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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Somos o nosso Cérebro



Celia Schultz publicou:

Eu te amo, mas não de coração. Nunca irei te amar com meu coração. Meu coração é só um músculo, com válvulas, que pulsa e faz tum tum. Mas, numa dessas ele manda sangue para meu cérebro e esse sim, através de neurônios, sinapses, interpretações de experiência prazerosa, interações hormonais, podendo estar ou não relacionada à necessidade instintiva ou a arquétipos culturais...pode amar...
Quebrando o "crimax" eheheh

Alonso Therion: Nunca, fez foi criar um, hehe...

Betty Vidigal: Sabe, Célia..... eu sempre disse "amo com todo o cérebro", desde a adolescência... E uma professora de português, D. Olga Milhomens da Costa, uma doce criatura, chegou a corrigir, riscou o "cérebro" e escreveu coração... mas um dia... no fim do século passado, conheci uma cardiologista que me garantiu que a gente sente as coisas é com o coração mesmo... Brigamos muito, eu e ela --- briga de ideias, não de verdade. Até q um dia, de repente, tive um ataque de saudade dos meus filhos. Estão aqui, estão ótimos, mas são adultos. Tive um ataque de saudade daquelas crianças de uniforme, de lancheirinha pendurada a tiracolo, dos bracinhos, das bochechas... onde foram parar minhas crianças? Ninguém tirou elas de mim ---- exceto o tempo. E aí... a sensação era física, a sensação de uma garra apertando o coração. E descobri q minha amiga estava certa. A gente ama é com o coração, mesmo. Mas, como é uma sensação boa, não "dói". Precisa a gente sofrer pra descobrir q a dor de amar não é no cérebro, é noutro lugar.

Francisco Maximiano da Silva: Exatamente! Amamos com o cérebro! Neste caso Betty, o seu cérebro liberou ACTH pela hipófise que estimulou suas glândulas adrenais liberando as catecolaminas adrenalina e noradrenalina. Elas caíram na corrente sanguínea, chegaram ao músculo cardíaco e fizeram-no acelerar, dando também a sensação de aperto. Sem falar dos neurônicos parassimpáticos que inervam o músculo cardíaco e que, neste caso, estavam disparando loucamente sem parar.

Betty Vidigal: Whatever, Francisco................................. claro que tudo que a gente sente são coisas, é tudo culpa dos neurotransmissores, mas e daí?

Francisco Maximiano da Silva: E daí que tudo vem do cérebro!

Betty Vidigal: Yeah;;; mas às vezes a gente "sente" é com o coração.... Não que isso seja bom! 

Celia Schultz: As sensações partem do cérebro também...

Betty Vidigal: Isso! parte do cérebro!

Participei:

FANTÁSTICO, E UM BOM DIA A TODOS... INTELIGÊNCIA E 'SENSIBILIDADE' NA MANHÃ DESTA SEGUNDA... NÃO EXISTE DUALIDADE 'RAZÃO E SENSIBILIDADE', ASSIM COMO NÃO EXISTE A DUALIDADE 'CORPO E MENTE', E ASSIM COMO NÃO EXISTE O 'LIVRE-ARBÍTRIO'... SOMOS QUEM SOMOS SEM INTENCIONAR SÊ-LO, MAS SOMOS... E RESPONDERMOS POR ISSO... HUMANOS, TROPPO UMANOS... A REALIDADE É A ÚNICA FONTE EFETIVA DE MARAVILHAS... O RESTO É 'ILUSÃO', E DESVIOS COGNITIVOS DE CONFIRMAÇÃO... LUCIDEZ É SENSIBILIDADE... E NADA NOS DISTINGUE MAIS... ADOREI OS COMENTÁRIOS...

Mas 'Betty', o imageamento da dor se dá no cérebro... Você estava certa ao confrontar a professora e a cardiologista... A ideia de que 'sentimos' e até mesmo que 'pensamos' com o coração é mais um equívoco aristotélico, do qual nunca nos recuperamos... E no caso da cardiologista talvez um exagero profissional, que incorre em flagrante ERRO... Sentimos - 'sempre' - com o cérebro... E isso inclui dores e 'apertos no peito'... E se perde esta capacidade, em função de problemas neurais, perderá o 'aperto no coração'... Vide 'Mapa e Homúnculo de Penfield'... Sentimos com o cérebro, e SOMOS o cérebro... 

Sendo o transplante de cérebro o único em que o doador é o beneficiado... 

E mais Betty, um pequeno dano na região ventromedial - por exemplo - em seus lobos frontais, pode transformar você em uma pessoa incapaz de sentir 'saudade' dos seus filhos, dotada de uma personalidade social completamente diferente, o que modificará totalmente os motivos pelos quais o seu coração baterá mais forte... Irremediavelmente... Não há nada mais lindo, belo e estupendo como a realidade... Saber disso não subtrai nada da beleza de viver, somente esclarece e sofistica...

