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sábado, 29 de junho de 2013

Ex Umbris Ad Lucem



Corre por aí a seguinte pergunta retórica:

Alguém pode me explicar porque um cara pode ser "ex-hetero" mas não "ex-gay"?

Aqui está - 'desembainhada' -, a minha resposta:

Seria simples, se você entendesse um pouco mais sobre o fenômeno da reprodução sexuada, e pudesse diferenciar sexo e gênero, e se estivesse familiarizado com a realidade evolutiva humana... Saberia por exemplo, e também, que de um lado está o 'padrão social hétero' e a pressão para que tal padrão se cumpra e se mantenha; e de outro lado a natural 'indefinição', que caracteriza efetivamente a 'complexa' sexualidade, e suas variantes na bissexualidade e homossexualidade... 

E a questão está mal colocada, propositadamente... O problema não é esse, o problema é que o afeto entre pessoas do mesmo sexo, ou a mera indefinição quanto à sexualidade. é parte do direito inalienável ao prazer e ao afeto... Ou seja, não podemos curar o 'desejo', não podemos curar a nossa 'natureza'... Mas vou deixá-lo com outra questão:

'Porque durante centenas de milhões de anos o 'sexo' não existiu??? E mais, porque o 'default', ou seja, o padrão na sexualidade entre os mamíferos é 'feminino', sendo que o 'masculino' deriva de uma variante evolucionária??? 

Você sabia que o sexo passou a existir depois da existência dos seres vivos??? Gestacionalmente somos todos 'femininos' até a sexta semana de gestação, e só então ocorre uma diferenciação... O problema é pensar que a 'sexualidade' é uma questão digital, tudo ou nada, macho ou fêmea... O problema é pensar a 'diferença' como erro, pecado, abominação... 

Somos maravilhosamente imperfeitos e imprecisos... Este é ponto... A ignorância começa por considerar 'sexo' e 'gênero' como a mesma coisa, e depois por considerar tal condição bipolar como uma dádiva divina, perfeita... O mar de ignorância segue ao considerar - no século XXI - que somos um corpo possuído por uma alma, e não apenas um corpo plenamente controlado por um cérebro... Um cérebro imperfeito, em meio ao processo evolutivo, e longe de ser uma obra-prima acabada, e divina... Esta sucessão de ignorâncias desemboca em uma gigantesca ignorância, que respeitosamente está configurada em sua pergunta... 

Pois bem, aqui fica endereçada a verdade... Espero que seja possível aproveitar o impulso... O transplante de cérebro é o único onde somente o doador é beneficiado... Talvez não seja verdade no seu caso, mas ainda assim vale o esclarecimento...

Ex Umbris Ad Lucem

Carlos Sherman

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