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domingo, 12 de janeiro de 2014

A ESTUPIDEZ ANTI-CIENTÍFICA!!!

Imagem do último desastre natural nas Filipinas...


Um professor de História da Universidade Federal de Tocantins, Bertone de Oliveira Sousa, publicou o provocativo texto "Neo-ateísmo ou a Estupidez Irreligiosa":

"Nos últimos tempos muito se tem visto na internet a ação de pessoas e grupos que, rotulando-se de ateus e inspirados nas ideias de Richard Dawkins e outros intelectuais, geralmente jornalistas e genericamente conceituados como neo-ateus, têm criado fóruns, perfis e grupos de discussão discutindo religião com base quase exclusivamente no achincalhamento, ridicularização de símbolos, doutrinas e outros elementos religiosos, além de acusações e usos equivocados de conceitos. Em geral, essas discussões não são pautadas em leituras, problematizações, debates, esclarecimentos, mas ironias, escárnios, tendo eles em comum uma forte antipatia por tudo o que é religioso. Por isso chegam mesmo a defender ideias em desuso, como a negação da existência histórica de Jesus Cristo, além de criticarem a Bíblia baseados, curiosamente, numa leitura literal que fazem dela. É preciso então compreendermos as raízes desse movimento para discutirmos sua manifestação.
A partir do século XX, Deus não era mais um problema para a filosofia. Com algumas poucas exceções como Sartre, a filosofia praticamente não se ocupou mais dessa discussão. Não porque o tema não fosse mais relevante, mas porque desde a constatação da morte de Deus por Nietzsche, o assunto ficou praticamente encerrado. Ainda no século XIX, Marx também já tinha se dado conta disso, quando, sem querer repetir Feuerbach, constatou que a teologia havia se humanizado, tornando-se política. No século XX, a questão de Deus passou a ser tema de uma teologia agonizante, que dividiu-se entre, por um lado, a reclusão no fundamentalismo e, por outro, sua própria problematização, no caso da teologia alemã, uma continuidade do método histórico-crítico. Já o fundamentalismo não é bem uma teologia, mas uma defesa, é um movimento religioso pautado no medo de aniquilação, por isso sua reafirmação contundente e constante de uma leitura literal e fechada da Bíblia. 
Fora da teologia, Deus se tornou um problema apenas na Biologia, pois, já que o evolucionismo está em seu campo de estudos, foi contra ela que se voltaram os mais ferrenhos ataques dos fundamentalistas. No meio de tudo isso, o neo-ateísmo já nasceu como um movimento ultrapassado. Esse movimento surgiu nos últimos vinte a trinta anos, no mundo anglófono e tendo em Richard Dawkins um de seus principais arautos. Dawkins constatou que a queda da qualidade da educação inglesa estava levando a um desenvolvimento do misticismo naquela sociedade. Diante disso, ele usou sua área de estudos para desferir ataques peremptórios à religião. E ao fazer isso cometeu vários erros grosseiros.
Um desses erros foi ter voltado seu ataque contra o Cristianismo, colocando-o como rival da ciência. Ao agir assim, ele tomou a Bíblia como uma narrativa literal e, consequentemente, como uma pseudoexplicação do mundo. Isso foi semelhante a ele ter tomado um romance por um tratado de história ou sociologia. Seu livro “Deus, um delírio” se tornou um best-seller e lhe rendeu muito mais fama do que talvez ele pudesse ter imaginado. Embora o livro não seja de todo descartável, é um culto à intolerância e uma afronta à inteligência. O que ele fez foi ter escrito um manual, uma Bíblia antirreligiosa. Nesse sentido, também Christopher Hitchens e Sam Harris caem nas mesmas armadilhas.
A questão é que a Bíblia e, por extensão, o Cristianismo, não são explicações do mundo. A Bíblia é uma mitologia, uma narrativa literária. Há um vídeo no Youtube de Silas Malafaia pregando em sua igreja sobre “Criação e Evolução”, em que ele usa a Bíblia e alguns artifícios “científicos” para refutar o evolucionismo e diz que a Bíblia dá um “show de ciência”. Como ele, há muitos outros que agem dessa forma. O que temos de fazer diante disso é rir e não tomar como afirmações sérias que mereçam nossa atenção.  Ciência e Teologia não falam sobre as mesmas coisas e quando os fundamentalistas atacam a ciência e a modernidade em nome de uma pretensa verdade “científica” da Bíblia, estão mais se defendendo do que propriamente atacando. Usar as mesmas estratégias deles para refutá-los é uma forma estúpida de lhes dar mais munições para arregimentar seguidores. Dawkins também protagonizou ações bizarras como no comercial em que aparece subindo em um ônibus que continha a seguinte frase: “talvez Deus não exista”. A ação, com ares de uma campanha religiosa, levou um clérigo inglês a comentar que, com isso, ele estava fazendo as pessoas pensarem em Deus e beneficiando a própria religião.
Outro erro de Dawkins é considerar que a religião é inerentemente infensa à liberdade e ao pensamento científico. Embora em muitos casos a religião de fato tenha obstaculizado o desenvolvimento da ciência, uma leitura de Max Weber nos fará perceber que o desenvolvimento científico e até mesmo econômico em muitos casos dependeram de um certo tipo de crença em Deus ou em deuses, de uma certa concepção religiosa. A sociologia weberiana é uma sociologia da ação e, para ele toda ação é racional, inclusive a religiosa. Seus estudos comparados das religiões mostram que elas contribuíram para uma racionalização do mundo e, no caso do Ocidente, o calvinismo foi decisivo para seu posterior desencantamento.  Em geral, os admiradores de Dawkins são pessoas que saíram da religião mas a fé religiosa não saiu deles.
Para termos uma ideia disso, basta vermos quem é o seu público. Se pegarmos o caso do Brasil, seus seguidores são pessoas de baixa escolaridade, de pouca ou nenhuma produção científica; em geral, são adolescentes, jovens que apenas se revoltaram contra a religião e viram em Dawkins a figura de um novo messias, devotando a ele um sentimento tão religioso quanto o dos fundamentalistas no campo oposto. São garotos que se revoltaram contra os pais e usam o ateísmo para manifestar isso. O que existe nos fóruns ateus da internet em geral não passa de verborragia ignorante. É uma juventude sem formação filosófica, humanística, sem leitura histórica, que acorda todos os dias e precisa estar nos fóruns e redes sociais da internet reafirmando seu ateísmo e confundindo crítica com insultos à religião. Não compreendem a importância da religião como força cultural. Eles não compreendem que a profusão de radicalismos e tendências religiosas em nossa época se deve a um deslocamento da política. Isso porque eles vieram de uma educação básica fraca, não sabem o que é crítica, nem discussão de ideias. A maioria desses jovens nunca leu Comte, Feuerbach, Russel, Foucault e alguns nem sabem que eles existiram. Muitos desses jovens defendem a evolução sem nunca terem lido Darwin ou falam de tolerância sem nunca terem lido Voltaire, Rousseau, Montesquieu.
[...] Enquanto isso não acontecer, teremos uma sociedade emburrecida, com uma juventude estupidificada tanto pela religião dogmática quanto pelo ateísmo evangélico de escritores igualmente dogmáticos como Richard Dawkins." 


Texto absurdo e falacioso… 

Antes de mais nada, Russell se escreve com 'll', e não concordaria com o seu texto, e tanto, que o próprio, serviu de inspiração para homens notáveis como Richard Dawkins, Carl Sagan, Kraus, DeGrasse, Christopher Hitchens, Sam Harris, Drauzio Varella, Steven Pinker, Oliver Sacks, etc... De entrada fica patente o seu maior problema, e que aliás trata-se de um 'amalgama clássico': 

(1) o desprezo pela Ciência (2) acompanhado da minimização do problema religioso, (3) com o endeusamento da 'falecida' sociologia... 
Explico:

(1) Nota-se a sua pouca ou nenhuma formação científica... Trata-se de uma clássico da área dita de Humanas, e que insiste em nada saber sobre 'humanos', sua fisiologia, neurologia, neuropsicologia, genética, comportamento e finalmente 'REALIDADE'... Existe um 'ciência para a crença'... Durkheim estava equivocado, 'omnia cultura ex hominem'... 

(2) Depois, é absurdo que olhe à sua volta e não perceba que estamos cercados de crendices, enquanto avançamos pelo terceiro milênio... E extrapolarei este ponto mais adiante... 

