberdade da vontade e capricho; mas tudo é necessidade, cada movimento pode ser calculado matematicamente. O mesmo acontece com as ações humanas; poder-se-ia calcular antecipadamente cada ação, caso se fosse omnisciente, e, da mesma maneira, cada progresso do conhecimento, cada erro, cada malvadeza. O homem, agindo ele próprio, tem a ilusão, é verdade, do livre-arbítrio; se por um instante a roda do mundo parasse e houvesse uma inteligência calculadora omnisciente para aproveitar essa pausa, ela poderia continuar a calcular o futuro de cada ser até os tempos mais distantes e marcar cada rasto por onde essa roda a partir de então passaria. A ilusão sobre si mesmo do homem atuante, a convicção de seu livre-arbítrio, pertence igualmente a esse mecanismo, que é objeto de cálculo. 

('Humano, demasiado humano', 2000)

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