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sábado, 29 de março de 2014

Ética e Relativismo



Um grande amigo publicou o post abaixo:

A ÉTICA é uma coisinha relativa?
O sociólogo Peter Berger escreveu um livrinho delicioso:
"Introdução à Sociologia". 
Um dos seus capítulos tem um título estranho e delicioso: 
"Como trapacear e se manter ético ao mesmo tempo". 
Estranho à primeira vista. Mas logo se percebe que, na política, é de suma importância juntar ética e trapaça. Para explicar vou contar uma historieta. 
Havia numa cidade dos Estados Unidos uma igreja batista. O s batistas, como se sabe, são um ramo do cristianismo muito rigoroso nos seus princípios éticos. 
Havia na mesma cidade uma fábrica de cerveja que, para a igreja batista, era a vanguarda de Satanás. 
O pastor não poupava a fábrica de cerveja nas suas pregações.. 
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 500 mil dólares para a dita igreja. Foi um auê..
Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito.
Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro
poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas. 
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a decisão democrática. 
Depois de muita discussão registrou-se a seguinte decisão no livro de atas:
"A Igreja Batista Betel resolve aceitar a oferta de 500 mil dólares feita pela Cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus."
É isso aí...!

Objetei:

Ética é - tão e somente - manter a coerência quando já não existem testemunhas... Trata-se de um compromisso pessoal... Um traficante que vive à margem da sociedade e enfrenta abertamente esta condição não é anti-ético... Quando um político diz "vou ajudar as criancinhas" e desvia verbas destinadas a este compromisso, é efetivamente anti-ético... Moral é outra coisa, e outras coisas são outras coisas, rsrsrsrsrs...

Os batistas não são rigorosos em seus compromissos 'éticos' e sim em seus ambíguos ditames 'morais'... A moral, nesta caso, estaria relacionada a um códice 'divino'... 

A trapaça não pode ser 'ética', e, no delicioso caso relatado, um truque moral é tentado - até porque a moral do códice cristão é ambígua... 'Não matarás', mas 'se o seu filho for rebelde mate-o a pedradas e pendure o seu corpo em um madeireiro'... Conceitualmente isso é trapaça, falsidade ideológica, moral dupla-face, e atitude flagrantemente anti-ética... Isso é na realidade 'muita cara-de-pau' - para deixar barato...

Quem defende com argumentos de ocasião o que afirma praticar por uma questão de princípios, não acredita nem nos argumentos e nem nos princípios...

Carlos Sherman

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