(3) Finalmente a Sociologia está inteiramente fundada sobre falácias... Esqueça Max Weber, Rousseau e Marx, e ESTUDE A REALIDADE... E pretendo primeiramente justificar estas afirmação, e farei a partir deste ponto: 

A Sociologia está fundada sobre severos equívocos, transformados em dogmas donde se pode, metaforicamente, falar em uma ‘Teologia do Social’... Lamento dizê-lo... A sociologia vê no comportamento humano o mesmo complexo de equívocos que levou crentes a afirmarem que as doenças – todas - eram causadas por possessão demoníaca... Desconhecimento, moralismo, crenças infundadas... Não, doenças não são, e nunca foram, causadas por possessão demoníaca; e aliás, não existem demônios, a não ser aqueles que fantasiamos... E não existe vantagem alguma em acreditar no que está ERRADO... Não pode haver portanto, como o autor afirmou - a importância da religião como força cultural -, nenhuma utilidade em acreditar naquilo que não é VERDADE...

Na Idade Média o boticário prescrevia mercúrio para curá-lo, e não bastaram as suas boas intenções, pois o acumulo de mercúrio no corpo destes pacientes os transformaram - mais cedo - em vítimas de seus 'bem-feitores'... Não bastam as ditas boa intenções religiosas, pois a religião de fato nunca constituiu mais do que um amuleto para tapar as lacunas da ignorância, que hoje podem ser preenchidas com conhecimento... Não, a religião nunca foi importante e positiva, e muito menos quando sabemos de seus males...

Os ditos 'sociólogos' de ontem e de hoje, se hão portado como uma seita, cultuando seus ídolos, reafirmando os seus dogmas, o que os aproxima da 'teologia', e apenas substituindo uma crença por outra... Não me surpreende a ojeriza pelo conhecimento e pela realidade... Na verdade, o que a Ciência demonstra todos os dias é que não precisamos de teólogos e nem de sociólogos, e os historiadores serão bem vindo se valorizarem o endereçamento científico da verdade... 

Antes que o autor me acuse de 'corporativismo' devo lembrá-lo, mais uma vez, que CIÊNCIA é a latinização da palavra CONHECIMENTO... Alguma coisa contra o CONHECIMENTO??? NÃO??? O Capitalismo adquiriu na Teologia do Social contornos demoníacos, intencionais, malignos, afinal toda crença necessita de 'gênio do mal', para que a salvação seja 'vendida'...


"Contar-se-ão nos dedos da mão, os comunistas que chegaram à Revolução pelo estudo do marxismo... Convertem-se primeiro e só depois leem as Escrituras..." - Albert Camus (O Homem Revoltado - L´homme révolté)


Longe do idealismo positivista de Augusto Comte, que cunhou em 1838 o termo Sociologie, os sociólogos trataram de entrincheirar-se de forma politeísta, mas severamente dogmática, em torno de Karl Marx  (1818-1883) e o seu panteão - Lenin, Fidel, Guevara, Platão, Aristóteles, Rousseau, Engels, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro et cetera -; sujeitos a uma espécie de ‘Santíssima Trindade’ do comportamento social: 1. A Doutrina da Tábula Rasa; 2. A Doutrina do Bom Selvagem; 3. A Doutrina do Fantasma na Máquina [Dualidade Corpo-Mente (Razão e Sensibilidade)]...  

1. A Doutrina da Tábula Rasa: 

“O homem é, em sua essência, produto do meio”- que Karl Marx tomou emprestado a Rousseau, que por sua vez tomou emprestado a Locke, que por sua vez revisitou a Platão... O termo Tábula Rasa, de origem medieval, é comumente atribuído a John Locke (1632-1704), no sentido de que o homem é uma folha em branco, onde a experiência tratará de escrever a sua história e nortear o seu comportamento:

“Suponhamos, pois, que a mente seja, como dizemos, um papel em branco, totalmente desprovido de caracteres, sem ideias quaisquer que sejam. Como ela vem a ser preenchida? De onde provém a vasta provisão que a diligente e ilimitada imaginação do homem nela pintou com uma variedade quase infinita? De onde lhe vêm todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, em uma única palavra: EXPERIÊNCIA.”

Esta célebre passagem do “Ensaio acerca do entendimento humano”, embora sedutora, está retumbantemente equivocada... Lamento informar... Mas Locke mirou em outras questões essenciais, obtendo importantes avanços, como o questionamento da autoridade da Igreja e o direito divino dos reis, assim como da realeza hereditária, e da escravidão; e isso a partir da ideia de que como o comportamento vem diretamente da experiência, sendo que experiências e histórias de vida diferentes, produzirão pensamentos e comportamentos diferentes... Durante os séculos XIX e XX, a doutrina da Tábula Rasa deu o tom de boa parte das Ciências Humanas e – sobretudo – Sociais...

Enquanto as Ciências Humanas já revisaram seus postulados e paradigmas, as ditas Ciências Sociais, em seus vieses sociais, políticos, econômicos e psicológicos, teimam em limitar o homem à doutrina da Tábula Rasa, como uma Sagrada Escritura... O ser humano, seu comportamento - e seus desdobramentos emocionais, sexuais, relacionamentos, associações, ambições econômicas e políticas - é entendido como ‘socialmente construído’... A Sociologia - como veem - foi erigida sobre fundamentos equivocados...

2. A Doutrina do Bom Selvagem:

“Sou tão livre quanto o primeiro homem da Natureza, antes de começarem as ignóbeis leis da servidão, quando o nobre selvagem corria solto nas florestas.” - John Dryden (1670, peça “A Conquista de Granada”)... Esta citação é comumente - e equivocadamente - atribuída a Rousseau...

O conceito do “bom selvagem” foi originado no período colonial, e emergiu do contato entre europeus e povos indígenas e primitivos - na África, América e Oceania -, e da crença de que os seres humanos - em seu estado ‘natural’ - são altruístas, pacíficos, serenos... A ganância e a violência nascem com a sociedade... Jean-Jacques Rousseau foi o grande defensor desta tese – teológica... Rousseau só não pôde explicar porque o nosso passado selvagem nos levou à sociedade... Por que não nos mantivemos selvagens??? Mas seria esperar muito de um homem que postulava tais “leis” sentado em sua escrivaninha, e sem a menor ideia da natureza humana, muito embora, tenha ousado descrevê-la... E muitos, até hoje, teimam em idolatrá-lo... Karl Marx foi um destes homens, e que literalmente copiou as ideias – equivocadas – de Rousseau, alterando alguns aspectos, para cunhar o seu próprio nome na história... Muitos mais viriam para seguir a Rousseau, antes de depois de Marx, e assim caminha a humanidade, de equívoco em equívoco, de idolatria em idolatria...

Em 1755 Rousseau escreveria:
“Muitos autores precipitaram-se a concluir que o homem é naturalmente cruel e requer um sistema de polícia regular para regenerar-se, porém nada pode ser mais manso do que ele em seu estado primitivo, quando posto pela natureza a igual distância da estupidez dos brutos e pernicioso bom senso do homem civilizado [...] Quanto mais refletimos sobre este estado, mais convencidos ficaremos de que era o menos sujeito de todos a revoluções, o melhor para  homem, e que nada poderia ter arrancado disso o homem a não ser algum fatal acidente, o qual, pelo bem público, nunca deveria ter acontecido. O exemplo dos selvagens, que em sua maioria foram encontrados nessa condição, parece confirmar que a humanidade foi formada para manter-se sempre nela, que essa condição é a verdadeira juventude do mundo, e que todos os progressos ulteriores foram muitos passos aparentemente em direção à perfeição dos indivíduos, mas de fato no caminho da decrepitude da espécie.” –amém...


- Não, Rousseau, a história, a saga humana, é um processo contínuo... Tal visão é infantil, e limitada, sob todos os aspectos, antropológicos, genéticos, evolutivos, neurofisiológicos... 

Rousseau não estava em condições de considerar todas estas questões relativas ao conjunto cumulativo de conhecimento científico, antes de ousar postular sobre a vida... Então por que se aventurou a postular sobre aquilo que soberbamente desconhecia? A troco de quê??? Rousseau, o próprio, nos dá as respostas... Em suas 'Confissões', na linha das 'Confissões' de Santo Agostinho – que buscava laboriosamente encontrar o mal em cada minúcia da sua vida cotidiana para confessá-lo -, Rousseau nos choca com a sinceridade de seu egoísmo – por exemplo, abandonando 5 filhos em orfanatos - e desonestidade – por exemplo, acusando injustamente uma criada de roubo, quando ele havia sido o larápio -, e nos dá algumas pistas sobre a motivação de seus escritos: "um prêmio oferecido pela Academia de Dijon"... Daí um mar de péssimas ideias: "Ciências, Literatura, Artes, são ácidos que corroem os costumes"... Cada fibra do conhecimento deriva de um pecado: "a Geometria provém da avareza, a Física da vaidade e da curiosidade vazia, e a Astronomia vem da superstição"...  A Ética, segundo Rousseau, "provém do orgulho"... "Os cientistas estão arruinando o mundo", e todo o tipo de "progresso é ilusão"... 