Betty Vidigal: Caro, Carlos. Não discuto. Assim como se alguém me der uma canelada na perna, o registro da dor se dará no cérebro, né? Mas SINTO na perna!

Na verdade não... Os sensores estão na perna, mas o imageamento da dor está no cérebro... Se buscamos bloquear esta dor atuamos no cérebro e não na perna... E mais, com sensores na perna 'intactos', se um derrame afeta a região de imageamento da perna, você simplesmente não sentirá a dor... Você sente uma aperto no peito quando tem medo, terror, amor, saudade... Isso porque o músculo se contrai... Mas o que comanda este aperto é o Cérebro, onde reside quem você 'é', o que você sente, e por quem sente... A viagem da maionese aristotélica, revivida até os nossos dias, e o imaginário popular leva você a relacionar esta contração muscular com saudade, ou amor... Quem 'sente', em termos de abstrações e percepções do mundo, é o cérebro, e o coração é afetado a posteriori, pela cadeia de efeitos já explicitada acima... E insisto, uma alteração no seu cérebro, impossibilitará você de sentir 'tal aperto'... Esta suposta poesia 'do coração que sente', nos levou à toda sorte de desprezo pelo cérebro em pela racionalidade... E isso é preocupante, e deve ser combatido... Não existe realmente poesia em um erro tão flagrante como este... Um leve distúrbio em seu cérebro, e seus filhos não serão diferentes de árvores e bicicletas... Somos o cérebro... Já o coração, lembre-se, uma bomba peristáltica, pode ser substituído à vontade, e no futuro poderá ser 100% artificial, sem que nenhuma alteração em nosso humor seja sentida... Simples assim...

O transplante de cérebro, insisto, é o único onde o beneficiado é o doador...

Betty, vou complicar ainda mais as coisas, rsrsrsrsrs, 'sem perna, você sentirá dores na perna'... Sem braço, você se sentará na minha frente, pedirei para que agarre um copo com o braço que você 'não tem', e você considerará que está agarrando o copo, e quando eu puxar este copo você 'sentirá dor no braço que não tem, porque eu movi um copo que você não estava segurando'... Você produzirá tudo isso na sua cabeça, sem braço, sem sensores, tendo apenas o imageamento do cérebro, que 'alucina' a existência do seu braço...

Na síndrome de Capgras, você, que sente um aperto no peito gostoso quando vê o seu filho, acreditará 'subitamente' que ele é um impostor... Sentirá um aperto no peito, de terror... E buscará uma faca para então 'assassiná-lo', como ocorreu nos Estados Unidos, onde a esposa matou o próprio esposo... Tudo isso está em nossos cérebros... A nossa construção, percepção do mundo, sensações e sentimentos... E este cérebro está em algum lugar em um processo evolutivo 'cego', de forma que, muito longe da perfeição platônico-aristotélica, nos deparamos 'bugs', falsos positivos, adesão sistemática à interpretações causais e simplistas, desvios cognitivos de confirmação, ilusões, delírios, e alucinações... Tudo isso é muito mais natural do que pensamos...

O juízo moral, por exemplo, depende de havermos comido ou não, e a quantidade de serotonina produzida, assim como a disposição de seus neuroreceptores... Baixas dosagens de oxitocina e vasopressina, assim como baixa distribuição de seus receptores, impedirão 'mães' de sentirem suficiente afeto por seus filhos...

Estes são fatos...

Betty Vidigal: Ah, então! foi isso que eu disse!

Quando sorrimos ao sermos surpreendidos por um ente querido, sorrimos com os 'gânglios basais', rsrsrsrs, movendo os músculos faciais... Mas quando esta mesma pessoa decide registrar o momento com uma foto, e pede um lindo sorriso, ele sempre sairá diferente, porque será comandado no córtex neuromotor... O que é lindo em tudo isso, é que quando uma pessoa tem um derrame no córtex neuromotor, o que paralisa um lado do corpo, de forma cruzada, ela não será capaz de dar o sorriso para a foto...Mas, mesmo após alguns anos, se surpreendida por um ente querido, ela será capaz de um lindo e verdadeiro sorriso... Porque os gânglios basais estão intactos... Tenho procurado, poeticamente, fotografar os sorrisos que recebo, honestos, com os gânglios basais... Rsrrssrrsrs....

Na verdade você disse que: "Mas SINTO na perna!"... Estou explicando que sente no cérebro... Porque mesmo que não tenha perna, alucinará 'uma', e sentirá dores, puxões, etc... Mas a questão Betty, e insisto, é que toda a sorte de desprezo pelo cérebro, foi cometida por esta linhagem de pensamento... O cérebro foi literalmente desprezado... As pessoas, falaciosamente dizem, 'não pense, sinta'... Isso não existe... E esta classe de equívocos tem piores consequências do que o mero solipsismo... Mas é isso, beijos, e um lindo dia...

Carlos Sherman

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