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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A QUESTÃO DA COMUNICAÇÃO




A QUESTÃO DA COMUNICAÇÃO
Ou Questão MACOB

A amiga e excelente profissional da área de comunicação, Sheila Magri, formulou o seguinte questão:

O que é mais difícil na comunicação interpessoal ?
1. Ser sincero, sem magoar
2. Escutar, sem julgar
3. Expressar posição contrária, sem agredir

Observei:


That is the question! Sem fugir à questão, considero que os três desafios são igualmente importantes - ou deletérios - em qualquer diálogo ou debate. E sobre qual seria o mais daninho dependerá muito da interlocução. As opções 1 e 3 são similares... Fico com a 2 + as ressalvas abaixo, rsrsrsrs...

Gostaria de agregar ainda, e sem a pretensão de desvendar toda a complexidade da comunicação (full-duplex), que o segredo pode estar engendrado no seguinte protocolo: 

(1) Escutar os fatos, tratando de filtrar as interpretações, e sem julgamento prévio; 

(2) Contribuir para melhor elaborar a questão; já que questões muito abrangentes ou mal formuladas não nos levam a lugar algum, abrindo espaço para a disputa eloquente; 

(3) Elaborar a reflexão em voz alta, abrindo as cartas sobre a mesa, uma a uma, sem estratagemas, mas totalmente empenhado no endereçamento da verdade - aproximando opiniões de fatos; 

(4) Estabelecer premissas e referências sólidas, usando de transparência e sinceridade, e avançando serenamente enquanto confirmamos coincidências - como estacas ou grampos de segurança em uma escalada; 

(5) Até que poderemos nos focar no cume, no pomo da discórdia, no "nó"; concentrando esforços e atenção, juntos, em desfazê-lo... 

(6) Isso sem jamais emitir críticas pessoais, afinal estamos tratando de proposições, não de um concurso de simpatia. 

Dessa forma, poderemos até mesmo concluir sem desatar o nó, mas saberemos exatamente onde ele está. O comprometimento de qualquer dos passos acima acirrará a disputa e converterá o diálogo em um campo de batalhas inócuo. 

Quando desestabilizamos proposições, demonstrando a fragilidade ou a força de um argumento, desvelando falácias retóricas, desvios cognitivos, intelectivos ou éticos, desnudamos também o argumentador... sem fazê-lo de forma frontal ou deselegante. 

Tudo isso pode parecer lógico e sedutor, mas é muito complicado seguir o rito... As pessoas operam regidas por sua fisiologia, sujeitas à neurotransmissores e receptores, e ao tênue e dinâmico equilíbrio bioquímico que caracteriza nossa natureza, comportamento e personalidade. 

Um simples café, ou uma cervejinha, podem ser suficientes para mudanças no ânimo. Uma noite mal dormida, e mesmo a presença de uma platéia ou audiência, assim como interesses escusos, sempre estarão à espreita.

Somos distintos, complexos, e podemos estar entrincheirados pelo medo ou ambição; de forma que, não raro, a tarefa de dialogar se tornará inviável. A lucidez não é a regra, somos animistas, sectários, maniqueístas, tendentes à conclusões causais, dicotômicas... 

Existe a mera questão do abismo intelectual, ou na capacidade de formular questões e interpretar réplicas. E neste terreno, se for necessário seguir, não poderemos nivelar a conversação por baixo, e as metáforas e analogias anedóticas jogarão um precioso papel. Por outro estará - inexoravelmente - a capacidade de decodificar metáforas... e avançamos sobre o terreno Neuropsicológico da empatia, ou do ToM - Teory of Mind -, sendo esse um aprofundamento inadequado para o momento.

Gostaria de agregar ainda que diálogos saudáveis devem versar sobre proposições positivas, já que não podemos contestar nem endossar - de fato - proposições negativas. Ou seja, não podemos discutir sobre o que "não existe", mas podemos conversar e propor argumentos que descrevam o que sim existe. Trata-se de um absurdo lógico provar a veracidade de uma negação. 


Com certo aprofundamento epistemológico, podemos propor ainda que mantenhamos impávido o conceito do onus probandi... formulando teses que possam ser comparadas com a realidade, e comprovadas por fatos. Precisamos alicerçar afirmações com dados, informações acreditadas, que conciliam fatos. O que pode ser afirmado sem provas, pode e deve ser rechaçado sem provas. Mas a ausência de provas não é prova da ausência... e muito menos da existência - ou pertinência argumentativa.

Nos comunicamos muito melhor do que no passado, mas ainda nos comunicamos mal - lato senso. Então, precisaremos primeiro bem escolher as lutas que queremos lutar, afinal a vida é feita de uma sucessão de prazos finitos... e o tempo "ruge" lá fora.

Deixo como lembrete que uma comunicação ou locução saudável e produtiva deve considerar sempre os seguintes pilares:

(A) Domínio gramatical e semântico da língua vernácula ou meio linguístico de comunicação - e.g., português, espanhol, francês, inglês, hindi etc.;

(B) Construção lógica de sentenças, evitando falácias retóricas e intelectivas;

(C) Conhecimento prévio sobre o objeto ou conteúdo do debate;

Uma sentença adequada, em uma conversação séria e bem intencionada, deve estar corretamente expressa em termos gramaticais e lógicos, e primar pela qualidade de seu conteúdo. No mais, e sem mais, fico com um antigo slogan da Rockwell Automation:

LISTEN, THINK and SOLVE!

Sincera e atenciosamente.

Carlos Leger Sherman Palmer

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