E por aí vai... Suas origens puritanas e calvinistas, nunca se calaram... 

Então Rousseau tomou estas péssimas ideias e as misturou com um resgate da 'República' platônica, preconizando outra sociedade utópica, fascista, e de “vida simples” como na “antiga Esparta”, publicando o seu 'Discurso sobre as Ciências'... Tal ensaio, em meio ao vazio insípido de ideias da época, foi um sucesso... Bombástico!!! E ele realmente ganhou o concurso... Rousseau, aos 38 anos, foi catapultado da obscuridade para a celebridade... Depois escreveria 'Discurso sobre a Desigualdade', onde não ganhou nada, mas aproveitou mais uma vez para fazer barulho e polemizar: “o homem é naturalmente bom, e somente por causa das instituições se torna mal”... Neste ensaio, ao invés de Platão, a inspiração vem de Thomas Hobbes (1588-1679), só que às avessas...

O termo ‘contrato social’ foi cunhado por Hobbes, mas Rousseau aplicou o termo em sentido diametralmente oposto ao sentido dado por Hobbes... Para Hobbes homens em “estado natural” precisariam de um “contrato social”, ou um conjunto de leis, para torna-los sociáveis e civilizados... Para Rousseau os “contratos sociais” vigentes eram "elaborados pelos ricos para subjugar os pobres"... Simples assim... Ao contrário de Locke e Hobbes, Rousseau considera em seu “Contrato Social” que o homem em seu “estado natural” – termo emprestado a Hobbes – não é ganancioso nem agressivo, mas sim pacífico, e em pleno estado de contentamento, e verdadeiramente livre... Baseado em que estudos antropológicos Rousseau afirma isso??? Não sabemos, mas sabemos ser inteiramente FALSO!!! Muitos estudos antropológicos mostram exatamente o contrário...

Mas Pinker, Steven Pinker, escreve o maior tratado de todos os tempos sobre a violência, 'Os Anjos Bons de Nossa natureza', e em 1.087 páginas que mereceram ser escritas, desbancando à 'fama' imerecida de Rousseau entre outros 'canastrões sociológicos'...

Rousseau salienta que a passagem do “estado natural” para o estado vil, o estado "civilizado", se dá por meio do 'advento' da "propriedade"... Meio forçado??? Muito, mas vai piorar... Rousseau segue afirmando que a desigualdade brota da instituição da propriedade privada... Em uma passagem famosa, embora lamentável, sentencia os termos de seu 'pecado original social': “o primeiro homem que, tendo cercado um pedaço de terra, pensou em dizer ‘isto é meu’, e encontrou pessoas simplórias o bastante para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade”... Na verdade havíamos deixado de ser catadores coletores para nos organizarmos como grupo, e apenas porque era melhor, e isso aos olhos das mesmas “pessoas simplórias” – termo vago... Rousseau é mais literário do que acadêmico, abusa de imprecisões, e adota claramente um tom messiânico... E joga pra galera... 

Mas Rousseau não explica o que acomete este "ser primitivo, puro", do sentido de propriedade... Também não olha ao redor para perceber que todos os grandes mamíferos são territoriais... Mas Rousseau, nem antropólogo, nem zoólogo, nem geneticista, nem neurocientista, parecia muito à vontade para 'achar coisas'... E haviam fiéis para segui-lo...

Outra citação falaciosa famosa, tomada de empréstimo por Karl Marx do 'Contrato Social' para ser o frontispício de seu Manifesto Comunista, é: “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”... A velha vitimologia, tão viva no marxismo de hoje, em estilo messiânico... As pessoas, sentencia Rousseau, não devem ser “medidas pela posição social, nem pelas posses, mas pela parcela da centelha divina que vê em todas elas; a alma imortal do homem natural”... Alma??? Imortalidade, centelha divina??? 

Rousseau empresta de Hobbes o conceito de “a guerra de todos contra todos”, só que de forma diametralmente oposta mais uma vez... Para Rousseau esta guerra provém da selva da civilização, enquanto Hobbes acredita que provém da selva primitiva... Os dois estavam errados... Rousseau também copia de Hobbes uma passagem de Leviatã, desta vez sem deformidades, o conceito magno do “direito fundamental” da autopreservação... E envereda pelo beco escuro e tortuoso da utopia, também trilhado por Marx, profetizando que quando a sociedade for degradada pela tirania e todos forem escravizados o “círculo se completará”, pois todos os indivíduos serão iguais quando nada forem... E só existe uma forma de redenção: "o povo deve ser soberano"... E lá está Marx, fiel seguidor, em seu 'Manifesto Comunista', propondo a ditadura do proletariado: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”

Marx não foi proletário, e muito menos empresário, aliás nunca trabalhou, e comete gafes incríveis em sua crítica ao capitalismo, como por exemplo desprezar a depreciação, manutenção, capital de giro, remuneração do capital, capital investido, capital de risco, et cetera... Mas o 'bufão hipócrita' foi sustentado pela fábrica têxtil de Engels em Manchester... Com os 'lucros' auferidos por Engels... 

O pensador Samuel Johnson (1709-1784), sepultado na Abadia de Westminster, dirige-se a Rousseau e a seus fervorosos adeptos: “a verdade é uma vaca que não mais lhes fornece leite, de forma que tiveram que ordenar o touro”... Voltaire (1694-1778) – sepultado na Igreja de Santa Genoveva, ironicamente à frente do túmulo de seu maior inimigo - Rousseau - foi mais contundente e mordaz:

“Recebi o seu último livro contra a raça humana e agradeço-lhe. Jamais tamanha inteligência foi usada com o propósito de fazer-nos parecer todos estúpidos. É de se desejar, após ler seu livro, caminhar de quatro. Mas como perdi este hábito há mais de sessenta anos, sinto-me infelizmente impossibilitado de retomá-lo.”

Em 1954 como celebridade, Rousseau foi convidado a retornar a Genebra, sua cidade natal, e estava muito feliz, e reconvertido ao calvinismo... Só que Voltaire também residia por lá... Rousseau, o puritano influente, tratava de apoiar a proibição da encenação de peças teatrais – lembram da corrosão dos costumes -, enquanto Voltaire de insurgia contra tal censura... Mas o destino reservaria uma surpresa a Rousseau, enquanto Voltaire riria por último do ‘falso’ puritano... O mesmo pensamento calvinista, reacionário e caduca, terminou por julgar o 'Contrato Social' um atentado a moral pública, e seus exemplares foram queimados na Praça Municipal de Genebra em 1762, assim como sua obra sobre educação: 'Emílio'...

Rousseau acreditava que o comportamento ruim era fruto do aprendizado e da socialização: “Os homens são maus; uma triste e constante experiência dispensa provas”... Rousseau não foi um exemplo de caráter - segundo ele mesmo... Mas essa maldade provém da sociedade, sentenciou: “Não existe perversidade original no coração humano. Não se encontra nele um único vício que não seja possível identificar como e quando entrou”... Esta é a autoindulgência de Rousseau, no melhor estilo agostiniano, e de São Tomás de Aquino... No melhor estilo da doutrina religiosa, e fundada no maniqueísmo religioso...

Rousseau, na falácia do bom selvagem, remete à brancura da folha em branco - da Tábula Rasa - às conotações morais adjacentes, limpo, claro, imaculado, cândido, puro, sem jaça, ilibado, virgem, assim como das respectivas perversões, marca, mancha, jaça, mácula, nódoa, e estigma...  Rousseau não era antropólogo, e pouco conhecia sobre os 'bons selvagens'... Toda e qualquer cultura primitiva, por mais isolada que tenha se mantido de 'nós', e por mais aferrada aos seus costumes, vivem de crendices, acreditam perdidamente no sobrenatural, escravizam outros grupos, desenvolvem hierarquias e sentido de posse, sem contar os incontáveis casos de canibalismo, sacrifícios humanos, e atrocidades cometidas em tempos de guerra, com rituais deploráveis - sob a nossa perspectiva - para com os guerreiros perdedores... cabeças decepadas que são utilizadas em alegres jogos, crânios transformados em tigelas et cetera... O potencial criativo e empreendedor humano, in natura, nos impulsiona 'naturalmente' para a composição social... Basta um pouco de conhecimento antropológico para entender que a organização do trabalho mostrou-se mais efetiva do que a sina dos catadores coletores... Só Rousseau não viu...

Marx também copiou Rousseau na canalhice, enviando um filho ‘bastardo’ para adoção, enquanto quatro outros filhos morreram de inanição... Marx não diminuiu o número de charutos nem as noitadas na taverna, muito menos a insistência em aparentar um estilo aristocrático, para poder alimentar sua família... Era sustentado pelo “excedente” que o ‘empresário’ Engels obtinha pela 'exploração dos trabalhadores' de sua fábrica têxtil em Manchester... Mas esta é uma outra estória dentro da História...

3. A Doutrina do Fantasma na Máquina

“Existe uma grande diferença entre mente e corpo, porquanto o corpo é por natureza sempre divisível, e a mente é inteiramente indivisível [...] Quando considero a mente, vale dizer, eu mesmo, na medida em que sou apenas um ser pensante, não posso distinguir partes de mim, mas aprender-me como claramente uno e inteiro; e embora toda a mente pareça unida a todo o corpo, se um pé, ou um braço, ou alguma outra parte do corpo for separada do corpo, percebo que nada foi tirado de minha mente. E as faculdades de querer, sentir, conceber etc. não podem, com acerto, ser consideradas suas partes, pois é a mesma mente que se ocupa de querer, sentir e entender. No entanto é muito diferente no caso de objetos corpóreos ou dimensionáveis, pois não existe algum imaginável por mim que minha mente não possa facilmente dividir em partes. [...] Isto bastaria para ensinar-me que a mente ou alma do homem é inteiramente diferente do corpo, caso eu já não tivesse avaliado isso a partir de outras premissas.” – René Descartes (1596-1650)

Um corolário repleto de asneiras, a Doutrina da Dualidade Corpo e Mente... Mas antes que levantem as bandeiras da contextualização eu pergunto: se não sabia por que não se calou??? Por que outros em sua época não se expuseram ao ridículo desta maneira??? Esta é uma questão de caráter, de temperamento e AMBIÇÃO!!! Descartes buscava notoriedade, e queria contestar a Hobbes... E neste conceito, está enganado do início ao fim... 

Descartes não é um baluarte da 'Ciência' e sim da Sociologia e a da Teologia... O 'deus' teológico é o 'primeiro motor' aristotélico, que 'move' os falaciosos argumentos 'ontológicos e cosmológicos', e que nada mais são do que um novo nome no 'imperativo categórico' kantiano, e uma falácia nomotética para 'luta histórica de classe' marxista... Tudo farinha do mesmo saco 'crente'...

Preencher as lacunas do desconhecimento com 'deuses' e AFINS, foi e continua sendo desprezível...

Descartes, por exemplo, experimentaria uma tremenda divisão em sua mente, com um braço tentando enforcá-lo enquanto o outro tenta protegê-lo, e poderia ter vivenciado tal fenômeno em um plantão médico neurológico... Problemas, tumores nos corpos calosos, responsáveis pela conexão entre os dois hemisférios cerebrais, acarretam a ‘divisão da mente’, pela divisão do cérebro... 

Sobre almas, rsrsrs, sem comentários... Mas o pior em tudo isso, é que aqueles que leem apenas o resumo sobre filósofos e pensadores, sacam a absurda conclusão de que Descartes é um marco na história da Ciência, quando na realidade é exatamente o oposto disso... Descartes mantém e joga um holofote sobre a velha besteira platônico-aristotélica da dualidade corpo e mente...
  
O filósofo Gilbert Ryle (1900-1976), foi um detrator desta falácia, cunhando o termo ‘Ghost in the machine’- nome de um dos memoráveis álbuns da banda inglesa The Police:
“Há uma doutrina sobre a natureza e o lugar da mente de tal modo prevalecente entre os teóricos e até entre os leigos que merece ser designada como a teoria oficial [...] A doutrina oficial, que procede sobretudo de Descartes, é mais ou menos como descrita a seguir. Com a duvidosa exceção dos idiotas e das crianças de colo, todo ser humano possui um corpo e uma mente. Alguns prefeririam afirmar que tanto um corpo como uma mente. Seu corpo e a sua mente normalmente estão atrelados um ao outro, mas depois da morte do corpo a mente pode continuar a existir e funcionar. Os corpos humanos existem no espaço e estão sujeitos às leis mecânicas que governam todos os outros corpos no espaço. [...] Mas as mentes não existe no espaço, nem suas operações estão sujeitas a leis mecânicas. [...] Eis o esboço da teoria oficial. Com frequência me referirei a ela, com o intuito pejorativo, como ‘o dogma do fantasma na máquina’”...

O ‘fantasma na máquina’, assim como ‘o bom selvagem’, emergiram como oposição filosófica a Hobbes, que argumentava que a vida poderia ser explicada em bases mecânicas... Ele esteve 'quase' lá... A luz excita nossos nervos e é mapeada e decodificada em nosso cérebro, e referenciada em nossa memória, e a isso chamamos enxergar... Descartes rejeitou a ideia de que a mente poderia operar segundo princípios físicos... Para ele, por exemplo, o comportamento, e em especial a fala, não era causado por nada, e sim “livremente escolhida”... Ele diz que não podemos duvidar da existência de nossa mente - ok - porque o ato de pensar pressupõe que nossa mente existe: penso logo existo (Cogito ergo sum)... Mas por outro lado, afirma que podemos duvidar da existência de nosso corpo, pois podemos nos imaginar como “espíritos imateriais, que apenas sonham ou têm alucinação de que estão encarnados”... Não Descartes, não podemos... Podemos imaginar que estamos voando, ou imaginar que somos azuis, mas não seremos azuis, nem voaremos, de fato... Puro sofisma...

Mas além do ‘truque’, Descartes encontrou um bônus moral para a dualidade corpo e mente: apartar-nos da natureza... “Nada há de mais eficaz para desviar espíritos fracos do caminho reto da virtude do que imaginar que a mente do animal é da mesma natureza que a nossa e que, em consequência, depois desta vida não temos nada a temer nem a esperar, assim como as moscas e formigas.”... Sim Descartes, assim mesmo... Como formigas e moscas... Mas com um nível mais elevado de atividade cerebral, não em função do 'tipo' de neurônios, mas pelo 'grau' de processamento neural... Sim, somos animais, somos parte da natureza, compartilhamos o mesmo 'tipo' de células neurais que os demais seres vivos dotados de sistemas neurais...

Ryle explica o dilema de Descartes:
“Quando Galileu mostrou que seus métodos de descoberta científica eram adequados para fornecer uma teoria mecânica que deveria abranger tudo o que ocupa espaço, Descartes descobriu em si mesmo dois motivos conflitantes. Como homem de gênio científico, não podia deixar de concordar com as proposições da mecânica, e contudo, como homem religioso e moral, não podia aceitar, como Hobbes aceitava, o desalentador corolário dessas proposições, isto é, que a natureza humana difere apenas em grau de complexidade do mecanismo de um relógio.”

E Descartes, temia a morte, preferindo fantasiar a imortalidade...

Charles Robert Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913), viriam para sacudir o mundo, provando que a nossa mente não difere de um relógio apenas pela complexidade – isto estava errado -, mas a alegação é válida para uma lesma, ou uma raposa, um macaco... Darwin sentenciaria em 'A Origem das Espécies' de 1859: “A diferença do cérebro humano e de os outros animais é de grau, e não de tipo.”... Pensamos com os mesmos neurônios que um camarão, a mesma unidade fundamental em termos de Biologia Molecular... Só que desta vez não estamos especulando... Estamos vendo, medindo, provando...

Mas entendo que deva parecer consternador, aceitar que o amor, a dignidade, as escolhas, a responsabilidade, são meras funções moleculares... De forma que os críticos atacam a ciência da mente – a real – com os adjetivos 'reducionista' ou 'determinista'... Eles não sabem bem o que estão dizendo, mas sabem que isso deve ser ruim, e pode funcionar com oposição... Muitos especulam sobre os ‘transplantes de cérebro’, quando na realidade deveriam especular sobre os ‘transplantes de corpo’- como observou Daniel Dennett -, posto ser a única operação de transplante que beneficia totalmente o doador, rsrsrsrs...

Descartes, o homem que ainda crê em fantasmas, é presunçoso a ponto de imaginar ter descoberto uma "nova ciência", tratando de edificá-la em seu pomposo compêndio 'Projeto para uma Ciência Universal, Destinado a Elevar Nossa Natureza Até o Mais Alto Nível de Perfeição'... Na verdade o título já pressupõe um fim dogmático e moral, e nunca uma Ciência ou Caminho para o Conhecimento... Descartes, de fato, imitava os textos mais populares de Montaigne, como os 'Ensaios' - repleto de divagações auto-irônicas -, abrindo o seu Discurso com uma astucioso referência ao seu predecessor: "o bom senso é a coisa mais equanimemente distribuída no mundo"... É??? Não parece... Montaigne não é a única fonte de Descartes, que também copia e repete muitas das crenças de Santo Agostinho...

As famosas palavras 'cogito ergo sum', elegantemente traduzidas para o português como 'penso, logo existo', não estavam na versão original das 'Meditações'... As palavras realmente escritas por Descartes são bem menos admiráveis, algo como:

"[...] deixe que o demônio me engane o quanto puder, ele nunca fará nada com que seu seja nada enquanto eu pensar que sou algo. Portanto, depois de considerar tudo de maneira muito completa, devo concluir que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira, cada vez que eu digo ou a formulo em minha mente"...

Sobre o 'fantasma' e o conceito de alma, devemos muito a Platão (427-347 AEC) e Aristóteles (384-322 AEC)... Sócrates (469-399 AEC), ao que tudo indica - pelo simples fato de que nada escreveu, e dependemos de Platão, Diógenes Laércio, Xenofonte, para entender o a sua linha de pensamento -, tem um papel fundamental na separação do pensamento grego, antes direcionado para a interpretação do mundo natural de do homem como parte integrante da natureza ou physis - pelos ditos pré-socráticos -, para o mundo da ideias ou do mundo que conhecemos hoje como filosófico... Sócrates, no entanto, somente deslocou a atenção do mundo natural para o mundo das ideias, mas seria Platão quem trataria de denegrir o conceito de homem natural por completo, para destacar o conceito metafísico de alma, e dotado-a de toda a responsabilidade pela moralidade, enquanto o corpo se desvanece secundário, inútil, em sua 'vã filosofia'... Platão considerava, em sua 'teoria evolutiva', que deus havia criado o homem perfeito, e a sua degeneração produziu a mulher, que finalmente degenerou para originar os animais... No 'Timeu' sentencia:

"Apenas os homens são criados diretamente pelos deuses e recebem almas. Aqueles que vivem de maneira justa retornam às estrelas, mas os que são covardes ou seguem vidas iníquas, podem com razão esperar ser convertidos para a natureza das mulheres no segundo nascimento."

É mole ou quer mais?

Aristóteles mantém o equívoco em riste e piora, mas mete-se com o corpo humano para postular toda a sorte de asneiras, como por exemplo que "um lado do corpo é mais frio do que o outro", o cérebro é uma especie de radiador "esfriando o sangue", enquanto o coração é a parte "pensante" do corpo, e localizando a alma na região da nuca... Também postula que a mulher não tem alma - enquanto Platão sugeria que talvez ela tivesse, embora fosse inferior à alma do homem -, e diz ainda que escravos e animais são igualmente destinados à serem dominados, com o fim de executar trabalhos motrizes, e possuidores de "almas inferiores"...

"É melhor para todos os animais domesticados serem governados pelos seres humanos. Pois assim é que se mantêm vivos. Do mesmo modo, o relacionamento entre macho e fêmea é por natureza tal que o macho ocupa a posição mais elevada e a fêmea a mais baixa, de modo que o macho domina e a fêmea é dominada."

E os absurdos seguem nesta linha, Aristóteles - o taxonomista generalista BÊBADO -, apesar de meter-se com o corpo e com tudo o mais que lhe passasse pela vista, desprezou, assim como Platão, a importância do corpo em prol do enaltecimento do intelecto, das ideias, que fatalmente decorriam da ALMA, ou de nosso fantasminha na máquina cerebral, que segundo ele, estava no lugar do coração, enquanto o fantasminha residia na nuca...

Hipócrates (460-370 AEC) mesmo não sendo propriamente um pré-socrático, na acepção do conceito, já duvidava do sobrenatural, enquanto Platão e Aristóteles o enalteciam:

"Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas." - Hipócrates (Pai da Medicina)

Outros, como Leucipo de Mileto (primeira metade do século V AEC) - mestre de Demócrito, sendo considerado o verdadeiro criador do atomismo -, Demócrito de Abdera (460-370 AEC) - estudou a physis, a natureza, teorizando sobre o átomo, o vazio, e o Universo infinito, e influenciando pensadores como Epicuro e Giordano Bruno, entre outros, enquanto era odiado por Platão, que desejava ver as suas obras queimadas, ao que Demócrito 'ria' às gargalhadas -, Epicuro de Samos (341-271 AEC) - o primeiro grande naturalista -, Aristarco de Samos - que pela pprimeira vez colocou a Terra onde realmente está, orbitando o Sol -, pensavam a REALIDADE:

"Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. 
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? 
Por que razão é que não os impede?" - Epicuro

Aristarco de Samos (310-230 AEC) foi o primeiro a propor que a Terra girava em torno do Sol (sistema heliocêntrico) e que a Terra possuía movimento de rotação... Por tal afirmação, foi acusado de impiedade por Cleanto, o Estóico - estóico pero no mucho... Isso enquanto Aristóteles escrevia e escrevia asneiras sobre o Cosmos, postulando à vontade, sem medo de ser feliz... Se Aristarco e Aristóteles compartilhavam o mesmo contexto, o que os diferia??? A atitude científica de Aristarco, contra o puro 'constructo' - ou divagação mental - de Aristóteles... Aristarco calculou também as dimensões e distâncias do Sol e da Lua... Aristarco concluiu que o Sol estaria 20 vezes mais distante da Terra do que da Lua, mas embora tenha errado no cálculo, o seu procedimento estava correto... Aristarco também procurou calcular o diâmetro da Lua em relação ao da Terra, baseando-se na sombra projetada pelo nosso planeta durante um eclipse lunar e concluiu que a Lua tinha um diâmetro três vezes menor que o da Terra, sendo que o valor correto é 3,7 vezes... Também calculou, com mais precisão do que a dos antigos sábios, a duração de um ano solar... Embora obtivesse muitos erros em seus resultados, o problema estava mais nos instrumentos utilizados por ele do que nos seus métodos, que eram corretos... Aristarco tinha bom senso... Para ele, seria mais natural supor que um astro menor girasse em torno de um maior, que era uma opinião diferente da dos seus antecessores, contemporâneos e predecessores por quase 2.000 anos...

Infelizmente os escritos que sobreviverem e foram proliferados como praga, foram os escritos platônicos e aristotélicos, reavivados pelas mentes doentias de Al-Ghazali, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, entre tantos outros, sendo parte central e recorrente do pensamento ocidental até os nossos dias... 

Concluindo sobre a falência da Sociologia, devo dizer que poderíamos elaborar uma enciclopédia de asneiras partir das obras de Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, e parte importante dos escritos de Rousseau, Durkheim, Max Weber e Descartes... 

As profissões de filósofo e sociólogo, ganharam severo desprestígio nos últimos tempos, significando vacuidade e especulação vazia, mas assim como a teologia, tais ideias se encontram terrível e incrivelmente enraizadas em nossas vidas modernas... E tais protagonistas são endeusados por aqueles que não sabem sequer quem eles realmente foram, o que realmente disseram, propuseram, ou quais os seus exemplos em vida... 

Mas comecei falando da Teologia do Social – ou Sociologia – e gostaria de retomar o conceito, mas sem antes fazer a seguinte observação: as teorias sociais - posto que não atingiram de fato o status de ciência, e não produziram paradigmas - sofrem da mesma convergência que as doutrinas religiosas, aproveitando ideias anteriores, e expurgando alguns pontos, mantendo outros, acrescentando algo mais em função da época... 

Foi assim que Rousseau bebeu das fontes platônicas, agostinianas, assim como de Locke e Hobbes, e depois dele, Marx faria o mesmo trabalho, rescrevendo com os termos de época a 'achologia rousseauliana'... A Psicologia vive o mesmo desafio, livra-se da crendice 'freudiana' - mas este é outro papo... 

As verdadeiras ciências encontram paradigmas - consenso teórico e experimental -, e trabalham para superá-los, de forma que caminham de maneira cumulativa, e dispondo de severos métodos de correção...

Mas voltemos ao Leviatã - não o de Hobbes -, o Leviatã Bíblico; que é derrotado por deus, e que não economiza palavras para se gabar a Jó:

“Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com uma corda? Podes pôr um anzol no seu nariz, ou com um gancho furar a sua queixada? Porventura multiplicará as súplicas para contigo, ou brandamente falará? Fará ele aliança contigo, ou o tomarás tu por servo para sempre? Brincarás com ele, como se fora um passarinho, ou o prenderás para tuas meninas? Os teus companheiros farão dele um banquete, ou o repartirão entre os negociantes? Encherás a sua pele de ganchos, ou a sua cabeça com arpões de pescadores? Põe a tua mão sobre ele, lembra-te da peleja, e nunca mais tal intentarás.“ - Jó 41:1-8

É ridículo imaginar um deus dando uma de gostosão e zombando de um monstro teoricamente assustador... Mas deixemos isso de lado, porque muito mais interessante é a convergência de crenças... O exemplo correspondente para os gregos foi a vitória de Zeus sobre Tifão, o filho mais novo de Gaia, a deusa Terra... O corpo de Tifão, diz a lenda, era metade homem metade cobra, e era enorme, e tão alto que “sua cabeça batia nas estrelas”, e “seus braços se estendiam do nascer ao por do sol”... De seus ombros, segundo os relatos de Hesíodo, saiam centenas de cabeças de serpentes... Todos com línguas de fogo, enquanto “labaredas dardejavam de seus muitos olhos”... E este monstro terrível teria de tornado o senhor da criação se Zeus não o tivesse derrotado pessoalmente em combate... A semelhança com outra façanha mítica, a vitória de Indra – rei do panteão védico – sobre a serpente cósmica Vritra, é inevitável... Muitas outras histórias de deuses enfrentando Leviatãs, poderiam ser contadas...

Todas essas lendas são, nas palavras da mitologista e arqueologista Jane Harrison (1850-1928), “acima de tudo, um protesto contra a adoração da Terra, e os daimones – demônios - da fertilidade da Terra”... “O culto dos poderes da fertilidade, incluindo toda a vida vegetal e animal, é suficientemente amplo para ser forte e saudável [...] mas como a atenção do homem centra-se cada vez mais em sua própria humanidade, uma tal adoração é obviamente fonte de perigo e doença.”...

Em nossa busca frenética - e sociológica - por dar destaque à nossa 'cultura', em detrimento do estudo da natureza e da natureza humana, terminamos por reinventar o Universo e a Vida forçando uma tremenda barra, para manter imortal a nossa arrogante existência, e exacerbá-la de aspectos morais; e a posteriori, enquanto a ciência tratava de desconstruir toda esta farsa, nos embrenhamos mais e mais na falácia social, último reduto da resistência covarde que teima em não aceitar a nossa beleza humana naturalmente mortal... 

Somos humanos, troppo umanos... Nem bons, nem maus, por natureza... Seres vivos, com algum grau de complexidade, mas parte integrante e indissolúvel da natureza... Vagando pelo espaço neste planetinha perdido, em torno de um Sol modesto, na periferia de uma galáxia entre bilhões de outras... Não vamos a lugar nenhum, mas mesmo assim, é fabuloso viver...

Somos seres vivos, complexos, e nosso comportamento decorre da resultante entre a nossa forte impulsão genética, nossa experiência intra-uterina, os imprimtings das primeiras horas, dias, meses e anos, sobre o ‘cimento fresco de nossa genética’, nossa constituição neurofisiológica, nosso complexo bioquímico, nossa experiência, educação, doutrinação, o ambiente histórico e cultural, a cadeia de eventos de nossa vida et cetera... 

Lembrando sempre que a nossa capacidade de aprender depende de nossa genética... Somos individuais, não somos máquinas, mas o livre-arbítrio é só mais uma falácia... Convivemos com ‘bugs’ em nosso cérebro, posto que a nossa criatividade abre espaço para ilusões, e tateamos entre deuses, superstições, e as maravilhas do conhecimento cumulativo e científico, e as artes... Somos incrivelmente versáteis, e particulares, diferentes... Mas sem almas, nem livre-arbítrio, nem folha em branco... 

É a partir desta perspectiva, e abandonando as Doutrinas da Teologia Social, que superaremos nossas desigualdades, racismos, opressões, pelo pleno entendimento da natureza humana... Sem culpados e sem inocentes... Almejamos um Estado que assegure liberdade e igualdade – de tratamento -, para que as nossas diferenças se manifestem e sejam acomodadas... Isso decorre do pleno entendimento da natureza humana, e não mais de postulados sociológicos - como a encomenda de Lenin a Pavlov, "a construção do novo homem", ou a eugenia de Hitler...

Esta é a verdade... Descubra quem somos, quem você é, e seja de propósito... Não viva de ilusões sociológicas, religiosas, psicológicas e febris... Não somos nem bons nem maus selvagens... E o homem civilizado não é nem bom nem mal... Daí advém o preconceito anti-capitalista, anti-ocidental, anti-globalização.... Falácias que vem sendo construídas por um antiga e equivocada noção do comportamento humano... Buscamos a associação, e a vida em sociedade, voluntariamente... Sem demônios... E devemos assegurar o direito de viver nossas diferenças, permitindo a assegurando a troca voluntária e pacífica, e o fluxo contínuo de nossos sistemas políticos e econômicos, a partir do melhoramento contínuo... 

Somos diferentes e desejamos de forma 'inata' empreender... Estamos melhorando a vida humana, ou pelo menos ajustando dia a dia, geração a geração, e a partir de parâmetros objetivos: diminuição da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida, maior acesso à saúde, e às fontes de alimento e água... E isso tudo enfrentando a realidade de sermos 7 Bilhões de pessoas... O prazer sem igual de gozar a experiência de viver, seja enfrentando dificuldades, seja celebrando as nossas conquistas, serão plenamente e inequivocamente vividos em nosso cérebro... Os nossos cálculos, a nossa poesia, os anos vividos, os beijos dados, os carinhos recebidos, a emoção sentida, tudo isso depende da Ciência do Cérebro Humano...

As ideias de filósofos e pensadores, se capturadas pelo 'zeitgeist' - ambiente - de época, podem perdurar por anos, séculos, milênios... Seus reflexos podem infiltrar-se em lugares e questões inimagináveis... William Godwin (1756-1835), um dos fundadores da política liberal, escreveu que "as crianças são uma espécie de matéria-prima posta em nossas mãos", e suas mentes são como "uma folha de papel em branco"... Em tom mais sinistro e cínico, Mao Tsé-Tung justificou sua radical "engenharia social" dizendo que "é numa página em branco que se escrevem os mais belos poemas"... Foram 30 milhões de mortos, corrupção em massa, e tremenda injustiça social em plena fábula socialista... 

A Doutrina da Tábula Rasa também inspirou a Walt Disney, "imagino a mente da criança como um livro em branco. Durante os primeiros anos de vida, muito será escrito nestas páginas. A qualidade destes escritos afetará profundamente sua vida"... Walt Disney estava equivocado sobre a folha em branco, mas pode ter antecipado os imprintings que a mente recebe em seus primeiros anos, muitas vezes, como desfecho do processo fisiológico...

Locke não podia imaginar que suas ideias inspirariam o Bambi, nem Rousseau poderia imaginar-se co-diretor de Pocahontas, a exemplo mais vivo da Doutrina do Bom selvagem... Rousseau não poderia ter imaginado que estaria representando nas páginas do Boston Globe, de pesamento igualmente puritano, no editorial do Dia de Ação de Graças: "Eu diria que o mundo que os nativos americanos conheciam era bem mais estável, mais feliz e menos bárbaro que a nossa sociedade atual. [...] não havia problemas de emprego, a harmonia era grande, não existia abuso de substâncias tóxicas, o crime quase inexistia. A guerra que havia era grande medida ritualística e raramente resultava em matança em massas e indiscriminada. Embora ocorressem tempos difíceis, a vida, o mais das vezes, era estável e previsível. [...] Pois os nativos respeitavam o que os circundava, não havia perda de água ou recursos alimentícios decorrentes de poluição ou extinção, nem escassez de matéria-prima para os artigos básicos da vida, como cestas, canoas, abrigo ou fogo"...

A Doutrina do Fantasma na Máquina também tem os seus adeptos, como George W. Bush que em 2001 anunciou que o governo americano não financiaria pesquisas com células-tronco... Esta ignóbil decisão, além da co-produção de Platão, Aristóteles e Descartes, teve a participação de 'filósofos e pensadores religiosos', que 'sabiamente' alicerçaram suas ideias na existência - inequívoca - da alma... Uma questão vital para nós, seres humanos no século XXI, foi decidida com bases nas crenças infantis dos dois últimos dois milênios, do pensamento dominante, que embora tenha se auto-intitulado 'revolucionário' e 'moderno', não passou de um dogma tradicionalista e conservador... O que há de novo no marxismo??? O que aportou efetivamente à humanidade além do incremento do repúdio às ditaduras em pele de 'discurso comunitário'???

Homens éticos - logo céticos - livres, solidários, pensantes, UNI-VOS!!! Não para tomar o poder, como apregoava o 'Manifesto Comunista', mas para dar clareza à humanidade, libertando mais homens, e transformando pacificamente a sociedade... Pouco a pouco, e continuamente...

Mas assim caminha a humanidade... So, keep walking...


Não existe 'o problema do mundo', existem muitos problemas, e que se repetem ao longo de dezenas de milênios em um processo 'contínuo'... E não existem 'culpados pelo problema'... Trata-se de um processo convergente - pelo melhoramento - e contingente - variabilidade genética, cultural, tecnológica, climática, demográfica, linguística, geográfica -, e cuja má interpretação, levou milhões ao flagelo da opressão tirânica, e de mais pobreza, nas mãos 'messiânicas' do comunismo ou de ditaduras de direita... Qual é o lado do poder???

"O DESEJO DE SALVAR A HUMANIDADE É QUASE SEMPRE O DISFARCE PARA O DESEJO DE CONTROLÁ-LA." - Mencken 

"O poder é como o violino: toma-se com a esquerda e toca-se com a direita" Esperidião Amin, político catarinense (Stycet 1996)


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Além da dificuldade que os estudantes das áreas 'ditas' de 'humanas' enfrentam para entender as mais diversas Ciências, não existe espaço para 'invencionismos de ocasião' e 'revoluções estapafúrdias', senão o trabalho sério de ENDEREÇAMENTO DA VERDADE, o que esvazia de um só golpe a 'vitimologia' e o 'maniqueísmo' sociológico... muros foram erguidos para afastar toda e qualquer chance de compreensão da realidade...

O autor do desvario acima, deve considerar as contribuições científicas que passarei a citar, como ultrajes e 'heresias': 

1) A descoberta de que o nosso 'mundo' - ou mundinho - não está no centro de um fantasioso sistema composto por 'perfeitas esferas cristalinas', criadas decorativamente por um deus mágico, somente para iluminar a noite; e que na verdade o nosso 'mudinho' é muito menos do que um grão cósmico, perdido em meio a três sextilhões (3x10^23) de outras 'esferas' - nem tão esféricas - de plasma, onde o Hidrogênio é fusionando para produzir toda a Tabela Periódica; 

2) A descoberta de que não somos as criaturas especiais e diletas daquele deus 'decorativo', e que na verdade descendemos de animais, e somos resultado de um processo evolutivos, de onde compartilhamos com eles - animais - as mesmas unidades elementares da vida e pera o pensamento e consciência; 

3) A descoberta de que a nossa mente 'consciente' não 'livre-arbitra' e nem controla o modo como agimos, mas na verdade a nossa mente apenas nos conta uma estória 'remontada e continua' sobre nossas vidas; uma estória por vezes fantasiosa, mas sempre pessoal e subjetiva...

4) A descoberta de que não somos uma 'tábula rasa', nem uma folha em branco preenchida apenas pela experiência, e muito menos pela engenharia social, e que não somos um mero produto do meio; 

5) A descoberta de que a doutrina sociológica do 'bom selvagem' é uma falácia, e que podemos viver de forma civilizada construindo uma sociedade mais inclusiva, justa, fraterna, e ainda assim livre; operando a partir da tomada de ComCIÊNCIA sobre a 'real condição humana'; 

6) A descoberta de que o fantasma da máquina não existe, consequentemente dualidade entre corpo em alma - ou mente - também cai por terra... Só o que existe é a Physis, em última análise, e pensamento decorre de nossas células neurais, e não de um comando central - ou alma - desconectado do corpo, e portanto resistente à morte; 

7) A descoberta de que somos mortais, finitos mas maravilhosos; e que o tempo urge...

8) A descoberta de que vivemos melhor e melhor, de forma mais justa, cada vez menos crédulos, morrendo menos ao nascer, vivendo mais, mais igualitários e menos violentos... ESTUDE A HISTÓRIA... E lembre-se: o nosso estado natural é a miséria, a pobreza...

9) Existe uma distribuição GENÉTICA para a patologias ditas 'psico-sociais', e sempre contaremos sociopatas, cleptocratas e autocratas entre nós, de Mumbai a Moscow, de Tel-Aviv a Marselha, de Quixeramobim a New York... Esqueçam as vitimologias conspiracionistas...

As lesões nos Lobos Frontais, com destaque para a parte Ventromedial, podem deixar a pessoa embotada ou modificar - moderada ou completamente - o seu repertório comportamental, uma vez que esta região do cérebro esta relacionada com os freios ou inibidores de nossos impulsos emocionais e relações sociais, atuando sobre o Sistema Límbico - particularmente em um circuito que liga a amígdala ao hipotálamo pela via conhecida como Stria terminalis... Os Lobos Frontais atuam sobre cada hemisférico, garantindo que as nossas estratégias e objetivos predominem sobre os impulsos deflagrados pelo Sistema Límbico... É por isso que cedemos lugar à uma pessoa idosa, ou respeitamos filas, ou pedimos as coisas ao invés de tomá-las... O nosso desejo e o nosso instinto de sobrevivência e defesa é então moderado, resultando em um comportamento dito sociável... 


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A mensagem, embora pomposa, é inteiramente falaciosa... E posso esclarecer o momento do ‘truque’, ou do ‘desvio do endereçamento da verdade’: “No século XX, a questão de Deus passou a ser tema de uma teologia agonizante”... Sempre existe uma falsidade – entre os passos ’3 e 4′… Esta afirmação é claramente falsa… A esmagadora maioria da humanidade acredita do ‘criacionismo’, em ‘alma’, em ‘deuses’, em astrologia, em sociologia, em psicanálise, em homeopatia, etc… Simples assim… 

O autor não sabe nada sobre o ‘Julgamento do Macaco’ nos Estados Unidos em pleno século XX, e como isso baniu por várias décadas o Evolucionismo das escolas americanas… O autor ‘esquece’ da ‘explosão do neo-pentecostalismo’ em pleno século XX, com acentuada aceleração em pleno século XXI…. O autor ‘não vê’ o recrudescimento do fundamentalismo islâmico em pleno século XX… 

É ridículo quando diz que Nietzsche encerrou o problema de deus, que na verdade começou com Lucrécio, tendo a Jean Meslier como verdadeiro autor… Nietzsche só levou a fama… E não me refiro à firme existência da ‘crendice’ em 'deuses' e afins somente no meio popular, mas também na academia… Marx e Freud foram fenômenos ‘messiânicos’… 

Evidentemente, não posso exigir que um historiador entenda o fenômeno da BIOLOGIA DA CRENÇA, por tudo o que já foi exposto… O autor nada sabe sobre a esquizofrenia, as auras extáticas da epilepsia, nem sobre as diversas síndromes que acometem o cérebro humano… O autor não considera a explosão do misticismo no século XX, na ‘Era de Aquários’, nas décadas de 60 e 70, e o ressurgimento com deuses descendo de naves espaciais em 80 e 90… O autor desconhece o fenômeno, o incremento do espiritismo no Brasil, a expansão do islamismo e do esoterismo no mundo… Isso é ridículo… 

O problema da crença esta bem vivo aqui e agora, e isso enquanto avançamos pelo terceiro milênio… Isso, enquanto avançamos entendendo palmo-a-palmo as relações entre a Genética e o Comportamento, entre a Neurofisiologia e a Socialização, e detalhamos suas raízes na Biologia Molecular… Isso, enquanto medimos o tamanho e peso do Universo, visitamos os anéis de Saturno, e enviamos a Voyager além do Sistema Solar… 

Não é a mesma coisa acreditar em alma com Descartes no século XVII, e continuar tratando do tema, AMPLAMENTE, no século XXI…. Vivemos o tempo das Ultraluzes, e mesmo assim uma parcela majoritária do planeta vive em plena escuridão da Idade do Ferro: REZANDO PARA DEUSES… 

Meu amigo, hoje está publicado na Internet mais um caso de uma JOVEM FECUNDADA PELO ESPÍRITO SANTO… HOJE, JANEIRO DE 2014… Evidentemente as autoridades seculares não aceitaram a explicação do ‘pastor’, apesar da congregação e dos pais da jovem acreditarem piamente que foi CRISTO, POR MEIO DO ESPÍRITO SANTO, que engravidou a moça de 15 anos…. 

O problema para toda esta da sandice é que o ‘método’ defendido por Sagan e Dawkins, tratará de elucidar a questão com PROVAS… Existe o teste DNA, e saberemos finalmente QUAL É O DNA DE CRISTO… E uma pessoa ‘relativamente’ esclarecida como você vem dizer que ‘deus já está morto’?!? O Ganges continua a originar todas as pandemias de cólera do planeta, por ignorância religiosa, o ritual do sati continua vivo, com a morte de viúvas queimadas vivas… Em que planeta você vive??? Acho que precisa viajar mais e estudar muito mais!!! 

Estive no Irã, no Paquistão e na Índia… Visitei quase todo o planeta, e fico revoltado com a sua arrogância… Você não sabe que NADA SABE!!! Dawkins faz uma advertência 100% necessária e lícita… Você confunde o trabalho que Richard Dawkins faz com a imbecilidade de uns ou de muitos, que deveriam utilizar a LUCIDEZ NEUROPSICOLÓGICA DE NÃO CRER EM ILUSÕES, DE NÃO SER ACOMETIDOS POR DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES, PARA ENTÃO AJUDAR AOS DEMAIS… 

Infelizmente, ao invés disso, ditos ATEUS, normalmente oriundos - ao contrário do que você afirma - da 'esquerda', da 'sociologia', do conspiracionismo, ficam vilipendiando as HORDAS CRENTES, ao invés de procurar entender o problema e CONTRIBUIR EM SUA SOLUÇÃO… Dito de outra forma, a verdadeira lucidez nos permite entender que existe um biologia para a crença, que não existe o livre arbítrio, e se estamos na posição de VER, devemos ajudar aos que não veem… Mas, ‘sim’, existem aqueles que ‘acreditam na descrença’, como uma bandeira, como acreditam na esquerda, no anti-americanismo, na anti-globalização, etc… Não é o caso de Dawkins!!! 

E para finalizar, ‘não crer em deuses’ é uma proposição negativa… Não devemos guiar nossas vidas por proposições negativas… Estar livres de superstições é fundamental para ‘começar a aprender’, mas não garante, até aí, nada, senão um terreno fértil para o aprendizado… É o que faremos com esta lucidez que nos definirá como homens… 

Uso a minha lucidez para contestar asneiras colossais como esta que você acaba de publicar, e para tentar esclarecer às pessoas sobre correto funcionamento do Universo, da Vida, e do Cérebro Humano… Isso contribui 'verdadeiramente' para a liberdade e para o melhoramento continuo… Você confunde Dawkins com estes imbecis que passam a vida atacando e agredindo ‘pobres crentes’, assim como passam a vida endeusando Marx, a Sociologia e a esquerda… E evidentemente ERRA de forma acachapante ao postular que ‘deus está morto’, que a crendice está morta…. 

A crendice está bem viva no planeta e no mundo, o problema é que avançamos pelo terceiro milênio, estudando o decaimento de particular subatômicas, ocasionadas por quasares, em perigosos raios gama, estamos à ponto de produzir uma vacina para as principais ‘viroses’ que acometem nossas crianças e consumindo preciosos recursos da saúde, e descobrimos um material com rendimento de 15% da conversão de energia solar em elétrica, estamos na rota de uma terapia para o câncer, para o Alzheimer e para a diabetes, e as pessoas continuam REZANDO…. 

É a ‘missa do galo’ e a ‘jornada da juventude’ que mobilizam o país – assim como a ‘copa’… As televisões abertas estão dominadas por religiões – e não por Ciência – e ninguém vai para a cadeia por estelionato… O mundo muçulmano ordena a Jihad,total, sentencia a morte do pensamento por meio de fatwas, aviões bomba explodem, homens bombas voam pelos ares, e você diz que está tudo bem, e não precisamos nos preocupar em promover a VERDADE, porque ela já está encaminhada – e faz tempo [sic]… Não, isso não condiz com a verdade!!! 

Evidentemente a crendice tem cedido, mas a passos minúsculos… Na verdade, meu caro, o que denotamos é uma polarização entre a ignorância suprema, vigente, e o pensamento livre e humano… 'Deuses' pretendem invetir contra 'meros' homens, para 'submetê-los'… A ultra-luz contra a ultra-escuridão… E você, em tom cínico, faz pouco caso... ACORDE!!! 

Não sugiro que 'acorde' para perder o seu tempo atacando pessoas neuropsicologicamente dependentes e vítimas da crença, mas para enfrentar os algozes do púlpito, estelionatários, alguns de vestido outros de terno…. Deixo a música AGNUS SEI de Bosco, uma obra-prima, para melhor esclarecer o processo de INCUTIR O MEDO PARA VENDER A SALVAÇÃO – HOJE, AQUI E AGORA!!!

“Dominus dominium juros além

Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assim
Á nudez sem véus diante da santa-inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de shangri-lá
O tempo vence toda a ilusão”


- João Bosco

E mais, comparar o cientista e professor de Oxford, Richard Dawkins, com um pastor dogmático como Macedo e Malafaia, foi cretino, além de demonstrar uma excepcional falta de conhecimento, exibindo critérios rasteiros, desvios cognitivos de confirmação e uma tendência à falácia retórica…. 

Dawkins ensina como a vida realmente funciona, e não passa a sacolinha ludibriando pessoas que já não tem esperança… Não seja tão cretino, obtuso e limitado… Sua ‘falsa dicotomia’ ou ‘antagonismo análogo’, não me passou desapercebido… Não existe nenhum paralelo possível entre o dogmatismo e a obstinação em ENDEREÇAR A VERDADE POR MEIO DA PROVA… ESTUDE, PENSE… PENSE MUITO MAIS DO QUE FEZ ATÉ AQUI…

O autor tem ainda a cara de pau de dizer que: "Outro erro de Dawkins é considerar que a religião é inerentemente infensa à liberdade e ao pensamento científico."

O Index foi uma lista de livros proibidos criada pela Santa Sé, uma proibição ao pensamento.... Giordano Bruno foi queimado vivo, entre outros... Galileu sentenciado a se calar, assim como Kepler e Copérnico, e Servetus foi queimado vivo com o próprio livro amarrado às pernas... Segundo o cardeal Belarmino, acusador de Galileu:


"Dizer que a Terra não é o centro do universo é o mesmo que dizer que a virgem Maria não foi fecundada pelo espírito santo." - Cardeal Bellarmino

A HISTÓRIA É UM PROCESSO CONTÍNUO... A 'RELIGIÃO' É TOTALMENTE ANTAGÔNICA COM A CIÊNCIA DESDE O GÊNESIS... É PROIBIDO 'SABER'...

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” - Gênesis [2:17]

A FÉ OU O 'DESESPERO DE CRER', SEM PROVAS, É COMPLETAMENTE ANTAGÔNICO COM O NOBRE ATO DE 'TORNAR-SE CIENTE PELA PROVA'... FÉ CEGA É PLEONASMO... SUA ADAPTAÇÃO DO 'CONCEITO' DE RELIGIÃO, APENAS PARA ORDENAR FALSOS ARGUMENTOS EM FAVOR DE SUA 'CRENÇA PRÉVIA' DE QUE  A RELIGIÃO É INOFENSIVA, QUASE INEXISTENTE, ETC., É UMA DEMONSTRAÇÃO DE POUCA OU NENHUMA HONESTIDADE INTELECTUAL...

Lembrando - mais uma vez - que o termo CIÊNCIA deriva do latim  - Scientia - e significa tão e somente CONHECIMENTO... Viemos do zero, e da superstição máxima, a um corpus de conhecimento fabuloso... Embora um 'acadêmico' como você, desconheça quase que a totalidade do que a academia já aprofundou e estabeleceu sobre o Universo, a Vida e o Homem... 

“Quando as pessoas pensavam que a Terra era plana, estavam erradas. Quando as pessoas pensavam que a Terra era – ‘exatamente’ [grifo meu] - esférica, estavam erradas. Mas, se você considera que ‘pensar que a Terra é esférica é tão errado quanto pensar que a Terra é plana’, então a sua visão está mais errada do que as duas juntas.” - Isaac Asimov (‘A Relatividade do Erro’; 1989)

Isso porque muros altos foram erguidos entre as diversas disciplinas, e nota-se que um educador como você encontra-se desprovido de conhecimentos elementares, e inclusive está afastado da realidade circundante... Mas tem a disposição de profetizar, 'preferindo postular a aprender'... Aprender com Dawkins... O problema está em que, 'sem entender o problema', você considerará que não existe a necessidade de trabalhar em soluções, em educação científica, em educação para a vida... Vivendo de 'rótulos' e conhecimentos filosóficos de Enciclopédia... Este é o problema:

NÃO SABER QUE NADA SABE... UM TRISTE DESTINO...

Recomendo a 'Contra-História da Filosofia', 05 volumes, do francês Michel Onfray, que tenho prazer de contar em meu círculo intelectual direto, assim como Michael Shermer e Daniel Dennett...

Perdi mais tempo do que gostaria com esta refutação, afinal a arrogância de sua ignorância estimulou a minha preocupação... É por causa de desvios de percepção como o vosso, que Dawkins não se cansa de falar... Imagino a mensagem que leva a seus alunos... A História da Humanidade está sulcada de mal-entendidos, afinal não somos exatos, nem um produto final da Evolução, muito menos uma obra da criação... Somos sujeitos ao erro, aos mais diversos desvios cognitivos, intelectivos e retóricos... E um mar de confusão está instaurante... E você não vê... Não vê por soberba...

Sim, existe um problemaço lá fora, 'deuses', cerca de 12.000, estão bem vivos em nossas vidas, e somente o cristianismo tem cerca de 10.000 diferentes facções... Existem seres extra-terrestres, existem milhares de seitas esotéricas, homeopatia, astrologia, psicanálise... Osho, Chico Xavier, Freud, Jung, Paulo Coelho e Game of Thrones são as obras mais vendidas, assim como o livro do 'papa'... Você deveria excluir o seu texto e estudar por alguns anos até estar em condições de entender a REALIDADE que vos cerca... Tudo o que você 'pensa que sabe' está errado... Comece pela Neurociência Cognitiva, pela Psicologia Social e Evolutiva, e pela Genética Comportamental, Etologia... E não pare mais...

Boa noite...

Carlos Sherman

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